Benfica-Rio Ave visto à lupa: Nada a perder

Duas equipas menos elaboradas mas mais positivas do que sob o comando dos ex-técnicos

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Dificilmente haveria prova mais ingrata para os treinadores. Daniel Ramos, vila-condense, ex-jogador e filho de um ex-presidente do Rio Ave, estreava-se em casa do clube mais titulado e com o maior orçamento da Liga. Bruno Lage passava da 2.ª Liga para assumir o projeto falhado de Rui Vitória, uma equipa consistentemente passiva perante a adversidade e medíocre perante a excelência. Assim que soou o apito inicial foi fácil perceber uma reação à perda mais agressiva do Benfica, duas equipas a apostar em duplas de ataque de qualidade e complementaridade, blocos subidos, assertividade no ataque ao espaço do meio-campo contrário, mais liberdade para errar em ambos os conjuntos e uma menor preocupação com a arrumação defensiva na transição. Em suma, duas equipas menos elaboradas nos ditos ‘processos’, mas mais positivas e temerárias do que foram sob o comando dos ex-treinadores. Sem nada a perder perante a herança de um e a circunstância do calendário do outro, ambos os treinadores lutaram pelo resultado desde o primeiro minuto. Abel Ferreira também havia entrado na Luz com Dyego Sousa e Paulinho, a história do jogo foi-lhe madrasta e o desajustamento da ambição com a capacidade vergou-o por 6-2. Mas Daniel Ramos confiou na qualidade do plantel que, mesmo sem Tarantini, Coentrão, Gelson Dala, Diego Lopes e Borevkovic, tem jogadores para voos mais altos, nomeadamente Galeno e Vinícius. O canhoto brasileiro emprestado pelo Nápoles vale muito mais do que o seu 1,90 metros. A capacidade de segurar jogo, arrastar defesas [1 e 2] e definir são hoje certezas que o seu potencial já prometia quando em 2017/18 brilhava no Real Sport Clube. E foi desta capacidade de segurar e decidir com bola que resultaram os desequilíbrios na defesa do Benfica que resultaram nos dois primeiros golos. Lage foi igualmente corajoso, apostou num Seferovic cheio de fome, após sete partidas sem ser titular, e não inventou na função pedida a João Félix. É como ‘nove e meio’ que melhor joga. Seferovic arrasta e ele penetra. E que grande partida fez o suíço, com excecional pormenor na receção orientada no primeiro golo do Benfica [3], confiança, explosão e entrega na assistência para o segundo, inteligência na movimentação sem bola e frieza no momento da decisão para o terceiro. Bruno Lage abandonou o relvado ovacionado. Afinal, o ‘flopetegui’ não promoveu um Solari de remendo do Castilla a definitivo no Bernabéu?

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