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06 abril

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Sheu garante só ter visto um cartão amarelo em 17 épocas no Benfica e recordou o momento

"Os jogadores é que jogam e que resolvem e muitas vezes é preciso que se fale mas, por vezes, ninguém se lembra de falar. "

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• Foto: David Martins

Shéu Han desembarcou a 7 de julho de 1970 em Lisboa após uma conversa "muito formal com o pai" que lhe permitiu deixar Moçambique para ingressar no Benfica com a promessa de continuar os estudos. "Era muito duro já jogar nos juniores do Benfica, era quase ser profissional", recordou, lamentando não ter conseguido cumprir a promessa, em declarações ao programa de Youtube 'Benfica Independente'.

Depois disso, seguiram-se 17 épocas como sénior, após a estreia em 1972/73. Ao cabo de 489 jogos pelas águias, o antigo médio diz só ter visto um cartão amarelo na carreira. "Penso que só levei um amarelo. Foi em Guimarães a contar os passos da barreira. Eu disse ao árbitro que era 11 passos e ele contou 12", referiu, com boa disposição à mistura, não esquecendo o "sentimento de dever cumprido" a 21 de maio de 1989. "Foi um dia fantástico. O jogo foi contra o Boavista, foi a minha despedida. Previmos a despedida como eu de facto queria. O discurso do senhor Carlos Pinhão foi irresistível. Foi buscar lá ao fundo as nossas âncoras e elas também se soltou. Sintetizou aquilo que eu sentia. Houve uma explosão", recordou.

Cessou funções em 2018, na condição de coordenador-técnico depois de 48 anos consecutivos ligados ao Benfica. Shéu frisou a importância de passar o legado aos atuais jogadores e a mensagem de competitividade e mística.

"Lembro-me de falar às vezes com o Luisão, com o Jardel, com o Jonas... E eles diziam: 'Estamos aqui empolgados para ganhar um campeonato e o senhor ganhou nove'. Onde é que quero chegar com isto? Pelo facto de eles olharem para uma pessoa que está viva que alcançou isto. Portanto não é algo impossível. É esta abordagem e este ambiente que se cria com a possibilidade de lá chegar, faz um pouco parte da aprendizagem. Os jogadores é que jogam e que resolvem e muitas vezes é preciso que se fale mas, por vezes, ninguém se lembra de falar. Falo dos jogadores de falarem entre si, sem a presença de um diretor. Pensar o que falta e chegar à conclusão que se calhar falta algo entre eles, fazendo uma introspeção. Por vezes tem de ser induzido. Isto tem a ver com a construção da mística e passagem de testemunho entre jogadores", explicou o antigo jogador, treinador e dirigente.

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