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20:30

08 fevereiro

FC Alverca

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A conversa com Amorim em Inglaterra, o lance polémico de Sudakov e João Neves como Quenda: o que disse Nuno Gomes

Candidato a vice-presidente na lista de Noronha Lopes foi o convidado do programa 'Record na Hora', no NOW

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Nuno Gomes: «Se Rui Borges saísse do Sporting quase que aposto quem seria o seu substituto...»

Nuno Gomes, candidato a vice-presidente na lista de Noronha Lopes nas eleições do Benfica, foi o convidado deste domingo do 'Record na Hora', do NOW, onde respondeu a várias perguntas. Desde o vencedor do último debate à surpresa com os resultados da 1.ª volta - onde Rui Costa levou a melhor com mais de 42% dos votos -, o antigo internacional português não fugiu às questões dos jornalistas David Novo, Bruno Fernandes, Luís Pedro Sousa e Rafael Soares.

Olhando para o debate da passada quinta-feira: muita gente considera que Rui Costa esteve melhor. Discorda?

"Antes de mais boa noite, obrigado pelo convite e cumprimentar as pessoas lá em casa. Na minha opinião, o debate em si foi dececionante para quem estava em casa e esperava ouvir, de ambos os candidatos, quais são as propostas para o futuro do Benfica e aquilo que desejam que aconteça nos próximos quatro anos. Acho que se entrou demasiado por questões que, na minha opinião, não deviam ser debatidas. Se calhar até faltaram ao respeito aos próprios benfiquistas, que ficaram sem conhecer em profundidade as ideias, os projetos e o que os dois candidatos querem para o futuro do Benfica".

E isso foi culpa de quem?

"Acho que foi mais responsabilidade dos próprios jornalistas do que dos candidatos. Perdeu-se muito tempo a debater coisas que pertencem ao passado, primeiro, e segundo, não interessam àquilo que os sócios e adeptos querem ver clarificado. Que é, volto a dizer, o projeto de ambas as listas".

Acredita na vitória no dia 8?

"Na vitória e, acima de tudo, nas nossas convicções e na capacidade que a equipa de João Noronha Lopes tem. Na equipa que conseguiu reunir. Gente com capacidade, séria e com muito benfiquismo. Acredito que podemos fazer melhor e que os benfiquistas nos podem dar essa confiança".

Ficaram surpreendidos com os resultados da 1.ª volta?

"Não vou mentir. Pessoalmente fiquei surpreendido, e acredito que quem foi votar em Noronha Lopes também tenha ficado. Há várias formas de analisar a votação. É certo que Rui Costa sai à frente, mas houve 60% das pessoas a votar na mudança. É nessa percentagem que estamos focados, bem como nas pessoas que não vieram votar. Vieram cerca de 85 mil sócios votar, mas outros tantos não se deslocaram às mesas de voto. É com esses também que estamos a contar. O futuro do Benfica precisa de uma mudança para ser diferente".

A estratégia será diferente nesta última semana?

"Não sou político. Percebo a curiosidade, mas acho que é importante debatermos o que a lista de João Noronha Lopes quer para o futuro. Não vou fugir à pergunta e acho que a nossa estratégia passa também por persuadir não só as pessoas indecisas, e já o referi em relação a quem não veio votar, mas também perceber qual a intenção de voto para o dia 8".

Compreende as razões pelas quais 42% dos sócios votaram em Rui Costa? Como adepto do Benfica, percebe as pessoas que o fizeram?

"Não é uma pergunta de fácil resposta. Se olharmos para os últimos quatro anos, vou ter de dizer que não compreendo. Os resultados não foram satisfatórios e acho que não haja um adepto ou sócio contente com o que o Benfica alcançou em termos de títulos. É nisso que também estamos interessados, é isso que queremos festejar. Olhando para os últimos quatro anos, achamos que um campeonato é muito pouco. Nesse sentido não compreendo. Por outro compreendo, até porque não deixa de ser Rui Costa. Ex-jogador, uma pessoa muito querida, muito benfiquista, como todos nós o somos. Acredito que as pessoas que foram votar em Rui Costa tiveram também isso em consideração".

No debate, Noronha Lopes não esclareceu isto: se José Mourinho, que tem uma relação quase umbilical com Mário Branco, não quiser trabalhar com Pedro Ferreira, o que vai acontecer? Cai o diretor-desportivo ou o treinador?

"Fez uma pergunta logo muito direta e agradeço a frontalidade. Não vou fugir à questão. Acho que isso é um não-tema. José Mourinho, quando chegou, das primeiras coisas que disse foi que era impossível dizer que não ao Benfica. Não disse que era impossível dizer que não ao Benfica de Mário Branco. O José Mourinho que conhecemos, que anda nisto quase há mais tempo que nós, trabalhou quanto tempo com Mário Branco? É uma pergunta que deixo no ar. Na Turquia, Mário Branco saiu e José Mourinho continuou. Creio que Noronha Lopes respondeu que esse seria um tema a ser discutido após as eleições. Também não queria entrar muito nesse pormenor, porque há um respeito que devemos a Mário Branco, é meu amigo e reconheço-lhe competência. Mas o nosso diretor-geral foi escolhido há algum tempo, quando Mário Branco ainda nem desempenhava as funções que desempenha".

Quais vão ser exatamente as suas funções no Benfica? Onde começa o Nuno Gomes e 'termina' o Pedro Ferreira?

"O Pedro Ferreira vai reportar a mim. Juntamente com ele e com o presidente, estas três pessoas vão ter a seu cargo a visão e traçar a linha orientadora e a estratégia que queremos para o futebol do Benfica. Profissional, de formação e feminino. Pedro Ferreira vai ser diretor-geral. A minha responsabilidade será fiscalizar, validar e controlar a gestão da SAD e do clube no que ao futebol diz respeito".

Noronha Lopes, no último debate, garantiu que o Nuno conhece muito bem José Mourinho. Quão bem?

"Conheço muito bem. Posso confidenciar, e acho que chegou a ser público dos tempos em que eu ainda era jogador, que houve ali um forcing do FC Porto para que eu fosse desviado na altura para o FC Porto de Mourinho. E após isso, também existiram algumas tentativas de que José Mourinho pudesse ter os meus serviços como jogador. Nunca foi possível. Tenho pensado muitas vezes nisso e, quem sabe, se não estará para breve essa relação profissional também. Neste momento é de amizade. Até depois de ter acabado de jogar, em alguns momentos, existem também alguns eventos entre ex-jogadores, até jogos que a UEFA ou a FIFA organizam, e sou chamado muitas vezes, bem como o José Mourinho. Coincidimos também nesses eventos. Tenho uma relação muito boa com Mourinho e acho que não é por aí que vá cair o Carmo e a Trindade. A linguagem do futebol é universal, todos a sabemos interpretar. Caso Noronha Lopes ganhe as eleições, serei o vice-presidente e administrador da SAD e vamos querer os dois a mesma coisa, vitórias e títulos".

Até pode ser a melhor pessoa a convencer Mourinho do projeto com Pedro Ferreira e sem Mário Branco?

"É uma não-questão. José Mourinho é treinador do Benfica, um dos melhores do mundo, e cresceu a perceber a identidade do clube. [A perceber] O que queremos que o clube seja. Acho que, ninguém mais do que ele, quer ganhar a todo o custo pelo seu clube, que acho que é o clube do coração. Teve, infelizmente, muito pouco tempo na sua primeira passagem na altura. Outra infeliz coincidência, porque não tive o prazer de ser treinado por ele. Eu tinha acabado de sair para a Fiorentina. José Mourinho, mais do que ninguém, sabe o que representa trabalhar no Benfica, usar a camisola do Benfica e vai querer muito ganhar pelo Benfica".

Concorda com as avaliações que Mourinho tem feito do plantel?

"Concordo com a avaliação olhando para aquilo que têm sido os últimos quatro anos, vamos focar-nos nisso. Com a rotação de treinadores e a rotação de jogadores que existiu, é difícil também, para um treinador, conseguir êxito fruto do que achamos não ter havido, que é uma estabilidade acima de tudo no plantel. O Benfica voltou a começar, na nossa opinião, esta época já meio inclinado naquilo que era, ou que se via, que foi o terminar da época passada com Bruno Lage. Na nossa opinião, pareceu-nos que foi o adiar de um problema que iria existir mais à frente e que se veio a confirmar. Entretanto existiram mais declarações de Bruno Lage, que disse que foi a primeira vez que a estrutura ouviu o treinador. E o que é certo é que Bruno Lage já não está e, pelo que sabemos, o plantel foi construído pelas indicações dele. Neste momento temos José Mourinho, um perfil diferente de treinador, com as suas ideias. Vimos há pouco Mourinho a falar individualmente de um ou outro jogador, e tudo isto gera uma instabilidade que dificulta a obtenção de títulos no final da época. José Mourinho já entrou com o comboio na viagem para aquilo que queremos que seja o título final, mas vai querer com certeza adaptar o plantel às caraterísticas dele. Neste momento, estará numa luta diária no sentido de, ele próprio, aperfeiçoar algumas caraterísticas de jogadores que não escolheu, moldando-os à forma de jogar".

Bernardo Silva não se pronuncia publicamente porque não pode, não quer, ou um pouco das duas?

"Acho que é um pouco das duas. E se calhar não quer ser envolvido na campanha".

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Record na Hora - Nuno Gomes e as razões para o silêncio de Bernardo Silva na campanha eleitoral «Não pode e não quer»

O Bernardo Silva é um jogador do presidente Noronha Lopes ou de qualquer presidente do Benfica?

"É uma boa pergunta. Só consigo respondeu pelo, espero eu, futuro presidente João Noronha Lopes. Se vencermos as eleições, iremos fazer de tudo para que o regresso do Bernardo seja uma realidade a curto prazo. O Bernardo representa aquilo que nós achamos que o Benfica tem de ser: um jogador com muito profissionalismo, compromisso e amor à camisola. E vou deixar de lado o talento que tem. Queremos estes jogadores. Talentosos, com amor à camisola e compromisso. O Bernardo representa o que queremos ver no Benfica. O Benfica que idealizamos é um Benfica que mereça o regresso deste tipo de jogadores à casa".

Noronha Lopes já disse que existe um contrato à espera de Bernardo Silva. Mas existe a convicção e a certeza de que Bernardo Silva vai assinar esse contrato para chegar na próxima temporada? Ou em janeiro vão conversar com o jogador?

"Neste momento, por lei, é impossível qualquer clube abordar o Bernardo Silva ou este assinar por outro clube. Nós nunca quisemos usar o nome do Bernardo Silva como bandeira eleitoral, como no passado se fazia. Prometer treinadores, jogadores. Inclusive eu estava lá, com Vale e Azevedo, e também associaram muito esta imagem do novo João Vale e Azevedo. As pessoas às vezes não sabem o que dizem. Conheci as duas pessoas e uma não tem nada a ver com a outra. O Bernardo Silva, o que podemos dizer mais, porque acho que está tudo dito, é que acreditamos e temos essa confiança de que é possível fazer regressar Bernardo Silva a curto prazo".

Foram ver o jogo entre Man. City e Man. United no momento em que saiu a notícia que o Bernardo iria para o Benfica se Noronha fosse presidente. E quando havia alguma indefinição relativamente ao treinador do Benfica e Ruben Amorim estava na corda bamba. Além de ver esse jogo, foram fazer o quê? Dar uma perceção? Ganhar votos?

"Fomos reunir com Pedro Ferreira, que trabalha no Nottingham, e aproveitámos para ver um dérbi de Manchester que é sempre apetecível. É público que sou amigo pessoal de Ruben Amorim e Hugo Viana. Aproveitámos esse jogo, e o facto de irmos ter com Pedro Ferreira, para conhecer pessoas do Man. City e do Man. United, para perceber a dinâmica de como aqueles dois clubes trabalham".

Não foi marketing eleitoral?

"Até posso adiantar que jantei com Hugo Viana e Ruben Amorim - só eu, mais ninguém - e Amorim estava muito triste porque perdeu".

E Amorim mostrou abertura em vir para o Benfica num qualquer dia?

"Não fui criticado, mas fui confrontado com algumas perguntas sobre o Ruben quando cheguei dessa viagem. Certezas é difícil tê-las, mas uma convicção minha foi que acho que Ruben Amorim será, um dia, treinador do Benfica. E até posso adiantar que não foi mais cedo porque, depois de algumas reuniões, partiu de Ruben Amorim não aceitar ser treinador naquelas condições. Se posso datar isso? Foi na altura do Casa Pia. Para o Benfica B, na altura. Fui eu que indiquei o nome dele. Bastou-me ver dois ou três jogos do Casa Pia para perceber que estava ali um grande treinador".

E nessa conversa, nesse jantar, houve abertura de Ruben Amorim?

"O Ruben Amorim é uma pessoa de convicções muito fortes. Infelizmente, já convivemos com ele no lado errado, quando foi campeão pelo Sporting, e percebemos todos a forma dele comunicar, trabalhar e preparar as equipas. Seja no início da sua curta carreira ao serviço do Sporting ou na parte final, todos percebemos que Ruben Amorim tem ali, não sei se é defeito ou qualidade, teimosia. E, portanto, o Ruben se calhar naquela altura estava numa situação diferente da que está hoje em dia no Man. United. Pode-lhe ter passado pela cabeça, não sei se aconteceu ou não, saltar fora de um projeto que se calhar estava difícil de conseguir levar ao seu porto. Poderá ter passado por fases em que estava mais desanimado e com ideias, se calhar, de bater com a porta e vir embora, como no outro dia pode ter acordado e pensado 'vamos à luta, vou conseguir colocar esta equipa a jogar como deve ser'".

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Record na Hora - O jantar em Manchester com Amorim (e Viana) e uma convicção de Nuno Gomes «Ruben Amorim será, um dia, treinador do Benfica»

Noronha Lopes, em setembro, confirmou que havia um contrato preparado para o Bernardo. Isso não é utilizar o Bernardo como trunfo eleitoral?

"É verdade que existiu esse apoio público [em 2020], mas as circunstâncias são diferentes. O Bernardo está a gerir a sua carreira da forma que escolheu. E escolheu estar remetido ao silêncio e não interferir nas eleições de um clube que ama, como todos nós benfiquistas amamos. É uma escolha legítima e temos de respeitar. Em relação ao contrato pronto, é também legítima essa declaração de Noronha Lopes porque corresponde à verdade. Assim que o pudermos abordar, vamos fazer todos os esforços para que o regresso do Bernardo esteja preparado".

Mas Rui Costa também pode ter um contrato preparado...

"Pode, mas ainda não ouvi nada sobre isso da outra lista. Mas como é óbvio, pode".

A vossa candidatura pode trazer mais facilmente Bernardo Silva para o Benfica? A vossa viagem a Manchester foi vista por algumas pessoas como uma espécie de 'produção de revista'. Ficou com essa sensação?

"Em relação ao Bernardo, acho que estamos a gastar muito tempo com algo que não me parece que seja muito importante para aquilo que os benfiquistas lá em casa querem ouvir. Estamos a querer expôr as nossas ideias para o futuro. A minha convicção é que o Bernardo quer acabar o contrato com o Man. City no final desta época. É a minha opinião. Quer levar até ao fim o contrato que tem em vigor. Acredito que o Man. City, fruto do rendimento do Bernardo, acredito que Guardiola irá tentar que ele possa ficar mais um ano. Mas isto, lá está, sou eu como comentador. Estamos a entrar numa área de suposições. Olhando para o contrato de Guardiola, que também tem mais um ano, acredito que possa querer convencer Bernardo Silva a ficar mais um ano".

Ainda sobre Bernardo Silva...

"Acho que não é justo falarmos tanto tempo do Bernardo quando ele não está presente e não se manifestou. Claro que teríamos todo o gosto. Tanto João Noronha Lopes como eu somos amigos do Bernardo, tal como pessoas da outra lista o são".

O que aconteceu realmente para o Nuno se ter ido embora do Benfica?

"É importante ter no Benfica pessoas atentas a novos treinadores, jogadores, e o scouting é muito importante. Vocês, antes de começarmos esta entrevista, falaram de uma possível saída - ou não - do Rui Borges do Sporting. E, se isso por acaso acontecesse, quase que aposto quem seria o substituto de Rui Borges. Mas isso seria para outro programa...".

Quer concretizar?

"Não, não quero...".

Em relação à pergunta anterior...

"Hoje em dia, as pessoas falam da boca para fora muitas vezes sem conhecimento de causa. Não é da boca para fora, mas é mais em registo de escrita. Nos Twitters desta vida, nas redes sociais, as pessoas criam narrativas. Ouvi até que algumas são pagas para isso... E há pessoas que seguem essas histórias sem conhecimento de causa, sem confirmarem se aquele título grande corresponde à verdade ou não. Eu não vou atrás do que me querem enfiar na cabeça. Se quero acreditar numa coisa, vou primeiro perceber se corresponde à verdade. Já quando saí do Benfica como jogador, e é sabido que fiquei triste por não ter acabado a carreira no Benfica, que como é óbvio era a minha intenção, na altura, após 12 anos de carreira no Benfica, foi-me comunicado que o treinador - Jorge Jesus na altura - não queria continuar com os meus serviços. Foi-me proposto nessa altura por Luís Filipe Vieira ficar a trabalhar junto dele. O próprio Jorge Jesus chamou-me várias vezes e perguntou se estava com intenções de terminar a carreira, porque revia em mim qualidades de treinador no futuro e gostava que eu ficasse a trabalhar com ele. Eu escolhi continuar a carreira. Ainda fui para o Sp. Braga e depois ainda fui ao Blackburn. Ainda no Sp. Braga, fui chamado outra vez à Seleção. E saiu para o jornal uma narrativa de que tinha metido os papéis para a reforma. E tive de levar com essa narrativa anos e anos. Havia um programa num canal de televisão com uma pessoa que confirmava a veracidade dos factos. As pessoas começaram a espalhar essa narrativa. Faz algum sentido? Eu jogar no Sp. Braga e estar a receber da reforma? A bota não bate com a perdigota. Temos de ter muita atenção ao que nos querem meter pela cabeça e temos de procurar a nossa verdade. A minha saída do Seixal, ou do Benfica, deve-se ao facto de Luís Filipe Vieira e Domingos Soares de Oliveira me quererem substituir por Pedro Mil-Homens. Ele entra, é-me comunicado que a partir dali ia ser o novo diretor do Seixal. Havia essa convicção de que eu iria aceitar regressar ao cargo de diretor de relações internacionais, cargo que desempenhei antes. Eu, como já tinha tido essa experiência, perguntei quais seriam as funções. Porque, quando as desempenhei, essas funções limitavam-se a ir uma vez por ano aos sorteios da Liga dos Campeões e passava muito tempo nos gabinetes sem nada para fazer. Inclusive, fui tirar um curso em Gestão Desportiva, uma licenciatura, achei que devia formar-me e aprender. Na minha opinião, o facto de ter sido jogador de futebol não era suficiente para o que queria alcançar no meu futuro profissional. Desde que deixei de jogar, trabalhei todos os anos. Em várias áreas do desporto. Não tenho medo de trabalhar. Estou pronto para ajudar e aceitei o convite de João Noronha Lopes, que me convenceu à primeira que era uma pessoa capaz, competente, e que tem à sua volta uma equipa de profissionais com qualidade humana e provas dadas nas mais diversas áreas. Queremos fazer melhor do que aquilo que tem sido feito".

E como está a relação com Rui Costa?

"Outra narrativa que, infelizmente, circulou nas redes sociais. A de que fui expulso do camarote presidencial por Rui Costa. Totalmente mentira, não sei com que intuito lançaram essa notícia para as redes sociais. Muita gente a ligar-me, até do Benfica, a perguntar se se tinha passado algo. Mas não se passou rigorosamente nada. Continuo a ser convidado. Não diretamente pelo Rui, mas pelo seu chefe de gabinete. Não tenho ido, porque acho de bom tom, fruto do que têm sido os últimos tempos, proteger um pouco a situação. A mim, ao Rui, até a algumas pessoas que possam estranhar".

Se perder as eleições, volta à tribuna?

"Se me convidarem, irei refletir sobre a situação. Suspendi a minha atividade como empregado da FIFA. Trabalhava até há pouco tempo e está suspensa essa atividade. Depende do resultado das eleições para definir o meu futuro".

Tem falado com Rui Costa?

"Não, não temos falado. Não gostava de explorar essa situação porque o Rui não está presente. Nunca o vou atacar. Uma coisa é o que construímos juntos enquanto colegas de equipa e amigos - até porque o considero amigo, como é óbvio -, e outra coisa é estarmos a falar de um ponto mais alto que se levanta, que é o nosso Benfica. O Benfica é de todos e é legítimo da minha parte poder acreditar que eu, juntamente com a equipa que reunimos, somos capazes de fazer melhor. Não tem nada a ver com o Rui Costa pessoa, tem a ver com relações institucionais. Já há algum tempo que não falamos. Iniciativa de quem? Não quero entrar por aí. Acho que não é de bom tom estar a falar de uma pessoa que não está presente".

Qual era a função exata do Rui Costa dentro do Benfica durante a passagem de Luís Filipe Vieira?

"Não me cabe falar das funções de outra pessoa. Primeiro, porque nunca li o descritivo de funções dessa altura. O Rui Costa foi meu diretor-desportivo. Acabou a carreira e começou a sua atividade como diretor-desportivo, na altura em que eu era capitão. Passado um ano, foi para outras funções. Lembramo-nos que o Rui acaba a carreira de jogador e começamos a época seguinte com ele a diretor-desportivo. E depois chega Jorge Jesus".

Rui Costa foi um bocadinho esquecido perante a responsabilidade que havia nas mãos de Luís Filipe Vieira e Domingos Soares de Oliveira? Ou tinha peso em decisões importantes?

"Não consigo confirmar isso. Eu nessa altura era jogador e não estava nos gabinetes da SAD. Por outro lado, quando entro no Benfica depois de ter terminado a carreira, vou para diretor das relações internacionais e o Rui, em 2014/15, já lá vão uns aninhos, creio que estaria ligado ao departamento de scouting com o José Boto. Posso estar a cometer um erro, mas acredito que possa ter sido por aí. Depois sou convidado para assumir a direção do Seixal e há uma deslocação minha, física, também para o outro lado da ponte. E perdemos ali aquilo que tinha sido um contacto mais diário. Também me vi envolvido na máquina da formação do Seixal. Comecei a estudar. Entrava no Seixal às 8h30, saía às 18h ou 19h a correr para a universidade".

Em relação à arbitragem do V. Guimarães-Benfica e aos lances de Sudakov e Blanco...

"Comparando os dois casos, o facto da perna estar mais levantada no lance do jogador do V. Guimarães leva-nos a não ter dúvidas sobre o cartão vermelho. A minha dúvida é no lance do Sudakov. Ele parece não ter maldade de fazer aquilo que acabou por fazer. É essa a minha dúvida. O problema é que num dia um lance assim é julgado de uma forma, noutro dia de outra. Convém que haja maior transparência e clarividência naquilo que são as decisões para que nós, em casa, nos possamos entender no sentido de: se um dia é vermelho, no outro é vermelho também".

Percebe as palavras de João Noronha Lopes?

"Acredito que se esteja a querer lutar contra isto. Sou da opinião  que os áudios do VAR deveriam estar acessíveis mais cedo, se calhar semanalmente. Vou até mais longe. Os próprios relatórios dos observadores dos árbitros deveriam ser públicos e, quem está em casa, deveria ter acesso à forma como os árbitros são avaliados. [Perceber] Qual é o critério em relação a um árbitro cometer um erro gravíssimo e qual o castigo a aplicar nesse caso. Muitas vezes, quem está de fora não entende. Como é óbvio, ninguém acredita que os árbitros errem de propósito, mas muitas vezes vemos árbitros a errar e, no fim-de-semana seguinte, voltam a apitar. Os jogadores, quando falham golos, os treinadores colocam-nos no banco de suplentes, os guarda-redes quando são mal batidos sofrem as consequências, e acho que deve haver maior transparência na análise aos árbitros. Sabemos que se os óculos são de cor verde, vemos de uma forma, se são vermelhos, de outra, de azul... Consoante a nossa cor clubística, conseguimos analisar o lance de uma forma ou outra".

Mas nos seus tempos, se sofresse um pisão daqueles, iria pedir para que Sudakov fosse expulso?

"Iria, e entenderia se Sudakov fosse expulso. Foi negligente. Acho que quer chegar à bola, mas acaba por pisar o adversário. E hoje em dia, perante as leis, acredito que possa ter ficado o cartão vermelho por mostrar. Sendo que, na minha opinião, comparando um lance e outro, dou mais rapidamente o vermelho ao jogador do V. Guimarães por ter a perna mais levantada do que ao Sudakov".

O Benfica tem elevado muito o tom da crítica no que à arbitragem diz respeito. A candidatura de Noronha Lopes, vencendo esta 2.ª volta, vai manter esta crítica ativa e constante?

"Vai defender acima de tudo os interesses do Benfica nos momentos certos e sempre que as pessoas da candidatura e da direção achem que é necessário. Podem estar descansados, vamos lutar pelos interesses do Benfica acima de tudo".

E a publicação de Noronha Lopes, a referir que 'na dúvida, favorece-se o Sporting', é também campanha eleitoral? Atacar os rivais pode dar votos?

"Acho que não é muito por aí. Pode ser vista assim, já que a atual direção não comunica... Nesse capítulo, os últimos quatro anos em relação à atual direção deixam um pouco a desejar. No que à comunicação diz respeito".

Acha que é por aí que o Benfica não tem vencido tanto nos últimos quatro anos?

"Umas vezes tem, outras não. Mas se o Benfica for forte, com um plantel construído a médio-longo prazo, se não vender à primeira oportunidade... [Por outro lado] Se não conseguir reter o talento mais tempo, se não apostar mais no Seixal, vai estar mais perto de não conseguir o êxito. Queremos que o Seixal volte a ser o coração do clube. Acho que já o foi no passado. Achamos que é possível ter uma aposta mais forte e mais real nos jogadores do Seixal".

Sobre João Neves...

"Acho que era possível segurá-lo mais uma época, nem que fosse num esquema parecido ao que o Sporting fez com o Geovany Quenda... No limite, se não queremos vender um jogador, exigimos que seja paga a cláusula".

Cardozo e Miccoli apoiam Noronha Lopes. Luís Filipe Vieira sugeriu que a candidatura de Noronha Lopes tinha pago a Cardozo. Já relativamente a Miccoli, Diamantino Miranda disse que este passou "mais tempo preso do que a jogar". Quer comentar?

"Tenho muito respeito ao Diamantino e não vou sequer fazer comentários a essa afirmação. As ações ficam com quem as pratica. Miccoli foi jogador do Benfica e acho que os benfiquistas se lembram perfeitamente de quem foi e das alegrias que proporcionou. Esteve presente também no que acho que foi uma boa campanha na Liga dos Campeões com Ronald Koeman, onde eliminámos o Liverpool com um golo dele. A maior parte dos benfiquistas lembram-se. Não vou comentar essas afirmações, que considero deselegantes, de alguém que já foi jogador de futebol, sobre outro alguém que também o foi. Considero só deselegantes. Em relação a Cardozo, era o que nos faltava... Isso foi uma sugestão que ficou mal a Luís Filipe Vieira. Permita-me tratá-lo assim diretamente. Com certeza que estará arrependido de ter dito isso. Se fosse hoje, não voltaria a repetir isso. Foi no calor do período eleitoral".

Mas há algum cargo para Óscar Cardozo?

"É uma boa pergunta, ninguém tentou perceber se isso seria possível no futuro. Mas contamos com ele para o futuro, para poder pertencer aos nossos quadros. A seu tempo será comunicado".

Rui Costa disse que não sabia o que fazia um vice-presidente para o futebol e, depois, disse que Nuno Gomes nunca tinha desempenhado esse cargo. Consegue perceber essa desconfiança?

"Consigo. E infelizmente, essa narrativa foi comentada por uma pessoa. Não vou mencionar nomes porque nem merecem esse respeito. E depois, numa entrevista a João Noronha Lopes, fizeram o mesmo comentário depreciativo em relação à minha pessoa, a dizer que não teria competência para ocupar um cargo pensado por mim e Noronha Lopes. Não sei o que responder. Sei as funções que vou desempenhar, sei que o próprio Rui também já as fez. E é isso que vou ser. Não tenho qualquer tipo de problemas em que me acusem de ser inexperiente. Preparei-me, trabalhei em várias áreas do futebol, e acho que muitas das pessoas que falaram da boca para fora não fizeram o trabalho de casa como deve de ser. E peço desculpa ao Pedro Mil-Homens por usar o nome dele, mas deveriam ter falado com ele, para perceber se ele encontrou o Seixal abandonado, sem um plano traçado. O Seixal é uma máquina de jogadores e de profissionais. Não é um diretor que tem de chamar a si os louros de quando um jogador entra em campo no Estádio da Luz e se estreia na equipa principal. Há uma série de pessoas anónimas que trabalham diariamente e que muitas vezes fazem sacrifícios pessoais dentro do Benfica Campus e merecem ser reconhecidas. Se calhar deviam ter perguntado a Pedro Mil-Homens quais seriam as minhas competências. Ele infelizmente já saiu e foi uma grande perda. Outra foi Rodrigo Magalhães, diretor-técnico da formação. Podiam ter-lhe perguntado quem aconselhou à atual direção para substituir Pedro Mil-Homens. Falam da boca para fora".

Está a dizer que Rui Costa não fez o trabalho de casa?

"Isso são palavras suas. Eu preparei-me. Foi-me proposto receber o mesmo salário de quando era diretor do Seixal, ter as mesmas regalias, continuar a usufruir de uma viatura. E eu decidi ir à minha vida porque achava que não queria estar sem fazer nada no clube. Achava que tinha qualidade e competência para poder servir o clube de outras formas. As pessoas não acharam e eu senti-me no direito de querer sair, fui à minha vida trabalhar noutro sítio".

Humberto Coelho assumiu, ante-ontem, que seria injusto dizer que o Benfica não ganhou nos últimos quatro anos. Custou-lhe ouvir isso da boca de uma pessoa que ganhou oito campeonatos e seis Taças de Portugal?

"Não quero ser deselegante com o mister Humberto Coelho, mas como é óbvio temos ideias diferentes do que queremos para o futuro do Benfica. Na nossa estrutura e lista, acreditamos - e foi por isso que decidimos avançar para eleições - ser possível fazer melhor. E, para nós, o fazer melhor é um Benfica mais forte, um Benfica mais vencedor, em que nas contas finais o Benfica possa ganhar mais do que os dois adversários juntos. Acho que respondo à sua pergunta. Mas vou ter de ser sincero, não posso ir contra as minhas convicções. Não pode ser isso aquilo que se espera de um Benfica ganhador. Em quatro anos, ganhar um campeonato na nossa opinião é curto. E o facto de termos de ludibriar, compor o ramalhete e ir buscar a participação no Mundial de Clubes como se tivesse sido um grande feito, não me parece que seja justo também para os próprios benfiquistas. Porque sabemos o que querem e o que importa é ganharem o máximo de títulos possíveis".

O que está a achar deste Benfica de José Mourinho?

"Acho que neste momento o mister José Mourinho está a querer colocar um cunho pessoal na equipa. Mais uma vez, a equipa foi preparada com outro treinador, à semelhança do que têm sido os últimos anos. Um treinador que prepara a época e ao fim de algumas jornadas é despedido. A chegada de José Mourinho acontece mais uma vez nesse contexto. O que achamos é que, mesmo começando tarde aquilo que é o ataque ao título com as suas ideias, acreditamos que tem uma enorme capacidade de poder devolver já este ano o Benfica aos títulos nacionais. Ainda vai a tempo de lutar pelo título e ele e o presidente já admitiram que será preciso fazer retoques na equipa. Foram gastos 130 milhões há bem pouco tempo e queremos, no futuro, que haja um maior rigor no mercado de transferências".

Miccoli também poderá ter um papel na estrutura do Benfica?

"Com o Miccoli, resume-se a um apoio naquilo que ele acredita ser o melhor para o clube".

Tem-se falado sobre o facto da estrutura ser demasiado larga. Faz sentido?

"Não, não faz sentido [essa crítica]. Vamos trabalhar em equipa nessa estrutura. Eu, Pedro Ferreira e Tomás Amaral já trabalhámos juntos. Tomás Amaral já reportou no passado a Pedro Ferreira, Pedro Ferreira já reportou a mim no passado também. Passámos pela formação, eles já estiveram no futebol profissional do Benfica e conhecemos os cantos à casa, o que achamos que trabalhar em conjunto vai trazer ao clube. O Vítor Paneira, escusado será dizer, é uma pessoa que nos vai trazer uma cultura de exigência de vitórias e a mística que personifica o que foi como jogador. Não sou de comparar. Escolhemos funcionar assim. Não consigo responder o porquê das pessoas acharem que a nossa estrutura é grande. Comparando, parece que estamos quase ela por ela. Até acho indelicado estar a chamar à equação a atual estrutura, mas basta contar as pessoas, o que queremos e é ela por ela".

Vítor Paneira vai ter funções que hoje vemos em Simão Sabrosa?

"Certo. É o diretor-técnico e vai ter funções mais alargadas, o que achamos que deve ser feito, um acompanhamento aos jogadores emprestados. Achamos que os empréstimos do Benfica não têm sido bem estruturados e pensados. E ele vai ter um papel na relação com os clubes".

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