Ricardo Silva assume preparação para o FC Porto: «Os jogadores não estiveram abandonados»

Treinador interino convicto que a resposta da equipa será a melhor apesar da semana complicada com a saída de Armando Evangelista

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• Foto: José Reis/Movephoto

Ricardo Silva assumiu de forma interina o comando técnico do Famalicão. Com 44 anos, o antigo central, formado no clube e onde regressou para a histórica subida à 1ª Liga, em 2018/19, está há quatro anos como o chamado adjunto "da casa" e não vê o jogo frente ao FC Porto como uma oportunidade, até porque não está nos seus planos ser treinador principal nos próximos tempos.  

Depois da saída de Armando Evangelista, como é que viveu esta semana de preparação para o jogo com o FC Porto? "É uma situação que foi inesperada, mas a minha posição aqui dentro do clube é uma posição para a qual tenho de estar preparado para quando estas situações acontecem. E assim foi, foi de uma forma natural. O adversário que se segue é o FC Porto, poderia ser outro adversário qualquer e isso não poderia mudar o que quer que fosse na minha posição que tenho dentro do clube. Por isso, tudo foi encarado da forma natural que tinha de ser. Preparar o melhor que podemos e sabemos fazê-lo e garantir que os jogadores chegam ao jogo com uma ideia do que têm de fazer e preparados para competir pelo jogo."

  

Que dificuldades é que sentiu na preparação do jogo, visto ter sido uma situação inesperada? "Sim, a situação é inesperada. A dificuldade que sentimos e vou fazer aqui só um parêntesis para dizer que não estou nisto sozinho. Venho aqui dar a cara que é o Ricardo que pegou na equipa neste momento, mas o Ricardo não está aqui sozinho porque tenho junto a mim o Rafael Defendi que me veio ajudar a trabalhar com os guarda-redes, o Tiago Fonseca que me veio ajudar na análise e preparação do jogo e o José Mesquita que também me ajudou na parte da preparação física. Portanto, nós tivemos que olhar para o jogo como ele é, olhar para o adversário, identificar aquilo que entendemos que é importante combater, identificar aquilo que entendemos que é importante tentar explorar e tentar criar dificuldades ao FC Porto. E fizemos de uma forma séria, competente. Passamos aos jogadores essa mensagem, tivemos uma aceitação muito grande deles, que tiveram uma semana de trabalho que, não vou dizer que superou as minhas expectativas, porque conhecendo-os como os conheço, não esperava outra coisa deles, mas na verdade as coisas correram de uma forma tão natural que houve uma assimilação grande daquilo que foram as ideias e não tenho dúvida que amanhã vai ser possível perceber o que é que foi feito esta semana em Famalicão."  

Ao nível técnico da preparação da equipa, não há muito tempo para preparar alguma coisa. A intervenção da equipa técnica nesta semana é foi mais ao nível mental? "A intervenção da nossa parte é acima de tudo tirar algum peso de cima dos jogadores. Quando estas situações acontecem, naturalmente os jogadores ficam um bocadinho mais em baixo, estão desanimados e aquilo que nós procuramos foi essencialmente tirar-lhes algum peso de cima, mas tenho que deixar aqui vincado que esta semana os jogadores não estiveram abandonados, porque estes quatro elementos que referenciei antes, que se juntaram, olharam para o jogo e prepararam de uma forma séria. Ou seja, os jogadores do Famalicão não andaram esta semana aqui a treinar ou jogar à bola, eles andaram a treinar e a jogar futebol, porque as pessoas que estão aqui são competentes, somos funcionários do Famalicão porque nos reconheceram competências e nós, dentro das competências que temos, preparamos o jogo de uma forma séria, de uma forma muito dedicada e tentamos passar aos jogadores essas mesmas informações para eles não se sentirem abandonados." 

Do que conhece da equipa que Famalicão podemos esperar amanhã? "Percebo a questão, mas não quero, como é lógico, entrar muito por aí. Aquilo que podem contar seguramente é que vamos ter um Famalicão dentro de campo que tem uma ideia do que quer fazer no jogo, que vai pô-lo em prática, porque já o fez durante a semana e muito bem. E vai ser um Famalicão esclarecido que vai estar dentro de campo pronto para competir pelo jogo. Que desfecho vamos ter, não sabemos, agora aquilo que nós sabemos e temos uma convicção grande é que acreditamos que os jogadores, face às respostas que deram esta semana, vão ser capazes de encarar este jogo e de chegar ao final satisfeitos, acima de tudo, com eles mesmos, porque trabalharam como uma equipa. E trabalhar como uma equipa, não quero confundam isto, não pensem que o que estou a dizer é que eles vão defender como uma equipa, trabalhar como uma equipa é jogar o jogo, e jogar o jogo é com bola e sem bola. Por isso, nos dois momentos, eles estão preparados para ser uma equipa." 

O que é que justifica que o Famalicão tenha começado tão bem à época com três vitórias e depois tenha caído nesta situação? E a segunda questão, tem a ver consigo, sente que isto também é uma boa oportunidade para mostrar que o clube pode contar consigo para o futuro como treinador principal? "Começando pela primeira, percebo a pergunta, mas não é das minhas competências justificar porque é que começou bem e teve o desfecho que teve. Até porque também não lhe consigo dar essa resposta. Pela segunda questão, em relação, portanto, a esta oportunidade para mim. Não considero isto uma oportunidade, porque isto para mim é uma situação natural para a qual tinha que estar preparado, como falámos há pouco, para resolver ou para lidar com ela quando ela acontecesse. E não tendo eu certezas em relação ao meu futuro, se pretendo ser treinador principal ou não, posso partilhar com vocês também aqui que esta foi uma semana muito interessante. Face a muita coisa que aconteceu aqui no clube, com os jogadores, a forma como eles treinaram, a forma como senti que eles quiseram responder às ideias que nós lhes propusemos. E tenho que confessar aqui perante vocês que foi uma coisa que mexeu muito comigo e me deixou muito curioso sobre se poderá ser este o meu futuro ou não. Agora, também lhe digo, de uma forma vincada, que não tenho intenções de ser treinador principal num futuro próximo. Não tenho mesmo essa intenção. Mais longínquo, talvez, porque gostei destas sensações, talvez possa vir a ser uma hipótese." 

Falou das boas sensações que a semana de trabalho deu. A verdade é que a equipa vinha já manifestando nervosismo e ansiedade. Acha que isso poderá ser visível no jogo de amanhã? "Creio que isso não vai acontecer, por aquilo que foi a semana. É como lhe disse há pouco, nós treinamos futebol e não estou a dizer que antigamente não se treinava, porque também se treinava futebol, antigamente com o míster Armando. Mas esta semana, face ao que nós identificamos e mostramos aos jogadores, face às soluções que lhes demos para aquilo que identificamos e aquilo que eles colocaram no treino dessas soluções, deixa-me algo confortável. Sei que eles vão estar preparados para lidar com o desafio que vai ser o FC Porto. Agora, não lhe posso garantir que eles não vão entrar nervosos, ou que vão ter o mesmo comportamento. Eu acredito que não vai acontecer isso porque está muito claro na cabeça deles como é que têm que lidar com todos os desafios que vão encontrar amanhã. E por isso é que estou aqui, de certa forma, algo tranquilo, porque foram eles que me obrigaram a estar aqui desta forma, com as respostas que me deram.  

Acha que haverá já um cunho do Ricardo neste jogo e haverá mudanças na equipa? "Não, de forma alguma. Em relação ao tipo de jogo, posso já dizer que não há cunho nenhum. Há uma estratégia que foi montada em relação ao adversário. Em relação à situação de poder haver mudanças um treinador, quando lhe dizem, olha, tu és o treinador, está aqui a equipa para treinares. Então estão a dar-lhe legitimidade para tudo. Por isso pode haver, mas também pode não haver... Garanto-lhe uma coisa. Todos os jogadores que disponíveis, face à semana de trabalho que tiveram, podiam ser titulares. Agora, se vai haver mudanças ou não, amanhã saberemos."  

Sendo um tema da atualidade, que habilitações é que tem e já agora que opinião sobre este tão delicado assunto? "Em relação às habilitações, neste momento tenho o UEFA A, ou seja, não tenho o UEFA Pro, mas quanto sei, numa situação em que alguém do clube tem que assumir de forma interina, parece-me que é uma situação de transição, há aí uma exceção qualquer. Mas pronto, desconheço... Não tenho uma opinião muito formada sobre isso, mas a verdade é que as pessoas têm que ter habilitações para fazer qualquer coisa. A gente quer conduzir, tem que tirar a carta para poder conduzir. Nós podemos todos conduzir sem carta, mas convém ter a habilitação, senão pode correr mal a vida."  

Relativamente aos adeptos, que têm sido importantes no apoio à equipa, o Ricardo conhece bem este universo. Que palavras deixa à massa associativa do Famalicão? "Realmente, conheço perfeitamente este contexto. A minha história no Famalicão não começou há dois nem há três anos, desde que cheguei aqui como treinador-adjunto. Começou quando tinha nove anos e comecei a jogar futebol no Famalicão. Depois, o primeiro contrato profissional é no Famalicão aos 20 anos e regresso para conseguir uma subida na divisão que foi muito importante para o clube e para permitir que o que estamos aqui hoje a sentir fosse possível. Tenho um contributo, mas não estou também sozinho nisto. Tenho comigo o Rafael Defendi. Também construímos juntos esta subida e hoje estamos os dois juntos. Entregaram-nos esta missão. É curioso para mim e é especial. Sei que as pessoas também, certamente, poderão olhar para nós com uma esperança. Podem olhar para nós e ver a imagem daquele ano de sucesso. E a verdade é que nós queremos, com a competência que temos, passar pelo menos isso às pessoas. É isso que nós queremos que os jogadores façam. Estão preparados para o desafio que têm e vão tentar fazer que as pessoas saiam satisfeitas do estádio. Os adeptos podem vir ao estádio com a confiança que os jogadores vão honrar o emblema que têm no peito porque eles são sérios. São merecedores da confiança das pessoas porque eles fazem tudo para as coisas corram bem. E as pessoas precisam de confiar, às vezes, um pouquinho mais neles. Um pouquinho mais de paciência, às vezes, ajuda muito a que as coisas se tornem melhores. E é isso que os adeptos de Famalicão podem esperar. Houve trabalho sério. A equipa não esteve ao abandono e os jogadores vão dar uma resposta capaz dentro de campo."

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