Um drama que ficou gravado na história. Fernando Pascoal das Neves, mais conhecido por Pavão, morreu em campo, faz hoje precisamente 30 anos. Defendia as cores do FC Porto quando o destino lhe pregou uma partida. Inesperadamente, tombou sobre o relvado. Ainda hoje os mais supersticiosos recordam que se tratava do 13º minuto de jogo da 13ª jornada do campeonato de 1973/74. O adversário era o Vitória de Setúbal, equipa poderosa com José Maria Pedroto no banco e Octávio Machado em campo.
Pavão tinha apenas 26 anos. Foi assistido imediatamente, transportado depois num ambulância da Cruz Vermelha para o Hospital de São João. A ansiada reanimação nunca aconteceu. Nas Antas, pressentia-se o pior. Os rumores depressa deram lugar a uma dramática realidade. Um passe para António Oliveira acabou por ser o último gesto da sua vida.
A tragédia abalou o país. Temia-se a utilização de estimulantes por parte de Pavão, mas a autópsia foi inconclusiva, tendo sido a própria Polícia Judiciária a afastar as insinuações sobre "doping". Um colapso súbito foi a melhor explicação que a Medicina encontrou para justificar o trágico falecimento.
O futebol português não perdeu um jogador qualquer. Internacional por 12 vezes, Pavão batalhou para ser bem sucedido em cada passo da sua carreira. Primeiro venceu a oposição dos pais, que preferiam vê-lo estudar. Depois, impôs-se às ordens do mestre Artur Baeta, nas escolas do FC Porto. Foi decisivo para a qualificação nacional para o Campeonato da Europa de juniores, em 1965, pelo que a estreia pela formação principal dos azuis e brancos não surpreendeu.
Lançado pelo brasileiro Flávio Costa, fez a sua primeira aparição contra o Benfica. O FC Porto venceu por 2-0. Contudo, a forte personalidade custou-lhe alguns dissabores. Desde logo em 1968, quando se revoltou pelo facto de Pedroto o querer mandar para o banco de suplentes, o que resultou em suspensão e multa. Essa frontalidade não impedia que fosse querido e admirado por colegas e adversários.
Memória que ainda perdura
O drama de Pavão nunca foi esquecido pelo FC Porto. Embora com contornos diferentes, dor semelhante foi vivida aquando do falecimento de Rui Filipe, vitimado por um acidente de viação em 1994. A memória dos malogrados atletas foi perpetuada por pequenos monumentos à sua grande dimensão desportiva e humana. Aquando dos 25 anos da morte de Pavão, Jorge Costa e Rodolfo Reis, em nome do plantel e equipa técnica, prestaram uma simbólica homenagem.
Grande habilidade do pequeno Pavão
Nascido a 12 de Julho de 1947, em Chaves, o pequeno Fernando tinha de abrir os braços para se conseguir equilibrar. "Parece um pavão", alguém disse. A alcunha ficou. Bafejado pela habilidade para jogar futebol, foi descoberto por António Feliciano, na altura treinador do Desportivo de Chaves. A fama de Pavão foi aumentando, ao ponto de FC Porto e Benfica terem entrado na luta pela sua contratação. Aos 16 anos, os encarnados chegaram a convencê-lo a prestar provas durante oito dias, em Lisboa. Valeu a persistência do delegado do FC Porto em Chaves, José Teles. A partir de 1964, Pavão passou a vestir de azul e branco.
Braçadeira com dignidade
Poucos se lembrarão, mas Pavão foi capitão do FC Porto durante duas temporadas. Num exemplo de honradez, o médio portista abdicou da braçadeira quando deixou se sentir digno para a utilizar. Foi na sequência de um Leixões-FC Porto. Intransigente, Pavão excedeu-se com o árbitro Américo Barradas. Foi castigado com seis jogos. Abdicou do seu estatuto no grupo de trabalho, mas manteve o desprendimento. Até ajudou com a doação de 15 contos ao movimento para a contratação do peruano Cubillas.
Foram milhares ao funeral
Escreveu-se, na altura, que se tratou do maior funeral de sempre na cidade do Porto. Estiveram milhares de pessoas no derradeiro adeus a Pavão, que ficou sepultado no mausoléu do FC Porto, no cemitério de Agramonte. O presidente Américo de Sá pediu ao grupo o título que Pavão nunca tinha ganho como jogador. Não foi possível, aos portistas, ir além do quarto lugar.
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