«Sou advogada há 27 anos e este processo foi a desilusão total», diz advogada de José Pereira
Agora é Adélia Moreira, advogada do arguido José Pereira, quem faz as alegações:
"Durante todo este julgamento o nome de José Pedro apareceu duas vezes apenas. Achei interessante porque nas alegações do MP o que ouvi pareceu-me uma medida de desespero para encontrar provas. Parece-me óbvio que existiram dois flancos na AG. Quem estava contra Pinto da Costa e quem estava a favor. André Villas-Boas nem hoje, como presidente, tem conhecimento dos estatutos. Por outro lado, há meses que Pinto da Costa era enxovalhado. O tribunal já deve estar cansado de ouvir que as duas partes mobilizaram-se..."
"Nenhum dos arguidos teve responsabilidade na realização da AG, nenhum dos arguidos tinha poder para interromper a AG. Nenhum dos arguidos tinha o controlo da AG e que na mesma os estatutos nunca seriam votados. A prova não foi feita de todos os crimes imputados, logo o tribunal não pode condenar. Lesões indeterminadas, clinicamente não determinadas, isto reflecte a falta de concretização do MP, que violou os direitos dos arguidos."
"Tribunal tem de minimizar a culpa. Todos nós vimos a agressão de Bruno Branco e o sócio até apresentou queixa, mas Bruno Branco não consta deste processo. Depois de Henrique Ramos voltar para a bancada é abordado por Tiago Sá e culmina com a agressão de Tiago Aguiar, mas o MP decidiu presentear estes arguidos com processos autónomos. Fiquei furiosa por o MP não ter separado José Pedro deste processo, sendo que as outras agressões foram muito mais graves e censuráveis. Se Tiago Sá não tivesse abordado Henrique Ramos estou convicta de que não haveria processo Pretoriano."
"Lamento a acusação do MP neste processo. Sou advogada há 27 anos e este processo foi a desilusão total. Não vale tudo. É inadmissível. Claramente não houve qualquer co-autoria, nem os eventos foram planeados. Nunca houve qualquer contacto de José Pedro com os restantes arguidos. Não faz parte da claque, não faz parte dos grupos de WhatsApp. Nunca é visto nas imagens CCTV a comunicar com os restantes arguidos. É possível ver que José Pedro entrou antes da altercação entre as duas famílias e só se levanta quando vai ter com Henrique Ramos e esse foi um ato da sua inteira responsabilidade."
"O legislador pretendeu circunscrever este processo a um âmbito desportivo, mas uma AG não se enquadra neste contexto só porque se realizou num pavilhão. Diversos factos provados não constituem crime, mas contraordenações, até as forças de segurança que prestaram testemunho confirmaram que o evento não era desportivo, mas sim de âmbito privado, caso contrário a segurança policial era obrigatória."
"O MP tratou os arguidos de forma discriminatória. São muitos factos estranhos. Desde logo três testemunhas a serem notificadas pela polícia, a primeira logo André Villas-Boas, que nem sequer esteve na AG, outra foi Bruno Branco e a terceira Henrique Ramos, que era parte importante. É normal o coordenador, comissário, efectuar contactos pessoais? É algo que em 27 anos nunca assisti."
"A escolha das testemunhas foi um grupo de amigos bem vestidos e bem falantes, mas que não foram convocados pelo MP. A justiça achou que devia criar um processo mediático após o desentendimento de alguns sócios numa reunião privada. Foi assim que o comissário Pedro Rocha se referiu à AG. O MP alega que as pessoas tiveram medo e pessoas foram ao hospital. Eu não sei do que o MP está a falar. A única pessoa ao hospital só o foi dois dias depois."
"Quem está a ser aqui julgado é o Macaco e os seus pretorianos. O circo à volta deste tribunal serviu para manter a narrativa que estamos perante os maiores criminosos. Os meios de segurança envolvidos neste processo foi algo nunca visto. Sobre José Pedro há um crime de desobediência, de integridade física, um ato isolado. Apesar do José Pedro não ter feito a credenciação, é sócio há mais de 25 anos. Mesmo assim colaborou, deu o código do telemóvel, lamentou e retratou-se junto do próprio pelo pontapé que deu, uma atitude espontânea dias após a AG. Era impossível para o José Pedro saber que seria detido dali a dois meses."
"Houve pontapé, mas não houve lesão. O próprio assistente manifestou vontade de desistir da queixa em plena sala de audiência. Creio que estão reunidos todos os pressupostos para a desistência da queixa ao assistente Henrique Ramos. O arguido José Pedro já sofreu danos irreversíveis para o pontapé que deu. Até já teve de trocar de emprego. É ridículo o MP pedir a condeção de José Pedro da co-autoria, assim como foi pedir a condenação de todos os outros arguidos por um ato que só ele cometeu, por isso peço a absolvição do arguido José Pedro."