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06 abril

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Não há memória de uma pré-época tão má

Não há memória de uma pré-época tão má
Não há memória de uma pré-época tão má • Foto: paulo calado

O Benfica continua sem conseguir acertar o passo em 2014/2015. A participação na Emirates Cup voltou a mostrar todas as debilidades do plantel encarnado, com a formação de Jorge Jesus a somar mais dois desaires claros, diante de Arsenal (5-1) e Valencia (3-1), sem que quase nenhuma ilação positiva pudesse ser tirada.

Com uma equipa que parece longe de estar definida e que perdeu muitos dos seus jogadores mais influentes, o Benfica entrou nesta temporada com muitos problemas para resolver e com Jorge Jesus a ter várias dores de cabeça na hora de formar uma equipa competitiva para estas primeiras semanas de trabalho.

Oblak, Siqueira, Garay, André Gomes, Rodrigo, Markovic e Cardozo já abandonaram todos o clube. Os milhões entraram nos cofres da Luz mas o plantel do Benfica campeão ficou absolutamente desfeito em poucas semanas. Como se não bastassem todas as vendas, Luisão e Fejsa (o último com maior gravidade) estão ausentes por lesão, Enzo Pérez regressou há menos de uma semana, ainda nem treinou com a equipa e pode até sair do clube sem fazê-lo e Nico Gaitán tem mercado suficiente para poder sair a qualquer momento. É fácil saber que Jesus não tem razões para estar tranquilo.

Os resultados e as exibições da pré-época só vieram confirmar o que se temia mesmo antes de a bola começar a rolar. Oito encontros disputados, seis derrotas, apenas duas vitórias e nenhum encontro que faça com que os adeptos tenham razões para sentir algum entusiasmo com o que aí vem.

Jesus ainda não repetiu onzes e tem lançado várias caras novas, entre reforços comprados já durante este mercado, alguns jovens da formação e ainda outros jogadores que regressaram após períodos de empréstimo. Apesar das oportunidades, nenhuma dessas apostas conseguiu até ao momento dar garantias de qualidade para assumir a titularidade e as poucas certezas que os jogadores encarnados têm dado a Jorge Jesus é em relação a quem o técnico amadorense, definitivamente, não conta…

A desilusão em relação ao rendimento dos novos jogadores ficou bem clara nas declarações do Jesus após o encontro com o Valencia. “Os novos jogadores ainda não perceberam bem as ideias da equipa. Mas integrando os jogadores antigos será mais fácil apresentar uma ideia de jogo”. O técnico voltou ainda a pedir um guarda-redes, um médio defensivo e um avançado, que no entanto não deverão chegar a tempo da Supertaça, no domingo.

Pior do que Artur Jorge, Manuel José e F. Santos

Os números não mentem e confirmam os piores receios. Com seis derrotas em oito encontros, esta é uma das piores pré-temporadas da história do Benfica, superando mesmo os célebres maus inícios das épocas 1995/1996, com Artur Jorge, 1997/1998, com Manuel José ao leme e 2006/2007, quando Fernando Santos assumiu o comando da formação da Luz.

Na temporada 1995/1996, as digressões pela África do Sul e Estados Unidos deixaram a descoberto as fragilidades das águias, que averbaram neste período quatro encontros sem vencer: dois empates e duas derrotas. Os únicos triunfos da pré-temporada aconteceram frente ao Milan (2-1) e contra uma seleção de estrangeiros (3-2).

Também em 1997/1998 Manuel José iniciou a temporada debaixo de fogo. Com um plantel repleto de reforços e que fez crescer água na boca dos adeptos, que encheram os primeiros treinos da época, a equipa demorou muito tempo a produzir futebol e qualidade e perdeu quatro dos 10 encontros particulares disputados, sendo que três das vitórias alcançadas foram diante de equipas amadoras.

As derrotas e más exibições fizeram com que a equipa perdesse crédito junto dos adeptos, ficando célebre a digressão brasileira das águias, que regressaram do país irmão com duas derrotas, um empate e muitos golos sofridos, que fizeram que alguns jogadores viessem publicamente criticar o excesso de encontros e viagens que não permitiam que a equipa treinasse em condições.

Apesar do descalabro que foi a pré-época e de o Estádio da Luz ter estado quase vazio na primeira jornada do campeonato, o Benfica acabou por conseguir golear o Campomaiorense e afastar os fantasmas que pairavam sobre os jogadores.

Também Fernando Santos viveu momentos de aperto em pré-épocas na Luz. Em 2006/2007, sofreu quatro derrotas em oito jogos (uma delas por expressivos 3-0 diante do Sporting) mas conseguiu recuperar a confiança da equipa ao apurar-se para a fase de grupos da Liga dos Campeões, diante do Áustria de Viena, mas em 2007/2008, depois de só vence dois de seis encontros jogados antes do arranque oficial da temporada, empatou com o Leixões na primeira jornada e acabou… demitido por Luís Filipe Vieira.

Pré-temporadas do Benfica nos últimos 20 anos

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