Como foi a conversa com a equipa depois do jogo com o Sp. Braga? Sente que o plantel está consigo?
Vou dizer-lhe que o diálogo correu muito bem, mas vou também dizer que não consigo ser o que vocês querem que eu seja. Quando digo vocês, não estou especificamente a falar de si, mas sim dos que não são jornalistas mas têm opinião. Não consigo ser o que querem que seja. Nem como homem, nem como treinador. Não consigo jogar mal e dizer que joguei bem. Não consigo aceitar mediocridade. Nem dos outros, nem da minha parte. Cheguei onde cheguei a ser Mourinho. E vou ser Mourinho até ao fim. Não me parece que essas críticas que deram origem a uma telenovela sem fim tenham sido exatamente assim. Esqueceram-se que no dia anterior eu tinha dito que gostava muito de ter ganho a competição. Não por mim, mas pelos adeptos e por um grupo fantástico de jogadores. E repito, amo aqueles gajos. Mas não consigo ser diferente. Não consigo fazer o que vocês gostam. Não consigo atirar areia para os olhos das pessoas, dizer que a minha equipa jogou muito bem quando jogou muito mal. E por outro lado, a relação que tenho com os meus jogadores atuais e a relação que tive em mais de duas décadas de futebol com os meus jogadores e grupos, é das coisas mais bonitas que tenho na carreira. E não estou a falar de 100% dos meus jogadores, graças a Deus. Porque alguma coisa estaria errada. Mas ter ex-jogadores de 22 e 23 anos e que me contactam frequentemente para coisas de carreira e pessoais... Jogadores de 54 ou 55 anos que têm exatamente a mesma relação comigo... Algumas pessoas trabalham para concorrentes e são pagos para fazer um determinado tipo de trabalho e que depois chegam à televisão e deveria ser incompatível... E eu não tenho isso a meu favor... Eu cheguei onde cheguei a ser quem sou e como sou. Os jogadores, na sua maioria, gostam de mim. E estou a falar de centenas e centenas de jogadores. Sou capaz de dizer a um jogador 'não jogaste nada'. Criticar publicamente. Mas também sou capaz de fazer o que fiz com o Dahl. Quando quiseram 'matar' o Dahl pela assistência que fez contra o Leverkusen, saí a dizer que era o Dahl e mais 10 no domingo. Eu sou quem sou, não vou mudar, vou ser assim até ao fim. A maioria dos jogadores gosta de mim e tem uma relação de grande honestidade e abertura comigo. E é assim que sou. Se gostavam mais do 'atira areia para os olhos dos outros' não consigo. E não consigo ter gente paga em painéis a falar bem de mim. Vocês sabem onde cheguei. Se como jogador chegou o Cristiano Ronaldo, Eusébio e Luís Figo, como treinador em Portugal só um chegou. E não vou mudar. Sinto muito".