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O BENFICA viveu duas noites de enorme felicidade, em pleno Estádio da Luz, em 1987/88 e 1989/90, ao qualificar-se para a final da Taça dos Campeões Europeus, feito do qual estivera arredado durante precisamente 20 anos. É certo que pelo meio houvera a final da Taça UEFA, mas isso não chegara para satisfazer o apetite dos encarnados, sobretudo os que ainda recordavam as cinco finais dos anos 60.
Na noite de 20 de Abril, o Estádio da Luz estava repleto: mais de 100 mil pessoas desejosas de um único golo, pois o Benfica empatara em Bucareste, ante o Steaua (0-0). E o anseio popular foi respondido por um dos melhores avançados portugueses dos últimos 20 anos, filho do homem que erguera a primeira Taça dos Campeões Europeus conquistada pelo Benfica, em 1961. Ou seja, Rui Águas, filho do formidável goleador José Águas, teve dois cabeceamentos históricos, que nenhum apaixonado pelo futebol em Portugal pode esquecer. Resultado: o Benfica ganhou 2-0 e assegurou a presença na final, que perderia ante o PSV Eindhoven (0-0), nos “penalties”, em Estugarda.
Tapie no “tapete”
A segunda noite de alegria ocorreu dois anos depois, a 18 de Abril de 1990, quando o Benfica recebeu o Marselha, então com uma equipa de luxo, das melhores da Europa. Na primeira mão desta meia-final, os franceses tinham vencido (2-1) e o sempre polémico presidente Bernard Tapie estava eufórico. Mas acabou por ter uma surpresa: a oito minutos do final, o angolano Vata (que ainda acabaria por jogar na Indonésia!) marcou um golo com o braço e permitiu ao Benfica eliminar o Marselha, devido à vantagem nos golos obtidos fora.
De novo, o Estádio da Luz, com cerca de 120 mil espectadores, foi um vulcão de alegria, ao ver o Benfica qualificar-se para a final da Taça dos Campeões Europeus. Só que um golo do holandês Frank Rijkaard permitiria ao Milan ganhar por 1-0, na final, e ficar com o ambicionado troféu.
Noites de glória encarnada
Benfica-Steaua Bucareste, 2-0
Data: 20 de Abril de 1988 (quarta-feira)
Benfica – Silvino; Veloso, Dito, Mozer e Álvaro; Chiquinho, Elzo, Diamantino e Pacheco (Chalana, 88); Magnusson (Shéu, 74) e Rui Águas.
Treinador: Toni.
Steaua – Liliac; Belodedici; Iovan, Popescu (Majearu, 71), Bumbescu e Ungureanu; Hagi, Stoica e Balint (Balan, 60); Lacatus e Piturca.
Treinador: Anghel Iordanescu.
Marcadores: Rui Águas (22 e 33).
Benfica-Marselha, 1-0
Data: 18 de Abril de 1990 (quarta-feira)
Benfica – Silvino; José Carlos, Samuel, Aldair e Veloso; Vítor Paneira, Hernâni, Thern (Pacheco, 52) e Valdo; Lima (Vata, 52) e Magnusson.
Treinador: Sven-Goran Eriksson.
Marselha – Castañeda; Amoros, Sauzée, Mozer e Di Meco (Diallo, 85); Deschamps, Tigana e Germain; Waddle (Vercruysse, 76), Papin e Francescoli.
Treinador: Gérard Gilli.
Marcador: Vata (82).
Emoção de Lena fez esquecer a voz
Lena d’Água, irmã de Rui, autor dos golos ao Steaua, assistiu ao jogo ao vivo e até esqueceu os cuidados a ter com a voz. Quando o irmão marcou, “gritei, fiquei louca, comecei a gritar. Até me esqueci que sou cantora. Gritei como nunca tinha gritado”. Era a emoção em família... de benfiquistas.
Feliz aniversário de Humberto Coelho
Já retirado, o ex-defesa-central encarnado Humberto Coelho fazia 38 anos no dia em que o Benfica eliminou o Steaua, pelo que os golos de Rui Águas foram também duas prendas de aniversário. E já cinco anos antes, o Benfica afastara o Universitatea Craiova também a 20 de Abril.
Misto de tristeza e alegria para o defesa Veloso
O polivalente Veloso, fundamental no Benfica e na selecção portuguesa durante largos anos, tinha um duplo sentimento, no final do jogo com o Marselha. O Benfica ia à final de Viena, com o Milan, mas o futebolista marcado pelos “penalties” de Estugarda vira o “amarelo” e estaria suspenso.
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