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06 abril

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Um mero ato de gestão

Leia a crónica do Benfica-Gil Vicente (5-0)...

Um mero ato de gestão
Um mero ato de gestão • Foto: PAULO CALADO

Tudo simples, resolvido cedo, sem sobressaltos e com uma limpeza não muito vulgar a este nível de exigência. À meia hora, para ser mais preciso aos 33 minutos, o Benfica fez o 3-0, consolidando a ideia de que tinha o jogo ganho.

Consulte o direto do jogo

A equipa não deslumbrou, não foi entusiasmante no sentido de atacar com a totalidade das armas disponíveis, mas foi muito segura na circulação da bola; acertada no jogo posicional; tranquila perante as ameaças do adversário, embora, mesmo sem carregar no acelerador, nunca tenha perdido de vista a hipótese de aumentar a vantagem.

Beneficiaram os encarnados de muitas facilidades individuais concedidas pelo adversário, que explicaram em grande parte os três golos marcados na primeira parte, lances para os quais a equipa de Jorge Jesus nem precisou de recorrer à artilharia pesada – dois vieram de trás (Maxi Pereira, com a ajuda de Luís Martins, ou vice-versa, e Melgarejo), mais outro de Salvio. Com Lima e Cardozo em branco e, em boa verdade, sem qualquer oportunidade para acionar o marcador, o Benfica tirou partido da atitude positiva do Gil Vicente.

A equipa de Paulo Alves não trouxe autocarro para a Luz, preferiu olhar o antagonista nos olhos, não se encolher em excesso e fazer tudo quanto podia para levar a bola até ao outro lado do palco. Quando se toma opção tão ousada, a margem de erro torna-se mínima. E os gilistas, que estavam obrigados a aproximar-se da perfeição pela coragem revelada, cometeram erros graves em excesso.

Fácil

Se, para o Benfica, o jogo constituiu um mero ato de gestão, muito contribuiu a boa entrada que, conjugada com a leveza de alguns passos dados pelos minhotos, resultou num encontro marcado pelas facilidades. À medida que o jogo decorria e o Benfica aumentava a vantagem, mais o Gil Vicente procurava sair de trás com intenção ofensiva. O mesmo é dizer que o perigo estava ao virar da esquina: em vez de reentrar no jogo, o conjunto de Barcelos esteve muito próximo de afundar-se mais cedo.

O Benfica nunca tomou uma opção definitiva perante os acontecimentos. Nunca jogou com a única intenção de se resguardar física e emocionalmente tendo em conta o confronto de Bordéus, mas também teve a lucidez de não se entusiasmar com o avolumar do marcador, combatendo a ideia de que podia construir um resultado histórico. Com o tempo, de resto, aproximou-se mais da primeira hipótese.

Transições

Na segunda metade, o Gil Vicente foi mais claro na intenção de fazer o jogo pelo jogo, de lutar pela bola em todo o campo, de procurar aproximar-se sempre mais da grande área adversária. Logo aos 48 minutos Luís Martins atirou a bola à barra, num belo gesto que merecia melhor sorte.

A partir de determinada altura, os líderes da Liga resolveram de uma vez por todas entrar em gestão. Gestão da bola, do resultado, do esforço, das emoções. Foi então mais claro que o Benfica se tornou mais perigoso em transições ofensivas do que propriamente em lances de ataque continuado que, de resto, nunca saíram articulados e perigosos.

Feitas as contas, os dois golos apontados no segundo período, os de Lima e Gaitán, foram obtidos quando a defesa gilista estava desguarnecida por perdas de bola em zonas mais adiantadas. Foram resultado de explosões pelas faixas laterais (Ola John no golo de Lima, Salvio no de Gaitán) em momentos de desorganização defensiva dos minhotos que, por tudo o que fica escrito, não mereciam castigo tão pesado.

ÁRBITRO (nota 3)

Bom trabalho de Duarte Gomes, num jogo fácil em que teve a arte e o engenho para não complicar. Tal consideração, justificada pelo modo sereno e acertado como dirigiu o encontro, não significa a inexistência de lances mal ajuizados. Aos 21 minutos Hugo Vieira não estava em fora-de-jogo (erro do seu assistente) e aos 74 minutos Cláudio cometeu falta para penálti sobre Lima que o juiz deixou passar em claro.

NOTA TÉCNICA

Jorge Jesus. Se era um jogo de transição, a verdade é que apresentou a equipa base da época (faltou Luisão). O resultado fala pelo acerto das decisões. (4)

Paulo Alves. Diz-se que o treinador não é ator das suas ideias. Na Luz, o Gil Vicente apresentou uma ideia construtiva que não resistiu a meia dúzia de erros individuais. (3)

(clique na imagem para aumentar)

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