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09 abril

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FC Porto-E. Amadora: Velha guarda e muita paciência com Domingos de outros tempos

Também se viram antigos problemas de "comunicação" ao ataque, mas se faltam homens importantes nos dragões pelo menos ainda há soluções, mesmo com velhos recursos. Valeram Folha e Domingos para a entrada no milénio com golos de pé esquerdo

FC Porto-E. Amadora: Velha guarda e muita paciência com Domingos de outros tempos
FC Porto-E. Amadora: Velha guarda e muita paciência com Domingos de outros tempos

O GOLO de Domingos, pelo recorte da jogada e a categoria na finalização, fez lembrar velhos tempos. Tanto por significar uma vitória suada em partida complicada, como por há muito tempo o FC Porto não coroar de êxito a reviravolta no marcador. E ainda pelo que ilustrou do querer dos azuis-brancos, ressaltando como obreiros da vitória dois homens da velha guarda e enaltecendo antigas virtudes portistas: paciência, entre outras. Foi precisa muita serenidade para chegar à vitória, nunca se notou intranquilidade e a equipa soube levar a água ao seu moinho, comprovando como água mole em pedra dura tanto bate até que fura. Ao fim de uma hora com bastante sofrimento mas sem atabalhoamento no sentido de andarem de cabeça perdida, honra seja feita aos portistas, quando se nota bem a falta de homens importantes, ao menos viu-se restarem ainda soluções, além de restaurar-se um velho espírito do dragão que faz esquecer a carência de classe, embora sobre ainda categoria, e elevar-se qualidades que Folha e Domingos fizeram lembrar.

O FC Porto foi capaz de dar a volta ao jogo e ao resultado. Demorou a acertar passes no último terço do campo e chegar à linha para fazer desmoronar, em sucessivos cruzamentos, a estática defesa estrelista. Bastava abrir uma fenda e... a desfazer mal um enésimo cruzamento, a defesa forasteira recebeu punição imediata no repentista "estouro" de Folha, a pé fixo. De pé esquerdo marcou também Domingos, num lance clássico da sua categoria para decidir jogos, virtude de outros tempos num goleador de marca, esquecido até com pena, sem que o brasileiro Renivaldo, dito Pena, dê, ao invés, mostras de acordar do belo sonho que um dia o embalou para, por escassos meses, fazer esquecer Jardel. Faltaram argumentos aos portistas, por largo tempo e marcadamente na primeira parte, nomeadamente uma aura de classe que a perda regular de excelentes jogadores tem provocado e depauperado a equipa. E faltando agora Drulovic, mais Paredes... Mas restam valores da casa que não se perderam com a entrada no novo milénio. Não houve arte, à parte o golo "a solo" de Domingos, como nos velhos tempos, mas os portistas estiveram longe de entrar em pânico, resistiram aos nervosos assobios da bancada (até ao intervalo) e com calma e alguma categoria souberam pôr a vitória a salvo, como a "congelar" a bola nos instantes finais.

Início a ver estrela(s)

O Estrela, que tão cedo marcou e logo perdeu ousadia e elasticidade, retomando a ambição de atacar só quando ficou a perder, chegou a embaraçar o FC Porto. Não só pelo golo de Gaúcho I, com culpas repartidas por elementos - Nélson sem impedir o cruzamento (reincidente) de Kenedy e Jorge Andrade a falhar a marcação ao brasileiro que Esquerdinha não foi a tempo de emendar - que substituem Secretário e Aloísio, declarados "culpados" do desaire de Leiria em que Ovchinnikov saiu estranhamente incólume. A velocidade e a pressão dos estrelistas apanhou os dragões desprevenidos. A "sonolência" dos portistas não durou muito, o golo foi a melhor forma de os despertar, mas tardou ver-se o melhor jogo. Só aos 20 minutos se registou o primeiro remate azul-branco, com Capucho a falhar de cabeça o alvo, sem Luís Vasco na baliza. O guardião estrelista esteve bem no seu posto, aos 44 minutos, a parar um livre de Esquerdinha, o quarto de sete remates na primeira parte que os portistas enquadraram na baliza. O "perigo" portista estava circunscrito, fez-se notar num par de lances mas não entusiasmava. Depois do início a ver estrelas, um longo tempo de adaptação ao rígido esquema adversário e à própria necessidade de jogar também com Domingos na frente, enquanto os "carregadores" de jogo se debatiam ainda com a parte central do terreno mais deteriorada. Tudo somado, um sonoro coro de assobios ao intervalo, após a insatisfação no golo.

É certo que o Estrela, fora um remate sem história após o seu golo, não mais voltou a pôr em risco a baliza de Ovchinnikov, o que diz da sua estranha atitude de defender nos 86 minutos que faltavam para o final. Mas a força portista no ataque reduzia-se pela imprecisão no passe e a falta de efeito provocado por uma híbrida ala direita em que Capucho e Cândido Costa alternavam como "flanqueadores" e "interiores", enquanto a esquerda retomava um extremo à moda antiga, Folha, apesar de a ausência de Drulovic quase fazer a equipa esquecer o flanco.

De resto, Lázaro e Gaúcho II marcavam bem Deco e Capucho, pelo que os problemas de "comunicação" com o ataque deixavam Pena exposto à atenção de Raul Oliveira "em cima" e Ariomar sem cerimónias na hora de varrer a área. Com Paulinho Santos timorato como é timbre de quem não jogando vai perdendo confiança, encostado atrás, mais os corredores impedidos aos laterais portistas por José Carlos e Hélder Quental, ao Estrela bastava controlar a bola, o que, no futebol de toque imposto por Carlos Brito, apesar de dois meses (estreia a 6 de Novembro em Guimarães) sem render pontos fora nem durar a táctica num jogo completo, resultou em pleno no primeiro tempo. É esse o problema básico de uma equipa da Amadora depauperada e sem confiança que resista às vicissitudes de 90 minutos de jogo. Continua sem fazer render as deslocações e com o pior registo de derrotas e golos sofridos.

Ordem estabelecida

Com dois homens na área estrelista e um adversário cada vez mais recuado e fechado à espera de ganhar a guerra de nervos com os portistas, era precisa ordem na progressão para bem servir o ataque. Deco, em quebra de forma, foi bem substituído por Alenitchev. Capucho acabou por jogar melhor agarrado à linha, como Folha fazia na esquerda. Abrindo a frente de jogo, o russo ajudou a marcar o compasso do ataque sistemático que passou, logo, por sucessivos cruzamentos. À terceira tentativa, uma bola mal rechaçada deixou Folha testar a sua aptidão para rematar de rompante, obtendo o 1-1. A reviravolta no marcador, pela primeira vez sob o comando de Fernando Santos, não tardaria, com a geometria do passe longo e rasteiro de Cândido Costa combinada com o assomo de categoria de Domingos, desembaraçado fisicamente e, assim, com todas as capacidades para tornar letal o seu "poder de fogo". Um poder e um desembaraço que Pena já terá perdido: apareceu "enferrujado" e passou quase ao lado do jogo.

O FC Porto, que viu Ovchinnikov fazer a sua primeira intervenção aos 65 minutos a recolher no alto um cruzamento da esquerda, acabou por tirar partido da indefinição de Carlos Brito sobre o jogador a meter e o momento de o fazer quando Esquerdinha ensaiava a marcação de um livre... Depois de uma troca directa (Hélder Quental-Luís Carlos), a dupla aposta Cadete-Semedo só acidentalmente faria efeito e inverteria a tendência de (oito) derrotas fora. O Estrela não o mereceria.

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