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UMA alteração à Lei XIII, feita em 1997, parece tirar a Martins dos Santos a razão para anular o golo com que Drulovic chegou a adiantar o Benfica. O lance explica-se rapidamente: num livre indirecto, dentro da área do Belenenses, Simão pisou a bola, esta abanou e Drulovic chutou-a de seguida para o fundo das redes azuis. O árbitro anulou o golo e mandou recomeçar o jogo com pontapé de baliza, dando a entender que não considerou válido o toque de Simão.
Até 1997, a decisão não seria sequer discutível: para estar em jogo e poder ser tocada por outro jogador, a bola tinha que percorrer pelo menos o equivalente ao diâmetro da sua circunferência. Mas já não é assim. A lei diz agora apenas que, para ser considerada em jogo, a bola só precisa de ser "pontapeada" e "mexer-se". A maioria dos árbitros ontem contactada por Record, incluindo Joaquim Campos, o nosso especialista de arbitragem, acha que o lance devia ter sido validado. Mas há quem pense o contrário, lançando tudo para o campo subjectivo da interpretação.
Na realidade, alguns árbitros contactados pelo nosso jornal subscrevem a decisão de Martins dos Santos, afirmando que a pisadela que Simão deu na bola não pode ser considerada um pontapé e que, para que se diga que a bola se moveu, como pede a lei, é necessário que saia do local onde se encontra. Ora, pisada por Simão, a bola abanou mas não saiu do mesmo local.
A decisão de Martins dos Santos foi polémica e, não tivesse Jankauskas marcado o 2-1 segundos depois, de outra coisa não se falaria esta semana.
Simão diz que o caso foi previsto
Simão Sabrosa, o jogador que pisou a bola antes do remate de Drulovic e que acabou por ver o cartão amarelo devido a protestos, discordou da decisão de Martins dos Santos e explicou porquê: "O golo é válido. Só pisei a bola, mas António Rola, que muito nos tem ajudado, tinha-nos dito que nestes casos basta tocar a bola para que ela esteja em jogo."
António Rola é o "explicador"
O antigo juiz António Rola, agora a colaborar com o clube da Luz, dando "aulas" sobre as leis do jogo aos atletas, não quis comentar o lance, mas admitiu que tem falado sobre várias situações de jogo com os jogadores do Benfica. "Não vou tornar públicas conversas privadas, mas posso adiantar que, naturalmente, temos abordado muitas questões que surgem nos jogos."
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