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Vale e Azevedo aprendeu muito em três anos à frente do Benfica. E está diferente. Não está apenas mais gordo, devido a um vício confesso - os chocolates. Está mais confiante. Acha que já passou a fase mais complicada, que lançou as bases necessárias para os próximos três anos, onde diz que provará que o seu modelo de SAD é não só o melhor como o único legitimado pelos sócios do Benfica. Por isso, para que o Benfica não “necessite de começar do zero”, defende que a eleição de Vilarinho seria um “desastre”
DUAS horas de conversa ao início da tarde de quinta-feira, na que foi a primeira entrevista de João Vale e Azevedo neste período eleitoral do Benfica, mostraram um presidente confiante na reeleição. Não citou uma única vez as sondagens mais recentes, que lhe dão uma vantagem clara em relação ao candidato da oposição, mas acabou por fazer-lhe várias críticas: que só está na corrida para o contrariar e que não tem coragem de o enfrentar. Mais: Vale e Azevedo até não põe em causa as boas intenções de Vilarinho, mas diz com as letras todas que não crê nos milhões que apregoa. Por isso e porque entende que o Benfica “não pode viver do passado” ou mudar de rumo após tanto trabalho, acaba com uma tirada a lembrar Cavaco Silva: “Se eu saísse agora do Benfica seria o caos”.
- Esta é a sua terceira campanha eleitoral e vejo-o mais tranquilo, sem fazer promessas. Porque mudou de estilo: estava errado ou tem tamanha confiança na vitória que nem se empenha?
- Há três anos, não havia um presidente cessante a candidatar-se. Esta candidatura de um presidente cessante é diferente da de um candidato que não pode apresentar um trabalho feito. Eu não mudei, as situações é que são diferentes.
- Mas nem se lhe nota muita predisposição para aparecer a louvar o trabalho feito.
- Quero demonstrar que, caso os benfiquistas optem por votar na minha candidatura, estão a tomar uma opção reflectida, tomada de consciência e de livre vontade democrática. Muita gente me ia dizendo que tinha de aparecer e até me falavam quase num plano de inaugurações à maneira do que se faz na política. Mas isso não faz sentido. O Benfica melhorou imenso. Esta campanha não foi de caça ao voto porque não é isso que está em causa. O que está em causa é ou o regresso do clube a um passado que foi triste e cinzento, ou a cavalgada de mudança que iniciou em 1997 rumo à modernidade.
- Vê-se quase como um Presidente da República que tem o segundo mandato garantido...
- Não. No Benfica essa situação nem é uma tradição. Aliás, nem é tradição do clube as Direcções aguentarem-se. A minha foi das poucas que fez um mandato completo nos últimos anos. E esse é outro aspecto que esquecem: é a estabilidade que a Direcção deu ao clube.
- Fala-me em estabilidade, mas metade da equipa que ficou a seu lado até final do mandato não será reconduzida. Porquê?
- Porque tem de haver renovação.
- António Sala saiu porque o enfrentou?
- Não. Ele próprio já desmentiu isso. Caso sejamos eleitos, Sala vai continuar ligado à área da cultura e animação, como presidente de uma comissão. Ficará ligado a esta Direcção mas não no dia-a-dia, por razões que são profissionais e de saúde.
- E Pedro Mendes Pinto?
- Também tem a ver com razões profissionais. Ele autonomizou-se e abriu um escritório de advogados, pelo que não pode ficar como dirigente não remunerado. Está na fase inicial da carreira, precisa de remuneração própria...
- E vai tê-la no Benfica?
- Vai continuar ligado à SAD, como profissional.
- A sua Direcção é pouco especializada em áreas como a jurídica ou a financeira.
- Sim, mas essas são para a SAD. As actividades profissionais são entregues a profissionais. A Direcção é estratégica, não executiva. Nunca o clube teve uma Direcção que pensasse o futuro, que fizesse a ligação com os sócios para depois dar aos profissionais uma linha estratégica.
MODELO DA SAD
- Estas eleições podem decidir o modelo de SAD?
- Não. Há uma tentativa antidemocrática de voltar a agendar a discussão da SAD quando ela já foi discutida. Quem fala disso ignora as assembleias gerais, uma delas a mais concorrida da história do clube, onde foi aprovado este modelo de SAD. Isto passou-se em Março, repito, na maior AG da história do clube, com uma votação esmagadora. E não faz sentido que, depois de aprovar este modelo, depois de a SAD ser posta em prática, se altere o modelo. Nesse caso, o Benfica estaria a recuar, a atrasar-se imenso. Isso seria gravíssimo e antidemocrático. Aquilo que admito discutir são as parcerias para a SAD. Ou os gestores para a SAD. Mas o modelo é irreversível.
- Imaginemos que perde as eleições e Vilarinho muda o modelo de SAD...
- Ele diz que vai mudar tudo. Voltaríamos à estaca zero. O Benfica ficaria mais uns anos parado, a marcar passo, para depois tentar apanhar o comboio. Era a destruição do Benfica. Neste momento, temos de ter os olhos no futuro. O passado é glorioso, importante, fundamental, mas não se vive do passado. Temos de remodelar, de ter novas ideias, de avançar com projectos. E é isso que não vejo do outro lado. A outra lista só quer é destruir. A única ideia que existe é: há que destruir o Vale e Azevedo, há que pôr o Vale e Azevedo fora do Benfica.
- Está a fugir da questão...
- ... Não estou, porque tem ligação. Se eu achasse que o modelo correcto é o do Sporting e do FC Porto, eles iam dizer que o certo é o que eu estou a fazer agora. Mas o modelo de SAD do Benfica é o melhor, o Sporting e o FC Porto vão copiá-lo. Os grandes da Europa, sem excepção, têm este modelo de SAD. São estúpidos? E o modelo do Sporting e do FC Porto, que melhorias trouxe? O Sporting e o FC Porto estão iguais, se não piores, ao que estavam antes das SAD.
- A diferença limita-se aos 31% de capital a mais nas mãos do clube ou é uma questão de conceito?
- É toda a filosofia.
- Era mais difícil arranjar parceiros se o clube controlasse 51% do capital?
- Também. Um investidor está naturalmente mais confortável se souber que a maioria do capital está entregue a profissionais, a pessoas preocupadas em fazer um projecto ir para a frente de forma rentável. Quando me dizem: o Benfica vai acabar. Mas qual quê? Vai é melhorar. O Manchester United acabou? O Bayern Munique acabou? Muitos dirigentes justificam-se dizendo que não têm condições, que foi o antecessor, que as coisas não correram bem. Há sempre fugas, saídas. Com os investidores não. Isto é que é uma SAD com bom senso. Tudo o resto é manter o clube e dar-lhe o nome de SAD. Se a administração erra, o investidor pede responsabilidades. Por isso, quem não tem coragem prefere o modelo antigo, onde lava as mãos.
- É isso que vê em Vilarinho? Falta de coragem?
- Não tenha dúvida. Então uma lista em que o líder nem é capaz de estar olhos nos olhos com o outro candidato, que outra expressão se pode dar a isso?
- Depois das providências cautelares, admitiu que o aumento de capital avançaria antes das eleições. Não avançou. O que é que falhou?
- O aumento de capital nada tem a ver com as eleições. O que se pretendeu foi politizar o aumento de capital. Eu, como presidente da SAD, accionista instrumental e sócio do clube, renunciei a essas qualidades todas no aumento de capital. Apesar de querer investir. Esta renúncia, minha e de José Capristano, é para dizer às pessoas que têm milhões, que na garganta é tudo fácil, mas na realidade é mais difícil.
- Isso revela uma faceta de jogador que não lhe conhecia. Imagine que ganha as eleições e que as pessoas ligadas a Vilarinho dominam o aumento de capital. A SAD não fica ingovernável?
- Não. É defensável haver sintonia entre a SAD e o clube. Mas se for essa a decisão dos benfiquistas, se eles querem um grupo diferente a liderar a SAD...
- Não lhe custaria?
- Custar-me-ia, por uma razão muito simples: eu quero investir na SAD do Benfica. E tenho pena se tiver de vender as minhas acções, se não tiver direito a ficar com uma única. Mas foi uma decisão que tomei para salvaguarda dos interesses do clube, da transparência, do rigor, da ética.
- Atrás dessa decisão está a convicção de que as pessoas ligadas à oposição não avançam no aumento de capital?
- Naturalmente que tenho as minhas informações, que sei que as pessoas às vezes dizem coisas que não são realidade. São mais aquilo que gostariam que acontecesse. Já estou há três anos no Benfica. Vi e ouvi muito, já me prometeram muita coisa, já vou conhecendo o mercado e as pessoas do futebol. Sei que não é fácil encontrar milhões para o Benfica. Falo com à-vontade porque sei que os milhões se calhar são só tostões. Se calhar as pessoas julgam que têm milhões mas não têm nada. Não estou a dizer que eles estejam a mentir. Há é promessas que vêm dos “Amigos de Peniche”. E falam do grupo Media Capital, que levou 141 dias para pagar cerca de 20 mil contos ao Benfica. Terá este grupo a capacidade para apoiar o Benfica? Não sei. Sei é que uma factura de pronto pagamento demorou 141 dias a ser liquidada. Por isso, vejo candidatos a puxar de milhões como se puxa de tostões e assusto-me...
- ... E não acredita?
- Obviamente que não acredito.
- Deixe-me colocar a questão ao contrário: se perder as eleições, vai a jogo para a SAD?
- Nesse caso ponho tudo nas mãos dos benfiquistas. Já disse que entrego as minhas acções, desde que mas paguem. Mas se eles quiserem que eu continue com as acções, também continuo. Se quiserem que eu invista, também estou disponível. Ganhe ou perca, estou disponível para ajudar o clube e a Direcção eleita. Isto é que é ser benfiquista. Não tenho nenhum projecto pessoal, tenho é um projecto para o Benfica.
DE HEYNCKES A MOURINHO
- Essa faceta de jogador que mostra veio à tona na contratação de José Mourinho...
- Tenho a fama contrária: a de ser uma pessoa ponderada, que só arrisca depois de pesar os prós e os contras...
- ... Tem a noção que a contratação de Toni ganharia as eleições?
- Claro. Mas não vou pelo caminho mais fácil, vou pelo caminho que considero melhor para o clube.
- Porque rescindiu com Heynckes. Estava convencido de que era a melhor solução ou teve a ver com a contestação popular?
- A saída de Heynckes deveu-se a razões pessoais...
- ... Essas razões pessoais já eram antigas.
- Sim, mas uma coisa é uma pessoa ter problemas de saúde de um familiar e ser aplaudido e reconhecido pelo seu trabalho; outra é ter esses problemas graves e ser contestado. Aí, aguenta menos, fica mais sensível.
- Então não foram os problemas pessoais mas sim a contestação?
- Face aos problemas pessoais, Heynckes deixou de ter a estrutura emocional que é necessária no Benfica. Mesmo que as pessoas estejam muito bem intencionadas e sejam muito competentes, as coisas não lhe correm tão bem.
- Porque escolheu três treinadores de perfil tão diferente como são Souness, Heynckes e Mourinho?
- Aprendi bastante nestes três anos, e isso é muito importante para o Benfica. A evolução tem vindo a dar-se com naturalidade. E é apenas uma questão de tempo até termos um Benfica campeão.
- Mas acha que a equipa é hoje mais forte que há três anos?
- Está mais consistente.
- Não está descapitalizada?
- Não. Investimos como nunca em Portugal. Temos jogadores de muita qualidade que não viriam em condições normais. Só num projecto como o do Benfica, num projecto com futuro.
- Não houve negligência quando se deixou chegar tão perto do fim os contratos de jogadores como Poborsky ou Ronaldo?
- Não. É uma medida de gestão. Se se faz uma renovação num momento alto do jogador, tem de se fazer por um valor muito alto. Se a faz num momento de baixa, o valor diminui. Depende do momento...
- Está à espera que o Poborsky comece a jogar mal para renovar o contrato com ele?
- Não. Estou à espera do momento adequado. Também conheço o mercado, sei o que se passa, conheço as intenções do jogador. Era facílimo para mim ser aplaudido: bastava renovar o contrato do Poborsky hoje mesmo. Era só perguntar-lhe “quanto queres?” e passar o cheque...
- Mas não vai fazê-lo antes das eleições?
- Claro que não, porque era uma medida eleitoralista que me saía mais cara só para catar uns votos.
- Os três anos que aí vêm serão fundamentais, pois neles vai-se definir muita coisa: o espectro competitivo do futebol europeu, o panorama dos direitos televisivos...
- Certo. E por isso é que me recandidato, que digo que o Benfica não pode parar. Era muito mais cómodo não me candidatar. Aliás, como fez José Roquette: lançou as bases e saiu. Porque isto é cansativo. Mas se me fosse embora, deixava a obra a meio. E sei que se saísse agora do Benfica, seria o caos. O Benfica tem projectos que dependem da minha equipa. E teriam de começar tudo de novo. Se calhar estamos aqui a falar em mais quatro ou cinco anos do Benfica parado. Seria um desastre para o clube. E por isso estou aqui a dar a cara, a propor a reeleição. Porque sei o que se está a passar e o mal que faria ao clube se me fosse embora.
"FIZEMOS MAIS QUE NAS ÚLTIMAS DUAS DÉCADAS"
- O que fez de bom neste mandato?
- Fez-se mais nestes três anos do que nas últimas duas décadas. Avançámos com a SAD para o futebol, com a profissionalização que isso representa. Avançámos com o Centro de Estágio do Seixal...
- O que lhe valeu críticas. Por trocar terrenos em Lisboa por outros no Seixal...
- É falso. Valorizámos terrenos em Lisboa e comprámos terrenos no Seixal. Comprámos 15 hectares numa área que tem grande futuro, a um quarto de hora de Lisboa, com auto-estrada, barco, combóio, autocarro. É uma decisão histórica. Mudámos o relvado da Luz, que estava há 18 anos para ser mudado. Planeámos todo o projecto de modernização do estádio, para o tornar confortável para os sócios e rentável para o clube. Avançámos com a compra de terrenos de que o Benfica tinha posse mas não a propriedade. Avançámos com o Centro de Lazer, que dará ao Benfica milhões de contos por ano. Avançámos com o parque de estacionamento, resolvemos a questão das acessibilidades: vai haver uma boca de metro directamente para o estádio. Aumentámos a facturação do clube: de uma média de cinco milhões de contos/ano, passámos para 16 milhões de contos. Reduzimos o pessoal supérfluo. Tudo em três anos e sempre com muita gente contra nós.
- Mas os ganhos desportivos limitaram-se a uma Volta a Portugal...
- Porque estivemos a criar as bases. Nem na equipa o Benfica tinha uma base. Hoje mais de metade do plantel está ali há três ou quatro anos.
- E a espinha dorsal da selecção?
- Contratámos Enke, Poborsky, Marchena, Meira, Miguel, Carlitos, Van Hooijdonk, Sabry. São ou não bons jogadores?
"NÃO CONFIO EM PINTO DA COSTA"
- É a favor ou contra a troca de jogadores entre os grandes clubes?
- Se houver acordos entre clubes estou cem por cento de acordo.
- Mas no caso de jogadores em fim de contrato não tem de haver acordo...
- É negativo para os clubes entrarem em competição. Acho que o Benfica, o Sporting e o FC Porto deviam falar, estabelecer regras deontológicas e de ética em relação a determinadas contratações e até em termos salariais. Vejo isso acontecer lá fora.
- Porque não é assim em Portugal?
- Talvez pelo tipo de formação do presidente do FC Porto, pelo tipo de atitude e de estratégia que teve ao longo dos anos, que foi a de extermínio do Benfica e do Sporting, de dividir para reinar. Por isso, duvido que se consiga esse entendimento enquanto ele for presidente do FC Porto. É o futebol que temos.
- Da sua parte não há obstáculos à aproximação entre os clubes?
- Não. Duvido é que seja benéfica para o Benfica e para o Sporting. Porque não confio nos dirigentes do FC Porto, em especial no seu presidente. Porque ele andou de mão dada com o presidente do Benfica e traiu-o, depois andou de mão dada com o presidente do Sporting e traiu-o. E quem trai uma vez trai outra.
- E em relação ao Sporting, houve uma aproximação?
- Sim. A reacção de Luís Duque em relação à contratação virtual do Poborsky pelo Sporting foi a de imediatamente telefonar a José Capristano a desmentir e a dizer que, enquanto ele fosse dirigente da SAD do Sporting, nunca isso aconteceria, nunca iriam buscar um jogador ao Benfica, a menos que o Benfica a ele renunciasse.
- Está cem por cento confiante de que o Poborsky não irá para o Sporting?
- Cem por cento. Só se o Benfica quiser.
"ANDAMOS LÁ SÓ A FAZER NÚMERO"
- O Benfica está feliz na Liga Atlântica, um segundo mercado?
- Diz isso porque não conhece o projecto. Queremos criar uma Liga competitiva com a espanhola, a italiana, a francesa, a inglesa e a alemã. Uma Liga em que o mercado seja idêntico ao destas ligas dos grandes países. Pequenas ligas como a nossa, a belga, a holandesa, a escocesa, unir-se-ão e tornar-se-ão concorrenciais...
- Mas o Benfica não devia estar ao lado dos maiores clubes?
- Não. A Euroliga começará pelos grandes clubes dos pequenos países. Os interesses das Ligas dos grandes países inviabilizam a sua entrada numa Liga Europeia. O Benfica está bem e tenho a certeza de que, mais dia menos dia, veremos o Sporting e o FC Porto na Liga atlântica. Já fizemos uma exposição à UEFA. E quando falo em nós falo no Benfica, no Ajax, no Feyenoord, no Anderlecht, no Celtic... Clubes com um historial de sucesso, mas que nos últimos dez anos não foram capazes de ganhar nada internacionalmente, porque foram engolidos pelas principais ligas dos cinco países mais ricos da Europa.
- Não trocava o lugar na Liga Atlântica por um lugar no G-14?
- Não. Naturalmente que o Benfica acabará por entrar no G-14, mas o G-14 não é uma Liga em preparação, é uma associação que funciona como grupo de pressão junto da UEFA. E aí só tenho a lamentar que o FC Porto tenha incentivado os clubes grandes dos grandes países a irem contra os pequenos países. Fomos engolidos pelos grandes países. Veja: quantos clubes dos pequenos países chegam regularmente aos quartos-de-final da Liga dos Campeões? No ano passado só houve um, que foi o FC Porto. Há dois anos não houve nenhum. E este ano não haverá nenhum outra vez. Estamos lá só a fazer número para dar um ar democrático.
"NÃO TENHO TIDO TEMPO PARA A FAMÍLIA"
- Trabalha para viver ou vive para trabalhar?
- O trabalho é fundamental. Trabalho desde os 17 anos, muitas horas e com muita dedicação. Mas também é fundamental uma pessoa ter o seu espaço, tempo para si e para a família.
- Arranja tempo para si próprio?
- Tive anos muito difíceis no Benfica e não tenho tido tempo para a família. Ainda ontem (quinta-feira) um filho meu se queixava que teve pouco o pai nos últimos três anos. O tempo não volta para trás e, quando penso nisso, vejo que perdi os três anos do início da adolescência do meu filho mais novo. Fiquei impressionado.
- Costuma dormir na casa de Lisboa ou na de Sintra?
- É uma decisão que muitas vezes tomo no próprio dia, consoante a minha agenda.
- Conduz ou tem motorista?
- Tenho motorista. Gosto de conduzir, mas quando me meto no carro vou ao telefone, e se for a conduzir não posso fazê-lo.
- O que faz quando não está a trabalhar?
- Gostava muito de desportos radicais, mas hoje o único que faço é andar de mota em todo o terreno. Com muito cuidado, até porque estou proibido pelas seguradoras que me seguram, devido aos investimentos do Benfica. Além disso só tenho mais um “hobby”, que é o mar e a marinha de recreio.
- Consegue andar na rua?
- Sempre andei com facilidade. Sozinho ou com a família. Tenho muita gente a pedir-me autógrafos, o que atrasa os percursos, mas nada de grave.
- E a criticá-lo, não aparecem?
- Não. Nem sequer no Porto. Já andei várias vezes no Porto e fui sempre bem recebido pela população.
- Porque é que nunca aparece em família?
- Por razões de segurança. Evito que eles sejam fotografados e que apareçam seja onde for, para impedir que tenham problemas. Para que tenham a vida normal que eu não posso ter.
- Rodeia-se de medidas de segurança especiais?
- Não. Ao contrário do que se diz, não tenho um único guarda-costas.
- É social-democrata?
- Não respondo enquanto for presidente do Benfica. Sou presidente de todos os benfiquistas e não posso politizar o clube.
- Vale a pena perguntar-lhe em quem votará nas presidenciais?
- Não. Não posso, não devo, nem quero tomar partido, para que não me acusem de aproveitar o cargo para promoção seja de quem for na política.
- Porque é que só usa gravatas azuis?
- São azuis à Benfica.
OUTROS TEMAS EM ANÁLISE
"UMA CAMPANHA FEITA PELA POSITIVA"
Vale e Azevedo diz que tem resistido ao eleitoralismo que o levaria a responder com insultos a insultos. Mas a sua opção foi a de fazer “uma campanha pela positiva”. E explica: “Respeitamos toda a gente, mesmo os que nos insultam. E tenho sido insultado. O único insulto que ainda não me fizeram foi chamar-me pedófilo. Mas como estive com crianças no Benfica-Belenenses, admito que também venham a chamar-me pedófilo, mais dia menos dia.”
"ERA CÓMODO PAGAR JÁ O VAN HOOIJDONK"
O presidente-candidato é claro no que diz: os contratos estipulam que ainda é cedo para pagar Pierre van Hooijdonk ao Vitesse e o clube holandês é que está com problemas financeiros, pelo que pediu uma antecipação do pagamento. “Era muito mais cómodo para mim pagar já, até para dar uma bofetada de luva branca a muitos. Só que a defesa dos interesses do clube leva-me a lembrar ao Vitesse que há um contrato, que até não nos importamos de antecipar, mas só com contrapartidas”, revela. E havia condições financeiras para o fazer? “Se fosse necessário, havia. Não vou é fazê-lo por eleitoralismo.”
RENOVAÇÃO FEITA NA CONTINUIDADE
São quatro os novos vice-presidentes da Direcção do Benfica. Vale e Azevedo apresenta-os, um a um. “Alexandre Correia Leal é médico e gere várias empresas na área da saúde. Francisco Castanheira é um economista reputado, que tem estado próximo do clube, e em especial do basquetebol. As modalidades serão divididas em grupos e ele será responsável por um deles. Depois temos Amadeu Dinis da Fonseca, que já foi um braço-direito de António Sala e até fez a letra e a música de um dos novos hinos do Benfica. E António Casquinha, que foi dirigente do clube, é sócio de mérito e antigo atleta. Conhece bem o clube e vai estar ligado às casas do Benfica.”
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