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«Eu tinha um contrato ao jogo, só durante o defeso do campeonato dos Estados Unidos», recorda Eusébio, que esteve num empate a dois golos entre o Benfica e o Beira Mar, em Aveiro. O que foi estranho é que alinhou com a camisola dos aveirenses vestida
O JOGO efectuou-se a meio da semana, durante a tarde, mas nem assim o Estádio Mário Duarte mostrou as bancadas mal compostas. Corria o dia 5 de Janeiro de 1977 quando Eusébio, jogando pelo Beira Mar, defrontou o Benfica pela primeira e única vez da sua carreira. O cartaz era prometedor e os aveirenses foram em massa ao estádio.
“Pensei em não jogar. Só a doze minutos do começo do jogo é que decidi alinhar”, recorda Eusébio, contente porque, apesar de o Beira Mar ter tirado um ponto ao Benfica nessa tarde (empate a dois), antes já tinha marcado um grande golo num empate a uma bola com o Sporting. “Ainda contribuí para o Benfica ser campeão”, lembra.
O Beira Mar-Benfica correspondia à 12ª jornada do campeonato de 76/77, o segundo que o Benfica fazia sem Eusébio. Na época anterior, com Jordão e Nené a marcarem golos sobre golos, os encarnados ainda tinham sido campeões, mas agora as coisas estavam feias: o Sporting liderava com cinco pontos de avanço. O empate em Aveiro ainda piorou o panorama, mas o Benfica acabou mesmo por sagrar-se campeão, curiosamente no jogo da segunda volta contra o Beira Mar, na altura já sem Eusébio, regressado aos Estados Unidos.
Mas voltemos ao Beira Mar-Benfica. “Não tinha nada no contrato que me permitisse ficar de fora contra o Benfica, mas não me via a jogar contra o meu clube. Mas o contrato com o Beira Mar era ao jogo, isto é, a cada jogo que fizesse recebia uma determinada verba. Treinava em Lisboa e ia jogar a Aveiro. Por isso, a decisão se eu jogava ou não não era do treinador. Era minha e, quanto muito, do presidente”, recorda Eusébio. “Mas decidi jogar e cumpri dentro das quatro linhas”, completa.
É que muito se falou de um livre que Eusébio se recusou a marcar, já perto do fim da partida, com o resultado empatado a dois golos. O Rei reconhece que duas coisas lhe passaram pela cabeça. “Era uma falta na meia-lua, do lado esquerdo do ataque. O treinador, Manuel Oliveira, pediu-me para marcar, mas eu não podia, pois estava lesionado. E por outro lado não podia marcar um golo ao meu Benfica. Assim, foi o Sousa que marcou o livre e a bola passou por cima”, finaliza.
Em campo com Sousa e Manuel José
A história do empate entre o Beira Mar e o Benfica ficou escrita logo no início da segunda parte, quando o defesa aveirense Soares marcou o golo do empate final. Magoado, Eusébio não ficou em campo até ao fim, sendo substituído aos 75 minutos pelo espanhol Paco Tebar. Mesmo assim, e apesar de não ter marcado nenhum golo, ainda fez uma assistência para Rodrigo, após ludibriar Alhinho.
Na equipa do Beira Mar estavam outros nomes conhecidos do futebol nacional, como Sousa, que, como lembra Eusébio, “estava a começar” e agora é o treinador dos aveirenses. E também lá estava Manuel José, que nessa partida com o Benfica também saiu lesionado. “E ainda havia o Abel, o Manecas. O Domingos era o guarda-redes. Tínhamos bons jogadores. Era uma boa equipa”, recorda Eusébio.
Aqui fica a forma como as equipas alinharam naquela tarde de quarta-feira, sob a arbitragem de Melo Acúrsio. BEIRA MAR – Domingos; Guedes, Vítor, Soares e Marques; Manuel José (Jorge, 59’), Eusébio (Paco Tebar, 75’) e Manecas; Sousa, Abel e Rodrigo. BENFICA – José Henrique; Bastos Lopes, Alhinho, Eurico e Pietra; José Luís, Shéu e Vítor Martins (Romeu, 59’); Nelinho (Moinhos, 81’), Nené e Chalana. Os golos foram marcados por Chalana (19’), Abel (26’), Pietra (30’) e Soares (56’).
«Respeito muito os aveirenses mas quero que o Benfica ganhe»
Do tempo em que lá jogou, Eusébio ainda guarda o título de sócio honorário do Beira Mar. Mas, apesar de tudo, no domingo, estará a torcer pela vitória do Benfica. “Quero que seja um bom espectáculo e que o Benfica ganhe. Mas se assim não for, parabéns ao Beira Mar”, salienta.
Só uma gripe ainda mal curada pode impedir Eusébio de ir amanhã a Aveiro. “Espero estar lá, para dar um abraço aos aveirenses, até porque muitos são do Benfica. Eles sabem, respeitam-me como eu os respeito a eles”, frisa Eusébio, confiante de que o estádio vai encher: “Mesmo com a televisão em directo, é sempre assim onde o Benfica joga.”
«Disse ao Sporting para esquecer»
Eusébio jogou no Benfica até 1974/75, altura em que foi experimentar a aventura do futebol dos Estados Unidos. Mas as épocas dos dois países não coincidiam, pelo que, nas férias do campeonato americano, o jogador podia manter a forma jogando por equipas portuguesas. Foi assim que apareceu no Beira Mar. Mas podia muito bem ter ido parar... ao Sporting.
“Na altura, João Rocha falou comigo. Mas eu não podia jogar no Sporting e disse-lhes logo para esquecer”, frisou Eusébio, que assim foi disputado por Belenenses e Beira Mar. “A minha primeira oferta foi do Belenenses. Mas eles não sabiam que eu já tinha contrato para continuar nos Estados Unidos. Eu falei-lhes nisso e disse-lhes que só podíamos fazer um contrato a ser pago ao jogo. O Belenenses ficou de pensar, mas entretanto apareceu o Beira Mar e acabei por ir para lá.”
Foi uma experiência curta, pois Eusébio acabou mesmo por regressar aos Estados Unidos. “Ninguém cobria a proposta dos americanos. E eu sentia-me lá bem. Ainda acabámos por ser campeões.”
Estreia contra o Feirense num dia de chuva abundante
O primeiro jogo de Eusébio com a camisola do Beira Mar foi contra o Feirense, a 11 de Novembro de 1976, um dia de muita chuva. O resultado foi logo favorável aos aveirenses, por 3-1, e os jornais elogiaram a exibição do “Pantera Negra”. “Ofereceu em bandeja dois golos e ainda marcou um que lhe foi mal anulado”, escreveu-se.
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