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04 abril

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FC Porto-Áustria Viena, 2-0: Nem ópera nem valsa mas sim baile mandado

FC Porto-Áustria Viena, 2-0: Nem ópera nem valsa mas sim baile mandado
FC Porto-Áustria Viena, 2-0: Nem ópera nem valsa mas sim baile mandado • Foto: Simão Filho

Não houve evidentemente ópera, como José Mourinho perspectivara, nem, naturalmente, valsa, porque o Áustria Viena é, claramente, inferior ao FC Porto, que confirmou, nas Antas, a passagem à terceira eliminatória da Taça UEFA, fazendo, assim, o que lhe competia. Os dragões venceram com à-vontade, com mérito, respeitando o adversário e trabalhando muito. Jogaram, acima de tudo, com muita cabeça e com a indispensável tranquilidade. De menos bom apenas o facto de o 2-0 não ter correspondido ao número de oportunidades criadas pelos portistas.

José Mourinho, por uma questão de estratégia, sobrevalorizou as qualidades dos austríacos. Percebeu-se a mensagem, mas, por uma questão de honestidade intelectual, temos de dizer que a equipa do alemão Christoph Daum limitou-se a ser um convidado para o baile mandado dos portistas. Um baile dançado em ritmo moderado aqui, mais alegre acolá, sempre que, na frente, era necessário apelar a um sustenido. Por outras palavras: os dragões imprimiam o ritmo que mais lhes convinha, jamais sendo contrariados pelos visitantes.

O FC Porto não necessitou de prolongar a nota muitas vezes, porque, a partir do golo de Hélder Postiga – era o seu segundo remate e o sexto da equipa–, conseguido de forma extremamente fácil e bonita, percebeu, sem vacilar, que a passagem à terceira eliminatória estava garantida. Mas, atenção, não obstante as evidentes fragilidades do antagonista, os portistas nunca abdicaram de trabalhar, nunca subestimaram o adversário.

Apesar da vantagem, que poderia servir de pouco, os dragões encararam o jogo com muita cabeça, tentando, logo, mostrar que não queriam entregar as despesas ao adversário. O Áustria Viena, com mais gente no meio-campo, pressionava bem lá na frente, tentando cercear o passe, mas os dragões, com outra cultura futebolística, sem sobressaltos, trocando, aqui e acolá, o esférico em espaços reduzidos, conseguiam llevar por diante os seus objectivos, com, diga-se, facilidade.

Mas as facillidades encontradas pelos portistas não resultaram, tão-só, da fragilidade evidenciada pelo adversário. Tiveram mais a ver com o seu próprio mérito. Este FC Porto, sem jogar de forma brillhante, nem outra coisa se poderia esperar, face às condições climatéricas, havendo momentos de chuva diluviana, para lá do muito trabalho, manifestou, também, muito, mesmo muito calculismo. Este FC Porto, sublinhe-se, bateu-se como se deve bater uma equipa digna desse nome, isto é, de forma solidária, compacta, sendo justo enaltecer o papel que Costinha desempenha no onze de José Mourinho. Ora, quando assim acontece, tudo se torna mais fácil. E o futebol, para ser bonito, tem de ser jogado de forma fácil. Foi isso que os dragões fizeram em vários momentos de um jogo que, de certeza, o seu técnico nunca terá temido. Mourinho fez o que lhe competia: mentalizou os atletas e fez refrear as expectativas aos adeptos. E, assim, tudo acaba por ter mais sabor. Tudo é mais valorizado. Quer isto dizer, ainda, que, em matéria de comunicação, um treinador também precisa de ser inteligente.

O árbitro ter-se-á esquecido de exibir o "amarelo" a Maniche, aos 15 minutos, que de forma cirúrgica, mas às margens das leis, pôs cobro a um contra-ataque perigoso dos austríacos. No mais, esteve impecável.

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