Pedro Moreira com ambição no Casa Pia: «Desejo um vídeo final como o Filipe Martins teve»

Treinador foi apresentado em conferência de imprensa e mostrou confiança para levar os gansos ao sucesso

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Depois de ontem ter sido oficializado, Pedro Moreira foi esta quarta-feira apresentado como treinador do Casa Pia. Em conferência de imprensa, no Estádio Pina Manique, o técnico de 46 anos mostrou-se ambicioso para enfrentar a primeira experiência ao leme de um clube de 1.ª Liga, abordou as mudanças que pretende implementar e falou sobre o espírito que encontrou no plantel. 

Como encara este primeiro desafio como treinador principal na 1ª Liga?



Como encara este primeiro desafio como treinador principal na 1ª Liga?

"Trabalhei ao longo de uma carreira de muitos anos para poder ter esta oportunidade. Era um desejo grande. Creio que foi a partir daquilo que trabalhámos, e a proposta de jogo que fizemos com o Torreense no ano passado, que nos fizemos notar. Há uma ambição e desejo muito grandes de reproduzir aquilo que nos fez chegar a este patamar. Transmitir esses valores a esta equipa e estes jogadores e tentar, dentro do possível, ter os melhores resultados que queremos. Estamos preparados."

Como encontrou o grupo?

"É um momento de menor confiança, como é normal. Foi também assim que entrei na 2ª Liga. E entrar a meio da época tem isto, entrarmos em equipas que não estão numa fase boa e com problemas em assumir alguns riscos. Vamos criar as melhores soluções e situações, tendo em linha de conta que queremos ser felizes enquanto equipa técnica, queremos chegar longe. Aproveito este momento para reforçar a equipa técnica anterior, do Filipe [Martins], e desejar que tudo lhe corra bem. E pensar que, em função daquilo que se passou neste clube, e do modo como saiu, tenho algum desejo de poder ter um vídeo final como o Filipe teve. Tem a ver com a imagem que deixamos no clube, o modo como trabalhamos, a dedicação e o empenho. É isso que prometo a partir de hoje nesta equipa do Casa Pia."

O que lhe foi pedido?

"Pediram-me para ganhar. É simples. Para pontuar e para ganhar. A valorização de uma equipa técnica, e a minha, enquanto treinador, tem outras valências. É nesse sentido que vou trabalhar. Estimular e passar a nossa imagem da última temporada para estes jogadores, num patamar competitivo diferente, com visibilidade e exigência também diferentes. O que prometemos é que vamos empenhar-nos e trabalhar para conseguir isso da forma mais rápida possível. Estamos em processo de avaliação, a partir deste jogo já vão verificar o que trabalhamos, como e aquilo que pretendemos. É difícil implementar ideias num tão curto espaço de tempo, mas pediram-me para conseguir, da melhor forma, passar aquilo que esta direção e pessoas do Casa Pia viram que a nossa equipa técnica conseguiu fazer.

Plantel preparado para assimilar ideias? Há posições a corrigir no mercado?

"Já não é novidade para entrar a meio de uma temporada e trabalhar com aquilo que temos, com o potencial destes jogadores. Antes de entrarmos o clube avalia o treinador, o treinador avalia o clube, a equipa e o plantel para ver se consegue implementar ideias. Eu sinto isso. Houve empatia muito grande das pessoas que me contactaram, relação próxima nas ideias e pontos-chave que apresentei e julgo que esta simbiose levou ao objetivo de estarmos juntos. Sinto que é um clube extremamente bem estruturado, muito bem organizado, com ideias bem montadas para o presente e futuro. Vou ser mais uma peça, se calhar com mais visibilidade, mas importante. Tenho as minhas ideias associadas ao passado. Enquanto treinador e adjunto, já joguei em vários sistemas e várias organizações táticas que permitiram ter várias nuances em termos de jogo. Na última época também usei dois ou três sistemas. O principal foco que passo tem muito a ver com as dinâmicas que conseguem ser criadas. Queremos organização coletiva e domínio. Se avaliarem o que o Torreense fez na época passada, está muito ligado ao rigor e organização, a forma como a equipa construía oportunidades e tinha linha defensiva organizada e estruturada. São os valores que nos vão valorizar. Sou uma pessoa ambiciosa, quero chegar mais longe na minha carreira. Foi nesse sentido que construí a minha base e vou continuar a passá-lo. O que temos, é com isso que vamos trabalhar. Os plantéis mexem-se em alturas de mercado, não é agora, e aquilo que senti é que vamos, de forma comum, procurar os melhores resultados para este clube."

Que mensagem transmitiu ao grupo para dar a volta à situação?

"Mais pela confiança de assumir riscos e associar questões do jogo em que me revejo. Ao mesmo tempo, é uma cara nova, uma voz nova, um entusiasmo novo. Isso sente-se e tem de ter algum impacto. Não é que se reproduza já nos resultados, que é o que desejamos, como é normal, mas senti sede muito grande de algo novo, de que a minha mensagem chegue mais rapidamente. Eu e a minha equipa técnica temos esse entusiasmo, mas não jogamos. Quem tem de ter esse entusiasmo são os jogadores e vou tentar que isso se repercuta em competição, na qualidade do jogo, em golos e em pontos, da forma mais rápida possível.

Podem esperar-se mudanças a curto prazo?

"Vamos ter já um jogo este fim de semana, para a Taça de Portugal, curiosamente contra um amigo [Tiago Margarido], um treinador competente e com qualidade, com o qual já discuti muitas vezes as minhas ideias. Passo já a mensagem que não lhe vou dar trunfos para aquilo que pretendo. Vamos esperar para ver. Penso que vai ser um jogo interessante. As minhas ideias têm algumas diferenças em relação ao passado, não sei em que momento vou conseguir aplicá-las ou fazê-los acreditar nelas, mas é para isso que estou a trabalhar de forma afincada."

Como está a situação de Vasco Fernandes?

"Fico curioso como é que vocês sabem que foi utilizado [no jogo-treino com o 1º Dezembro]. Foi à porta fechada, é o vosso trabalho e dou-vos os parabéns por terem conseguido essa informação. O Vasco Fernandes foi-me apresentado como um ativo do clube. Faz parte do plantel, é um dos capitães e um elemento importante nesta estrutura. Há uma coisa que acho fundamental: todos gostamos de ganhar. O Vasco, os colegas, o treinador… e estamos todos imbuídos nessa procura. Mas, nesta questão do ganhar, ninguém se sobrepõe à equipa e ao clube. Isso é um ponto-chave em relação à minha presença, mas estamos a falar de um jogador que nos vai ajudar a ganhar.

Registo em casa. Jogar em Rio Maior é dificuldade acrescida?

"Enquanto treinadores temos de ser estratégicos na forma como encaramos cada jogo. O que prometo é procurar organizar a equipa para sermos o mais eficazes possível em todas as situações. Como adjunto, tive uma experiência a esse nível no Shakhtar Donetsk. Não jogávamos só fora de casa, estávamos realmente fora de casa. É sempre importante conseguir apoio e envolvência. Mesmo sendo longe, o Casa Pia consegue ter moldura humana para catapultar a equipa. Queremos sentir as pessoas e adeptos a puxar por nós. É fundamental. Em relação à estratégia, há algumas coisas que, pela minha forma de pensar o jogo, vão mudar. Vamos trabalhar da melhor forma possível para atingir o sucesso e chegar o mais longe possível com esta equipa."

Falou com direção em relação a reforços?

"Enquanto treinadores, quando chegamos a uma equipa, temos tantas coisas em que pensar… Temos de definir prioridades e nesta altura não é essa a prioridade."

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