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Maniche: «Deu-me gozo ganhar na Luz»

Record - Como foi possível o Maniche fazer a época que fez depois de quase um ano na Luz sem competir?

Maniche -Foi possível fruto do trabalho que desenvolvi sob a orientação do prof. Mariano Barreto. Segui sempre à risca o esquema de preparação que ele me traçou para o meu caso específico e que se prolongou no período de férias, as quais sacrifiquei para me apresentar nas melhores condições físicas no início da pré-epoca no FC Porto. A época que fiz prova a competência do professor e a força de vontade que faz parte da minha personalidade. Julgo que a força psicológica é uma das minhas melhores características. Dificilmente me deixo abater e reajo às adversidades. Foi complicado estar quase um ano a treinar-me sozinho, encontrar motivação para o fazer todos os dias, sem saber o que o futuro me reservava, e tendo eu responsabilidades familiares. Fui buscar a força interior no apoio da família e dos amigos mais chegados. Eu sabia que, estando um ano sem competir, esta época iria ser decisiva no meu futuro profissional. Quando assinei com o FC Porto senti que era uma oportunidade que eu não podia desperdiçar de salvar a carreira porque ela estava em risco. E dei o máximo de mim, lutei, sacrifiquei-me, sofri, mas valeu a pena. Aprendi muito nesse ano sobre o carácter das pessoas. Muitas das que conheci desapareceram quando deixei de jogar. Os verdadeiros amigos são aqueles que estão connosco nas horas más e contam-se pelo dedos de uma mão. Foi um curso intensivo e hoje sinto-me mais maduro e preparado para a vida.

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- Mas uma coisa é seguir à risca um programa adequado de treinos ao longo da época, outra é estar tanto tempo sem competir, o que deixa sequelas difíceis de superar tratando-se de um atleta de alta competição. O que surpreende foi o Maniche ter iniciado a época sem, aparentemente, dar sinais dessa paragem tão longa...

- Bem, houve alturas na pré-época em que me foi difícil suportar o ritmo dos treinos e dos jogos, custava-me a respirar. Mas eu sabia que a minha condição física iria melhorar à medida que tivesse mais treinos e jogos nas pernas. Nunca tive lesões na minha carreira e não facilito nos treinos para poder corresponder nos jogos. A tal força psicológica de que falei há pouco também me ajudou a ultrapassar esse momento, cerrei os dentes, nunca me deixei ir abaixo.

- É correcto concluir que o FC Porto não o teria contratado se Mourinho não fosse o treinador?

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- Se Mourinho não quisesse eu não estaria no FC Porto...

- Teve noção de que a sua aquisição suscitou alguma surpresa e muitas dúvidas?

- Senti que havia desconfiança em relação à minha contratação. Não da parte do presidente Pinto da Costa e de José Mourinho, que sempre acreditaram em mim, mas de algumas pessoas do clube e da imprensa em geral. Era compreensível essa desconfiança, uma vez que eu vinha de um ano de paragem em termos de competição. Aliás, isso deu-me ainda mais força para mostrar que tinha valor para ser titular do FC Porto.

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- Como é que foi a sua adaptação ao Porto cidade e ao FC Porto?

- Fácil e rápida. As pessoas são mais humildes e amigas de ajudar. Além disso, o FC Porto tem um balneário mais saudável e unido do que o do Benfica. Os jogadores almoçam ou jantam três vezes por semana, e essa convivência reforça o espírito de grupo. Na Luz isso acontecia de cinco em cinco meses.

- É verdade que já comprou casa no Porto?

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- É. O presidente [Pinto da Costa] sugeriu que eu comprasse em vez de alugar. Achei uma boa ideia. Tenho quatro anos de contrato e quero estar nesta cidade e neste clube de alma e coração.

- Na fase inicial do campeonato, quando a imprensa exaltava o alto rendimento de Costinha e Deco, José Mourinho veio a público alertar para a injustiça de se esquecerem de Maniche e da sua influência na equipa...

- Foi um elogio que me caiu bem e um incentivo para continuar a trabalhar como tenho feito. Deu-me mais confiança. Mas a força do FC Porto baseia-se no colectivo, na força de vontade, no espírito de entreajuda e união entre todos.

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- Mas há jogadores que sobressaem mais do que outros. O Maniche é um bom exemplo de um jogador de equipa, cuja acção não é tão visível...

- Não sou um jogador de pegar na bola e desatar a fintar os adversários que me aparecem pela frente. No futebol moderno é essencial pensar e executar com rapidez. É isso que procuro fazer, e se dou pouco nas vistas, se calhar desempenho um papel importante no colectivo.

- Deco é o exemplo de um jogador que emerge claramente na acção do colectivo...

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- Pela posição que ocupa em campo, o Deco tem mais liberdade para criar, para arriscar. É natural que sobressaia mais que os outros. Eu faço um lugar intermédio, entre a defesa e o ataque. Tenho alguma liberdade para atacar, mas não posso descurar a missão defensiva, de modo a assegurar o equilíbrio da equipa para o qual o 'mister' Mourinho tantas vezes nos chama a atenção.

- No Benfica foi muitas vezes utilizado como médio-ala, mas no FC Porto tem jogado mais sobre o "miolo"...

- Só com Mourinho, e depois com Toni, comecei a jogar no meio, como segundo médio ou médio centro. Com Jupp Heynckes jogava nas alas, na direita ou na esquerda, a fazer as diagonais para dentro. A jogar aí marquei treze golos nessa época, dez para o campeonato, dois na Taça UEFA e um na Taça de Portugal.

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- Em que posição acha que rende mais?

- Sem dúvida na posição em que estou a jogar no FC Porto.

- Se lhe pedisse que me apontasse algumas das razões que estiveram na base da grande época que o FC Porto fez, o que diria?

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- Em primeiro lugar, uma boa planificação da época. As contratações foram muito bem pensadas por Mourinho. Escolheu jogadores que conhecia bem, não só pelo seu valor, mas também pelo seu carácter. Ele sabia que esses jogadores se adaptariam aos seus métodos. Depois, um bom balneário, onde todos puxam para o mesmo lado. Dou um exemplo: o Paulinho Santos, que era e é um concorrente directo meu, que tem o passado que tem no clube, ajudou-me muito na minha integração, deu-me conselhos, incentivou-me sempre. Essa união do grupo foi um factor fundamental. O papel do treinador também, sobretudo ao nível da mentalização dos jogadores, acredita neles e faz com que eles acreditem nele. Mas se um jogador não estiver a render, não tem problema em tirá-lo da equipa, independentemente do nome.

- Como fez com Vítor Baía, que o afrontou em frente do grupo. Esse incidente fragilizou ou reforçou a autoridade do treinador?

- A questão não pode ser posta assim. Foi uma discussão que começou e acabou ali mesmo. Aliás, foi bom que tivesse sido à frente de todo o grupo. Cada um marcou a sua posição e o problema foi resolvido com tranquilidade e bom senso. Se reforçou alguma coisa foi o espírito de grupo e a prova está que continuámos a ganhar.

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- O que lhe veio à cabeça quando logo aos cinco minutos da final da Taça UEFA, frente ao Celtic, viu o Costinha abandonar o campo por lesão? Andou toda a semana a treinar e a mentalizar-se para jogar na sua posição habitual e, de repente, vê-se obrigado a assumir as funções de trinco...

- Estava a sentir que ia fazer um grande jogo na minha posição, mas quando aconteceu a infelicidade ao Costinha e o treinador tomou a opção, rapidamente interiorizei que tinha de adaptar-me às novas funções. Aliás, não era a primeira nem segunda vez que fazia aquele lugar. Aconteceu com o Marítimo, no Funchal, para a SuperLiga, com o Denizlispor, em casa, e a Lazio fora, para a Taça UEFA. É evidente que condicionou um pouco a minha acção, uma vez que fiquei mais 'preso' a funções defensivas, sem poder arriscar muito. Além disso, a jogar naquela posição, baixinho como sou com aqueles calmeirões do Celtic, era provável que tivesse dificuldades na disputa das bolas de cabeça. Penso que compensei com o jogo de pés e a circulação de bola, com mudanças de flanco.

- Compensou, e de que maneira!, com aquele passe para o Marco Ferreira que esteve na origem do terceiro golo, no prolongamento...

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- Vi o Marco a fazer a diagonal e tentei pôr-lhe a bola num espaço vazio na área de modo a que ele pudesse fazer o golo. Felizmente sobrou para o Derlei...

- Antes da final prevalecia a convicção generalizada na opinião pública nacional de que o FC Porto era claramente superior ao Celtic e que, em condições normais, venceria a Taça UEFA; os jogadores também comungavam desse convencimento?

- Tínhamos consciência de que éramos mais fortes se a final fosse disputada em duas mãos. Numa só, tudo podia acontecer... Quase toda a gente pensava que íamos chegar lá e ganhar por 2-0 ou 3-0, mas nós, jogadores, sabíamos que eles eram bons e que para ganharmos teríamos de estar ao nosso melhor nível.

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- Houve um período na 2ª parte, e no prolongamento, até à expulsão de Balde, em que prevaleceu a ideia de que o FC Porto acusava alguma inferioridade física em relação ao Celtic. Em algum momento pensou que ia perder a final?

- Eles são fisicamente poderosos, esse é o seu ponto forte. Mas não concordo com essa ideia. Nunca me passou pela cabeça que ia perder. Mesmo no prolongamento acreditei sempre que resolvíamos o jogo antes dos 'penalties'. Creio que, se houve uma quebra, foi mais psicológica do que física. O facto de eles terem marcado quase logo a seguir ao 1-0 e ao 2-1 afectou-nos um pouco.

- Qual foi para si o momento decisivo da final?

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- A expulsão do Balde. Foi um momento de viragem. Eles retraíram-se e nós passámos a ter mais espaço para circular a bola.

- O FC Porto não foi, desta vez, a mesma equipa dominadora da maioria dos jogos ao longo da época, designadamente contra a Lazio, nas meias- -finais. Concorda?

- De certo modo, sim. Eles conheciam tudo sobre nós e encaixaram bem no nosso esquema. A lesão do Costinha também condicionou um pouco depois de uma semana a trabalhar um esquema diferente...

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- Como foi possível sofrer um golo como o segundo do Celtic, numa falha imperdoável de marcação a Larsson na sequência de um canto?

- Realmente, houve uma falha grave de marcação que podia ser fatal numa final. Acontece. O jogador que cometeu o erro já o reconheceu com toda a humildade.

- Deu-lhe gozo ganhar na Luz ao Benfica, depois das circunstâncias que rodearam a sua saída para as Antas?

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- Deu-me algum gozo... Fiz o passe para o golo, uma boa exibição, ajudei o FC Porto a ganhar e mostrei a algumas pessoas que quiseram destruir a minha carreira que estava vivo.

- Como é que foi recebido pelos adeptos do Benfica?

- Esperava uma recepção pior. As pessoas não são parvas e já perceberam que a minha saída do Benfica teve a ver com certos interesses que não os do clube.

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- O FC Porto entrou na Luz determinado a vencer, quando podia ter feito um jogo de contenção, já que o empate lhe servia...

- Se tínhamos melhores jogadores e melhor equipa, não vejo por que é que não havíamos de entrar determinados em vencer. Sabíamos que podíamos arriscar e fizemo-lo. Nem sequer se tratava do jogo do título, como foi anunciado, porque este já estava decidido.

- Foi o FC Porto que não deu chances ao Benfica ou foi o Benfica que jogou muito pouco?

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- As duas coisas. Aliás, o Benfica quebrou sempre psicologicamente nos jogos mais importantes desta época, não foi surpresa. Sabíamos, se entrássemos a pressionar em força no meio-campo deles, que iriam retrair-se e que não seriam capazes de fazer o seu jogo habitual.

- Essa foi uma característica marcante do FC Porto desta época: entrar decidido a resolver os jogos o mais cedo possível...

- A ideia era essa, colocar uma pressão alta logo de início, ganhar as bolas no meio-campo adversário e marcar nos momentos certos, de preferência antes do intervalo.

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- Falta ainda conquistar a Taça de Portugal para concretizar a melhor época de sempre do FC Porto, a fazer fé no presidente Pinto da Costa. Se com o Celtic eram favoritos, com a U. Leiria mais ainda...

- Eles têm bons jogadores e um colectivo forte. Vão complicar-nos muito a tarefa, isso é garantido, até porque querem fazer história e vão estar supermotivados. Mas nós também queremos muito ganhar e fazer o pleno nas três competições em que entrámos esta época.

- Se alcançarem o pleno, tem a consciência de que para o ano vão exigir que façam, pelo menos, igual?

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- Tenho. Mas é preciso ir com calma... Vamos participar na Liga dos Campeões, que é muito mais exigente que a Taça UEFA. Ninguém nos pode exigir que ganhemos a Liga dos Campeões.

- Seria pôr a fasquia muito alta para as possibilidades do FC Porto?

- O que eu disse foi que vai exigir muito mais de nós... Se comparar os orçamentos do FC Porto com os de algumas equipas que competiram na Taça UEFA... A verdade é que ninguém acreditava que a iríamos ganhar e ganhámos.

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«Parreira não queria ganhar a Scolari?»

- Fez a sua estreia na Selecção A frente ao Brasil, mas não foi convocado antes, para o jogo com a Itália, apesar de ser titularíssimo do FC Porto. Scolari não ficou logo convencido das suas capacidades?

- No início, Scolari teve de confiar nas indicações dos seus colaboradores porque não tinha um conhecimento suficiente sobre os jogadores. Hoje em dia já os conhece, por isso pensa e decide apenas pela cabeça dele.

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- O que sentiu ao ouvir o hino nacional nas Antas?

- Olhe, lembrei-me dos dias, semanas e meses que treinei sozinho na Luz, sem esperança no futuro, e que tinha sido uma longa caminhada para eu estar ali onde estava...

- No final do jogo com o Brasil, Carlos Alberto Parreira disse que Portugal parecia que estava a disputar a final da Copa do Mundo; Concorda que os jogadores portugueses levaram o jogo mais a sério do que os brasileiros?

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- Não. Essas palavras soam-me a uma justificação para a derrota. Se ganhar para ele fosse secundário, por que é que trouxe os craques todos? E então ele não queria ganhar ao anterior seleccionador, que tinha sido campeão do Mundo, sabendo-se a rivalidade que existe entre os dois? Não, eles empenharam-se a fundo e garanto-lhe que não gostaram nada de ter perdido...

- Com que impressões ficou de Scolari?

- Fiquei com uma excelente impressão, é uma pessoa frontal e sincera, que se preocupa com os jogadores, que fala com eles e procura ajudá-los. É como se fosse um jogador mais velho.

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- Como é que Deco foi recebido na selecção, nomeadamente por Figo e Rui Costa?

- Foi bem recebido. Aliás, o Rui Costa e o Figo tiveram uma conversa com o Deco sobre o assunto. Acha que os colegas teriam abraçado o Deco como fizeram depois do golo que marcou ao Brasil se não fosse bem-vindo à selecção?

- Como é que encarou os assobios com que Rui Costa foi mimoseado nas Antas?

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- [sorrindo] Nem me apercebi...

- Como colega de Vítor Baía, está surpreendido por ele ainda não ter sido convocado?

- É uma opção do seleccionador que não tenho de comentar.

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- No final do jogo com a Holanda, quando perguntaram a Scolari a razão da substituição de Rui Costa e Figo ao intervalo ele contrapôs: por que é que não me perguntam pelo Maniche, que foi substituído na mesma altura, e é também um excelente jogador. Como interpretou essas palavras?

- Como um reconhecimento do meu valor e uma prova de que Scolari dá um tratamento igual a todos os jogadores, independentemente do nome ou do estatuto de cada um.

- Considera a selecção portuguesa uma das favoritas a vencer o Euro-2004?

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- Uma selecção que tem o treinador campeão do Mundo e jogadores com tanta qualidade, tem de pôr a fasquia alta. É preciso é dar tempo a Scolari para conhecer melhor os jogadores e pôr a equipa a jogar como ele quer.

- Depois do Paraguai como encara este jogo de preparação com a Bolívia?

- A Bolívia é uma equipa mais de toque de bola, que deixa jogar. Julgo que nos colocará menos dificuldades que o Paraguai, mas importa é preparar o Europeu para lá chegar nas melhores condições.

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«Tentaram destruir a minha carreira»

"Fui titular do Benfica durante dois anos, com Heynckes, Mourinho e Toni. Quando me apresentei no início da época 2001/2002, fui informado por um funcionário do clube que estava dispensado e que devia falar com o director-geral, António Simões. Foi o que fiz. Ele disse-me que tinha muita pena, por ser um jogador feito na casa e por ter valor, mas que já havia um acordo com o meu empresário [Paulo Barbosa] para a rescisão (...)

Entretanto, como tinha mais um ano de contrato fui integrado na equipa B e tinha que me apresentar todos os dias à mesma hora. Treinávamos à parte, em autogestão, eu, o Sabry, o Paulo Madeira, o Bossio, o Quim Berto. Ao fim de alguns meses, por acção do Sindicato, uma vez que essa situação era ilegal, puseram-nos a treinar com a equipa B e quando havia jogos com a equipa A estávamos proibidos de participar neles. Em Fevereiro de 2002 pedi para jogar pela equipa B e negaram sempre. Só quando a equipa estava em risco de descer é que António Simões deu instruções a Veloso para que eu pudesse jogar. Estavam à espera que eu recusasse, para poderem pegar por aí, mas joguei frente ao Camacha e lesionei-me.

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(...) Houve duas ou três reuniões com Luís Filipe Vieira e António Simões nas quais me foi sugerido que acabasse com a minha ligação ao meu empresário para me ligar a outro que trabalhava com o Benfica, suponho que José Veiga, se quisesse renovar por mais dois anos para ser emprestado. Respondi que não me desligaria do meu empresário que sempre de acompanhou e apoiou desde os 17 anos e paguei um alto preço por isso.

(...) A dois meses do fim da época, o meu empresário chegou a acordo para a rescisão do contrato de modo a que eu ainda pudesse jogar oficialmente por outro clube. Fomos ao notário com Peres Bandeira assinar o documento, mas para a rescisão ser oficial faltavam duas assinaturas, do presidente e de outro elemento da SAD. O tempo ia passando e as assinaturas não havia meio de surgirem. Um dia porque o presidente estava no estrangeiro, outro dia por outra coisa qualquer... Assinei de boa-fé o contrato de rescisão e eles, de forma premeditada e consciente, retiveram-no, só o depositando na Liga perto do final da época, mas fazendo prevalecer a data em que eu tinha assinado a rescisão. Inviabilizaram que eu ainda jogasse nesses dois meses. Tentaram destruir-me a carreira. Além disso, já tinha prescindido de três meses de salários no âmbito do acordo de rescisão. E até hoje nada... O advogado do Sindicato dos Jogadores tem esse assunto em mãos - quero receber esse dinheiro para doá-lo a uma instituição de caridade, por não terem sido honestos comigo.

«Simulação do Simão irritou-nos»

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Maniche foi um dos três jogadores portistas castigados por terem tirado desforço de Simão Sabrosa, no FC Porto-Benfica, com este estatelado no relvado após ter sido tocado por Jorge Costa. Este esbofeteou-o, Costinha fez o mesmo e Maniche também "picou o ponto". Uma atitude reprovável que o nosso entrevistado procurou justificar:

- O que nos irritou foi o Simão ter simulado que o Jorge [Costa] lhe tinha tocado na cara, agarrando-se a ela, quando o toque foi no corpo. Essa simulação pode ter influenciado o árbitro a mostrar o cartão vermelho e provocou aquela reacção nossa. Mas eu não lhe toquei e disse isso mesmo na Comissão Disciplinar da Liga.

- Por que é que decretaram um "blackout" na sequência desse caso?

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- Porque o tempo passava e o castigo nunca mais saía e o jogo com o Benfica, na Luz, a aproximar-se. Receámos que fosse aplicado exactamente nessa altura. Era inadmissível que a decisão demorasse três meses, e isso é que nos indignou e levou a tomar a posição que tomámos.

«Mourinho é competente e ambicioso»

A opinião de Maniche sobre quatro personalidades com quem privou de perto na Luz e nas Antas:

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Pinto da Costa - O presidente acreditou sempre em mim. Sem ele não estaria hoje no FC Porto nem teria feito a época que fiz.

Luís Filipe Vieira - Foi o homem que tentou destruir a minha carreira.

José Mourinho - Um treinador exigente, competente e muito ambicioso. É rigoroso no trabalho, planifica tudo, sabe comunicar com os jogadores, utilizando uma linguagem directa e que estes entendem. Acredita no seu trabalho e nas suas capacidades, e faz com que os jogadores acreditem nele e em si próprios.

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Jupp Heynckes - Foi o homem que me foi buscar ao Alverca e que apostou em mim.

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