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A conquista da 5.ª Taça da Liga por parte do Benfica era, à partida para o jogo de ontem, uma questão de 90 minutos. Mesmo um Rio Ave de excelência só podia “enganar” o campeão nacional se Jesus permitisse que os seus jogadores deixassem o desafio resvalar para caminhos demasiado perigosos, como sucedeu frente ao Vitória de Guimarães, no Estádio Nacional, há um ano (Taça de Portugal). Como bem sabemos, à primeira todos caem, mas à segunda só cai quem quer. E, de facto, o Benfica não quis cair. E aí começaram os problemas do Rio Ave.
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O Benfica está a percorrer uma estrada que conduz à entrada direta para a história: pode transformar-se na primeira equipa a conquistar Liga, Taça de Portugal e Taça da Liga no mesmo ano. Ter chegado a três finais (ainda há a da Liga Europa) e ser campeão já é algo de inédito. Mas existe ainda uma cereja para colocar em cima do bolo. Para já, depois de angariar mais um troféu para o Museu Cosme Damião, “basta” voltar a bater o Rio Ave no Jamor para garantir o tal feito histórico. Vencer, em Turim, a final da Liga Europa é o “plus” de uma época que, então, será de sonho.
Como se percebe, as condições que lançavam esta final da Taça da Liga apontavam todas no sentido de Lisboa, não de Vila do Conde. Por muito que os nortenhos apostassem forte, a verdade é que entravam em Leiria como “a equipa convidada” para a festa encarnada.
Jogo falado
No discurso pré-jogo os vila-condenses estiveram bem. Ukra garantiu que ele e os colegas iam jogar olhos nos olhos com o Benfica. Mas, em rigor, os do Norte só olharam o adversário nos olhos naquele momento que precede o início da partida, quando os jogadores se cumprimentam um a um. Depois do apito inicial olharam apenas para as camisolas vermelhas, tentando perceber a tempo de onde elas vinham, para onde elas iam.
Também o treinador Nuno Espírito Santo tentou colocar o Benfica “em sentido”, garantindo que sabia “onde, como e quando” podia magoar o opositor. Quando referiu o “onde” podia estar a pensar no Jamor; o “como” devia prender-se com o possível cansaço que a equipa de Jesus trará de Turim; o “quando” remete para um possível prolongamento do jogo do dia 18 de maio. Enfim, esta é uma leitura possível, dado que ontem o Rio Ave não esteve sequer perto de beliscar, quando mais magoar o Benfica. A não ser que Nuno Espírito Santo considere como suficientes, para fazer mossa, dez minutos bem jogados. Ora, dez minutos contra uma equipa tão experiente equivale a atingir um elefante com uma pistola de pressão de ar. Nem arranha.
Jogo jogado
O Rio Ave entrou forte, com vontade, com intensidade. Mostrou que trabalhara bem uma situação ofensiva (Ukra a puxar a defesa contrária para um flanco, por forma a abrir no lado oposto em Pedro Santos), mas esse efeito-surpresa rendeu apenas duas ações em dez minutos. Obrigou Oblak a uma boa defesa e instantes depois teria uma sequência de quatro pontapés de canto. Nada mais. De seguida a bola passou para o Benfica. E começou o período de domínio que iria estender-se, sem interrupções, até ao apito final.
Ao contrário do habitual, o Benfica começou contemplativo. Com algum receio em meter o pé nos lances divididos, talvez a pensar (demasiado cedo) na final de Turim. A pressão do Rio Ave, muito forte e subida na zona central, adiava a “entrada em campo” de Ruben Amorim e Enzo Pérez. Assim, o campeão nacional só acordou quando percebeu que não levava a Taça para casa só pelo facto de se ter deslocado a Leiria. Foram os quatro pontapés de canto que fizeram soar a campainha.
A partir dos 20 minutos já o Benfica tinha o ritmo de jogo um pouco mais elevado. Empurrava o adversário para o seu meio-campo e colocava os dois homens do eixo a mandar nas operações. Faltava intensidade (que só existiu num curto período da segunda parte), mas pelo menos a dinâmica começava a funcionar. Mais por Rodrigo do que por Lima; mais visível nas diagonais de Gaitán do que nos números de circo de Markovic. Nada era feito a um nível muito alto, mas suficiente, ainda assim, para deixar os nortenhos com atenções redobradas e necessidade de correr mais para tapar espaços. Esse desgaste faria a diferença nos últimos 20 minutos, momento em que a fatura foi apresentada.
Antes do golo de Rodrigo (boa ação de Ruben Amorim a ganhar de cabeça após um pontapé de canto) já Ventura conseguira a defesa da noite, ao desviar pela linha de fundo uma bola rematada pelo mesmo internacional sub-21 espanhol. Na sequência desse pontapé de canto chegou o golo. O momento que o Rio Ave esperava já não ver no primeiro tempo.
Sem forças
A segunda parte foi toda jogada nas condições que o Benfica ditou. Muita posse de bola, boa circulação e ataques cirúrgicos, muitas vezes pelo centro, dado que Ruben Amorim e Enzo Pérez conseguiam agora espaços generosos para entrar com a bola controlada. Por isso, pouco depois da hora de jogo já o Benfica podia ter fechado as contas da Taça da Liga. Ventura foi o homem que melhor travou os encarnados, com defesas muito boas a remates de Lima e Gaitán.
Com a equipa demasiado recuada e sem capacidade de pressão, Nuno Espírito Santo tentou dar um safanão com a dupla substituição operada antes do minuto 70. Era a cartada final. Não resultou. As entradas de Braga e Sandro Lima nada acrescentaram. Principalmente porque naquele momento o Benfica estava confortável na forma como geria bola e tempo. Era mais fácil adivinhar o 0-2 que o 1-1. O desgaste a que o Benfica submetera os jogadores do Rio Ave durante os 20 minutos de abertura da segunda parte teve a força de um golpe fatal. Havia vontade, mas faltava força nas pernas.
Podia esperar-se um último assalto, mas Ventura, o homem que até então mantivera a equipa na discussão do resultado, cometeu um erro enorme (78’), ao sair mal da baliza para tentar anular um livre de Enzo Pérez. Luisão fez o segundo golo do Benfica e não houve mais jogo. Apenas o preparar da festa.
Partir daquilo que aconteceu em Leiria para tentar antever a final da Taça de Portugal é errado. Desde logo porque as condições do Benfica serão bem diferentes. Apesar disso, se o Rio Ave quiser ter uma palavra a dizer no Jamor terá de encontrar forma de estender os bons 10 minutos de ontem por um período bem mais alargado. Caso contrário voltará a perceber como as individualidades fazem toda a diferença nos momentos cruciais.
ÁRBITRO: Hugo Miguel
Apesar do imenso nervosismo demonstrado por Tarantini, capitão do Rio Ave (que de resto iria ver um cartão amarelo depois de tantos protestos), o jogo não apresentou ao árbitro situações difíceis de resolver. Os erros maiores surgiram, isso sim, porque Hugo Miguel entendeu que devia fazer a gestão da amostragem do cartão amarelo. Ora, o cartão amarelo não é para gerir, mas sim para mostrar quando tal se torna exigível. E foi-o para Ruben Amorim em duas ocasiões. Aos 27 minutos (falta sobre Ukra) e aos 63 (falta sobre Hassan). Como Amorim viu o amarelo entre os dois lances, a verdade é que devia ter sido expulso por acumulação de amarelos. Também o lateral Lionn foi poupado ao cartão, após falta sobre Rodrigo, perto do intervalo.
NOTA TÉCNICA
N. Espírito Santo (nota 3)
Trabalhou um plano de jogo durante quase três semanas. Não deu para ganhar, até porque para chegar a esse resultado precisava de um adversário desconcentrado. Mas deu para fazer uma entrada forte, causando alguns calafrios ao Benfica nos primeiros dez minutos. Se a equipa conseguisse ser intensa durante toda a primeira parte talvez o plano resultasse.
Jorge Jesus (nota 3)
O Benfica entra em campo e todos sabem o que fazer. Não foi preciso, por isso, traçar qualquer estratégia diferente. Mesmo com algumas unidades a render abaixo do normal, a equipa acabou por entrar no registo habitual à medida que o tempo passava e o adversário se desgastava. Tanta confiança nesse desfecho advém do trabalho que foi feito ao longo de toda a temporada.
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