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Os traços de craque começaram a saltar à vista no Fintas desde muito cedo
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Os traços de craque, que agora conquistaram o Manchester United, começaram a saltar à vista no Fintas desde muito cedo. Diogo Dalot até podia ter apenas seis anos, mas defrontar crianças da sua idade deixou rapidamente de fazer sentido. Aliás, o clube teve muito trabalho para que a Federação Portuguesa de Futebol permitisse a inscrição... três anos acima. "Tivemos de arranjar um certificado médico especial para que ele pudesse jogar contra os de 1996. Tinha de ser. No escalão dele, pegava na bola e marcava golo quase imediatamente. Era muito fácil", contou-nos Luís Travessa, coordenador do clube de Braga, em março.
Já nessa altura sentia conforto a pisar quase todos os terrenos. Não é por acaso que hoje em dia tanto joga no lado direito da defesa, como até mais à frente na esquerda. Trata-se de versatilidade que começou a ser trabalhada logo no Fintas. "Temos essa preocupação. Os jogadores têm de jogar a guarda-redes, jogar nas alas e no meio também. Isso permite ter polivalência para ser utilizado em qualquer zona, como o Sérgio Conceição está a fazer com o Diogo agora. Ele foi um grande ponta-de-lança no Fintas! Era muito eficaz e marcava golos facilmente", revela Luís Travessa, que traça uma comparação com... Cristiano Ronaldo.
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"Nunca falhava um treino, mesmo que estivesse a nevar. Até faltava aos concertos da irmã porque tinha treino no dia a seguir. E nunca estava cansado. Era um animal de treino, que chegava ao jogo e fazia muito mais do que aquilo que tinha aprendido. Tem capacidades físicas idênticas às de Ronaldo porque nunca se lesionam e não se contentam com a excelência. Querem a perfeição", garante, antes de traçar um futuro... como técnico. "Se quiser seguir por aí, vai ser um grande treinador. Decide sempre bem e lê as jogadas bem, além de ser muito sereno. Não é normal", remata.
Sem medo de lidar com os mais velhos
"O Diogo que vi frente ao Sporting, a apoiar os colegas e a dar indicações, é o mesmo de há 10 anos!" As palavras são de Sandra Rodrigues, a primeira treinadora a orientar Dalot no Fintas. Sempre traquina, Sandra recorda um "menino humilde e muito trabalhador tal como hoje em dia", além de destacar o trato fácil do craque com os mais velhos.
"Evidenciava-se onde quer que estivesse e não era só pelo futebol. Uma vez fomos para um torneio em Vigo e ele era o mais novo de todos. Quando dávamos conta, já estava com os juvenis a cantar as músicas do Fintas! Criava muita empatia", explica-nos a treinadora, que continua no Fintas. "Gostava que ele soubesse que ele é mesmo um orgulho para nós e não é só pelo futebol. É um exemplo e estamos sempre a falar dele", acrescenta.
Acidente de carro não o fez abanar
Aconteça o que acontecer, Diogo Dalot nunca vai dizer que não a um treino. Tem dúvidas? Para se perceber como o lateral vive para o futebol e o deixou bem transparente desde muito cedo, basta mencionar um episódio que tinha tudo para ser assustador. Com apenas 11 anos, Dalot esteve envolvido num aparatoso acidente de carro, quando o pai de um colega lhe dava boleia de Braga para o Olival. A viatura capotou, mas Diogo escapou ileso.
Ora, em condições normais, uma criança até podia ficar assustada e querer ir para casa. Dalot não. Contra a vontade dos pais, quis mesmo participar no treino, uma vez que era altura de convocatória para o encontro que se disputava no dia seguinte. A insistência foi tanta que acabou mesmo por entrar a cinco minutos do fim desse jogo.
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