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"Osvaldo é um jogador admirável.” A frase poderia ter sido proferida por qualquer pessoa ligada ao fenómeno do futebol. Mas não. Foi George Best quem fez este comentário no final de um memorável Sporting-Manchester United, que os leões venceram por 5-0, depois de terem sido derrotados, em Inglaterra, por 4-1.
Anselmo Fernandez, treinador do Sporting, apostou em Osvaldo Silva para o encontro da segunda mão e em boa hora fez essa aposta: o brasileiro tornou-se, de repente, num herói das gentes leoninas ao marcar três dos cinco golos na grande caminhada para a vitória na extinta Taça dos Vencedores das Taças.
No dia seguinte, durante um almoço de confraternização, a proeza de Osvaldo Silva e restantes companheiros esteve na origem de uma ideia para designar, a partir de então, o Palácio de Seteais, onde teve lugar o repasto. Fernando Mendes foi o mentor e provocou uma gargalhada geral: passaria a chamar-se Cincoais, numa alusão aos golos marcados ao Manchester.
O “Mamão” para uns ou o “Fu-Manchu” para outros tinha razão quando, nesse dia de festa, lembrou que “jogos de taças é comigo”. E, para os mais esquecidos, Osvaldo recordou: “Lembra-se quando eu jogava no Leixões e perdemos com o La Chaux de Fonds por 6-2? Em Matosinhos, respondemos com 5-0, exactamente como agora.”
Após duas épocas no FC Porto, foi Bella Gutmann quem se encarregou de dispensar o brasileiro para o Leixões. E no segundo ano no clube matosinhense, Osvaldo Silva não podia ter sido mais vingativo: FC Porto e Leixões discutiram a vitória na final da Taça de Portugal, no Estádio das Antas, e o brasileiro cotou-se como a grande figura do jogo. Lesionado pouco antes do intervalo, recuperou e conduziu a sua equipa a um êxito de todo inesperado. O Leixões não perdeu um único desafio nessa edição da taça e os seus jogadores bem mereceram o prémio de 3700 escudos da final.
Natural de Belo Horizonte, Osvaldo Silva chegou ao Sporting tinha já 28 anos. Mesmo assim, depois da meia-final da Taça das Taças, com o Lyon, em 1963/64, o clube recusou uma proposta de cinco mil contos dos franceses, que ficaram impressionados com a classe do brasileiro. Um ano antes, Osvaldo Silva ficara também ligado a mais um êxito numa final, uma vez mais na Taça de Portugal, em representação do Sporting e tendo o V. Guimarães como adversário.
“Um jogador inteligente, de centelha, que sabe tratar a bola como poucos. Apesar da sua forma física não ser, de momento, a melhor, o interior leonino foi, para nós, o melhor elemento da equipa; foi mesmo o melhor no terreno”, escreveu Artur Agostinho, no final de Junho de 1963, no Record, sobre a actuação de Osvaldo Silva.
Elogios justificáveis depois de o brasileiro ter ficado ligado a três dos quatro golos dos leões, numa altura em que o “Lar do Jogador” era na Calçada de Carriche e o clarinete de um tal de senhor Matias anunciava a alvorada.
Osvaldo ainda passou pelo Olhanense, ainda treinou um ou outro clube, chegou mesmo a ser o responsável pelo Sporting na final da Taça de Portugal, em 1973/74, que os leões conquistaram – vitória (2-1) sobre o Benfica. Mas foi aos mais pequenos que Osvaldo Silva abriu o seu coração. Eles, mais puros, na sua inocência, irão sentir muito mais a falta de um homem que morreu ontem em Lisboa mas cujo passado ninguém apagará. Um homem que um dia também foi um jogador admirável.
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