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JOÃO CARTAXANA
O BENFICA foi superior a um miniBayern, ainda na ressaca da derrota traumatizante da final da Liga dos Campeões, e acabou por perder com dois golos muito consentidos, isto para utilizar uma terminologia suave, levando em linha de conta o facto de Bossio ter chegado há tão pouco tempo à Luz e de se estar no início da época. Todavia, isso não invalida as suas responsabilidades nos dois golos do Bayern e na derrota do Benfica -- no primeiro lançando tardiamente à bola, na sequência de um remate desferido a mais de trinta metros da baliza; o segundo num "chapéu" aplicado na execução de um pontapé de bicicleta do avançado germânico. Em ambos, Bossio fez um leitura tardia dos lances, o que fez com que estivesse mal posicionado para defender os remates.
Esta noite infeliz de Bossio deve ter acentuado a saudade que os sócios benfiquistas já começam a sentir por Preud'homme, ontem alvo de uma homenagem de despedida ao iniciar o jogo como titular. No final apeteceu perguntar: que tal se Preud'homme, em vez de estar atrás de uma secretária, jogasse mais um anito?!... A grande forma em que terminou a época passada foi a demonstração de que tinha e tem, ainda, condições físicas para fazer mais uma época ao seu melhor nível. A equipa teria, certamente, a ganhar com isso, tanto mais que a Enke, sem embargo das potencialidade que evidencia, faltam-lhe experiência e maturidade.
Gostámos mais do Benfica da 1ª parte frente ao Corunha, sexta-feira passada, mas, ontem à noite, a equipa não "caiu" a "pique" como aconteceu na 2ª parte com os espanhóis, já conseguiu manter durante mais tempo um rendimento uniforme. É verdade que o Benfica equipa só esporadicamente conseguiu abrir uma brecha na defesa alemã [só aos 40m Poborsky ofereceu o golo a Cadete quando estava em posição de ele próprio rematar à baliza; e dois minutos depois, João Pinto isolou-se e foi travado irregularmente à entrada da área], mas foi a única equipa em campo. Pertenceu-lhe sempre a iniciativa e o controlo do jogo perante um Bayern apático e antipático, quer pela postura excessivamente defensiva que adoptou quer pela atitude quezilenta dos seus jogadores. Uma sombra da equipa que chegou à final da Liga dos Campeões.
Durante a 1ª parte os jogadores encarnados não deixaram a pele em campo, mas lutaram e correram muito mais do que os adversários; houve alguns pormenores interessantes, sobretudo na movimentação colectiva, onde a equipa já evidencia uma disciplina de jogo e uma "espinha dorsal" ainda que em fase de estruturação. Mas também deu para perceber que não vai bastar a esta equipa "deixar a pele em campo" como pede Heynckes, como forma de compensar o défice de individualidades que possam fazer a diferença. A transpiração ajuda muito, mas nos momentos cruciais não substitui a inspiração e a classe. E nesta equipa encarnada há manifestamente -- isso, ontem, voltou a ser notório -- dois jogadores [Poborsky e João Pinto] claramente acima do nível mediano dos restantes. Portanto, não peçam a Heynckes milagres, que ele não os vai fazer...
Sempre que Poborsky mudava de velocidade ou João Pinto acelerava o ritmo do jogo, a defesa do Bayern oscilava. Faltou que isso acontecesse mais vezes, porque aquela defesa germânica é um bloco de cimento armado. E pecou, ainda, o Benfica na 1ª parte por insistir em romper pelo meio -- só Poborsky combatia esta tendência porque Luís Carlos "cai" sistematicamente para dentro, não dribla para fora, em direcção à linha. Pareceu-nos, também, o meio-campo encarnado muito macio -- quem vai recuperar bolas e dar o corpo ao choque quando for preciso? Vá lá, que ontem o Bayern não esteve pelos ajustes ou não pôde dar sequer um "cheirinho" daquele "pressing" sufocante a meio-campo a que sujeitou o Manchester United em Camp Nou.
Na 2ª parte os alemães arrebitaram no início da 2ª parte com as alterações introduzidas por Hitzfeld -- sobretudo com as entradas de Elber e Zickler para o ataque -- e o Benfica perdeu o controlo do jogo no primeiro quarto de hora. Mas gradualmente foi recuperando a iniciativa e o golo alemão aos 65m foi absolutamente fortuito. Um golo que provocou uma reacção de brio na equipa e a espevitou para uma razoável ponta final, na qual criou as melhores oportunidades de golos. Mais uma vez, a finalização voltou a ser um obstáculo intransponível e só através de um livre directo de Chano a equipa chegou ao empate (1-1), a um quarto de hora do fim. Pelo que fez globalmente até o empate soaria a injusto, mas seria o Bayern a chegar ao triunfo a escassos minutos do fim, numa "tenda" -- o termo apropria-se -- de Bossio.
Vítor Pereira quis dirigir o jogo com o espírito amigável de que este se revestia, e às tantas as coisas "aqueceram" demais... Cometeu alguns erros, perdoáveis para quem está a começar a época.
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