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As memórias e a visão de quem sabe o que é estar nos dois lados da barricada nas lutas entre Benfica e Sp. Braga
As memórias e a visão de quem sabe o que é estar nos dois lados da barricada nas lutas entre Benfica e Sp. Braga.
RECORD – Participou em jogos entre Benfica e Sp. Braga pelas duas equipas. Mesmo considerando que os seus tempos de jogador eram distintos, como se preparam estes jogos?
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DITO – Estes são os dois clubes mais importantes da minha carreira, principalmente o Sp. Braga, que representei sete épocas como jogador, mais duas como treinador da formação. Nessa fase, quando defrontava o Benfica era apenas mais um adversário, porque não tinha qualquer afinidade ao clube, para lá da admiração que me suscitava pelo grande clube que sempre foi. O contrário já foi diferente: quando defrontei o Sp. Braga de águia ao peito recuperei memórias do tempo que passei ao serviço do clube que me formou. Lembro-me de ter refletido sobre o assunto antes do jogo mas confirmei que, quando o árbitro apita, o compromisso é com a camisola que envergamos.
R – O Sp. Braga que representou como jogador tem pouco a ver com o atual…
D – Sem dúvida. O Sp. Braga cresceu muito e esbateu a diferença entre os dois clubes. Recordo que, em 1982, eliminámos o Benfica na meia-final da Taça de Portugal e, exagerando um pouco, foi como se a cidade tivesse vivido uma semana de sucessivos feriados. Ganhar a um dos chamados grandes era extraordinário, um acontecimento raro. Na atualidade é tudo mais relativo: o Sp. Braga já ganhou ao campeão duas vezes nesta época (uma delas na Luz). Isto para já não falar de um título mais ou menos recente que discutiu até à última ronda e da vitória na meia-final da Liga Europa. Continua a haver diferenças, é escusado dizer o contrário, mas já não têm a dimensão de antes.
R – Acha que as equipas continuam a sofrer daquilo a que Jorge Valdano chama "medo cénico" quando visitam os grandes?
D – A Luz intimida qualquer um. Os jogadores que ali vão, mesmo aqueles que representam as potências maiores (FC Porto e o Sporting), sentem alguma inibição. Têm mais argumentos para responder mas sabem que estão perante um jogo especial. Pode sempre dizer-se que, em relação à maioria das equipas, as diferenças são menores e a intimidação não atinge o nível de há 20, 15 ou mesmo 10 anos. Mas o estado de espírito dos jogadores agita-se sempre um bocadinho mais. Sempre com a ideia de que podem ganhar pontos. Noutros tempos a ideia era perder por poucos.
R – E como age o grande nas vésperas de um jogo destes?
D – Com sentido de responsabilidade. Os treinadores diziam-nos sempre, e hoje fazem-no da mesma forma, que é fundamental ter toda a disponibilidade para jogar. Veja o caso do Benfica: dificilmente perde pontos em casa, mas o Sp. Braga tem muitas condições para discutir o jogo e não perder. De resto, sempre que há uma surpresa, a tendência geral aponta para a culpabilização do grande, porque facilitou, porque não se concentrou o suficiente… E retira-se o mérito aos adversários. Sempre fui contra essa corrente.
R – É sempre o grande que perde, nunca o outro que vence…
D – É isso mesmo. Eu percebo algumas opções de quem comanda as maiores potências. Repare: por vezes os treinadores das equipas mais fortes decidem em função de compromissos europeus e encaram os jogos para o campeonato seguindo a lei do menor esforço. São racionais, poupam jogadores e acreditam que, assim ou assado, vão vencer os jogos. Nem sempre essas decisões correm da melhor forma. Mas que culpa têm os adversários? O mérito não será também deles, que aproveitam as circunstâncias?
R – Neste caso concreto, que jogo perspetiva?
D – Desde logo, há um facto ao qual não podemos fugir: que o Sp. Braga já venceu o Benfica por duas vezes nesta época, uma delas precisamente no Estádio da Luz. E isso constitui um fator de inspiração e motivação para os minhotos, mesmo considerando que vêm de uma derrota e de uma exibição menos conseguida frente ao FC Porto. Quanto ao Benfica, vai precisar de cautelas acrescidas, porque terá pela frente uma equipa cujos pontos mais fortes coincidem com as suas maiores debilidades.
R – A dúvida é saber até que ponto o Benfica terá o espaço de que precisa para tirar todo o partido do seu futebol de ataque?
D – É isso, precisamente. O Sp. Braga sabe defender e é temível nos ataques rápidos; o Benfica tem um modelo de jogo que privilegia o transporte da bola, a dinâmica e a profundidade, em ações que visam aproveitar o espaço que a equipa de Sérgio Conceição não lhe dará. Perante adversário com bloco médio-baixo, suspeito que os encarnados sintam muitas dificuldades em dar eficácia ao ataque continuado. Estou plenamente convencido de que vai ser um grande jogo.
PELO SP. BRAGA
1982/83
BENFICA, 6 – SP. BRAGA, 0
15.ª jornada – 9/1/1983
Árbitro: Albino Rodrigues (Funchal)
BENFICA
Bento (3); Pietra (3), Humberto Coelho (5), Ant. Bastos Lopes (3) e Veloso (-), depois Carlos Pereira (3), aos 13’; Diamantino (3), Carlos Manuel (3), João Alves (3), depois Shéu (2), aos 69’, e Chalana (4); Nené (5) e Filipovic (3).
Treinador: Sven-Goran Eriksson
SP. BRAGA
Valter (1); Guedes (1), Artur (3), Paris (2) e João Cardoso 2); Serra (3), Dito (3) e Vítor Santos (2); Fontes (1), depois Vítor Oliveira (2), aos 45’, Jorge Gomes (2) e Wando (1), depois Spencer (1), aos 65’.
Treinador: Juca
Ao intervalo: 1-0
Marcadores: 1-0 Humberto Coelho (9’); 2-0 Nené (51’); 3-0 Nené (66’); 4-0 Dito (75’, pb); 5-0 Nené (83’); 6-0 Humberto Coelho (89’)
NA PRIMEIRA PESSOA
Foi um jogo cheio de incidências, a começar por um choque acidental com o Veloso, ainda no primeiro quarto de hora; fomos os dois de carrinho, chocámos canela com canela, ele fraturou o perónio e eu continuei em campo. Ao intervalo havia 1-0 e o descalabro aconteceu na segunda parte. Ainda tive a infelicidade de marcar na própria baliza.
PELO BENFICA
1986/87
BENFICA, 2 – SP. BRAGA, 1
15.ª jornada – 28/12/1986
Árbitro: Francisco Silva (Faro)
BENFICA
Silvino (2); Veloso (3), Dito (3), Edmundo (2) e Álvaro (3); José Luís (3), Tueba (2), depois Rui Pedro (-), aos 75’, Nunes (4) e Diamantino (3); Chiquinho (3) e Manniche (2), depois Rui Águas (2), aos 45’.
Treinador: John Mortimore
SP. BRAGA
Barradas (4); Toni (3), Nelito (3), Alberto Bastos Lopes (3) e Vítor Santos (4); Serra (4), Carvalhal (3), Spencer (3), depois Pires (-), aos 76’, Abreu (2) e António Borges (2), depois Saucedo (-), aos 74’; Jorge Gomes (2).
Treinador: Humberto Coelho
Ao intervalo: 1-1
Marcadores: 1-0 Abreu (17’, pb); 1-1 Vítor Santos (41’); 2-1 Nunes (71’).
NA PRIMEIRA PESSOA
Foi a primeira vez que defrontei aquele que era o meu clube de sempre, e isso causa sempre um sentimento especial. Não fui exceção. Ao serviço do Sp. Braga, onde me formei e dei os primeiros passos como profissional, mentalizei-me para o momento durante a semana e acho que toda essa parte emocional perdeu efeito quando o árbitro deu início ao jogo. Não tenho memórias muito presentes do que aconteceu em particular, para lá da certeza de que o Benfica venceu dificilmente, com um golo já na reta final do jogo.
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