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Francisco J. Marques acusa MP de perseguição e 'atira': «Tinha a noção de que ao Benfica nada acontecia»

Mais uma sessão do julgamento do 'caso dos emails'

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• Foto: Sérgio Lemos

O julgamento do 'caso dos emails' prosseguiu esta quarta-feira no Campus de Justiça, em Lisboa. Durante a sessão, que decorreu esta manhã, Francisco J. Marques considerou que os emails revelados no programa 'Universo Porto Bancada', do Porto Canal, eram de interesse público e que foi por esse motivo que os decidiu revelar, lembrando que a BTV também divulgou, durante vários anos, as escutas telefónicas do Apito Dourado.

"Como é que se pode discutir a existência ou não de interesse público? Salta à vista de qualquer pessoa que tem. Era tão evidente que até o New York Times se interessou pela matéria, a revista New Yorker, a mais prestigiada dos magazines mundiais, se interessou pelo assunto. Mas pelos vistos, em Portugal, há um pequeno feudo que acha que este tipo de coisas não tem interesse público", frisou. "Há sempre um peso que tem de se medir entre o bem da privacidade do detentor da informação e o bem da sociedade em ter acesso àquela informação. Foi isso que fizemos e hoje em dia não acho que tenha decidido mal", sublinhou o diretor de comunicação do FC Porto.

"As escutas telefónicas são um meio de investigação utilizado pelas autoridades. Curiosamente há uma entidade que está ofendida pelos emails, mas um programa na BTV andou anos e anos a divulgar escutas e ninguém fez nada. Liam as escutas e tiveram mais programas do que nós. Nunca aconteceu nada, o Ministério Público nunca investigou nada", lamentou.

Francisco J. Marques revelou ainda que entregou os documentos à Polícia Judiciária em junho de 2017, garantindo que naquela altura tinha "97 ou 98 por cento" daquilo que tinha recebido. De resto, adiantou que nunca tinha tomado a iniciativa de entregar os documentos às autoridades para evitar a justiça. "O simples facto de estar aqui sentado no lugar de arguido responde à pergunta do senhor juiz. Passaram-se cinco anos sobre essas divulgações e neste intervalo de tempo aconteceram variadíssimas coisas. Tivemos jogadores a confessar em tribunal que o Benfica os tentou comprar, pessoas funcionárias do Benfica com lugares de relevo e assento nas reuniões de administração a entrarem no Citius e a consultarem este mesmo processo, mas o Ministério Público persegue-me a mim e ao Diogo [Faria]. Eu tinha a noção de que ao Benfica nada acontecia", atirou.

"Refleti e decidi não entregar. Achei que se entregasse não ia acontecer absolutamente nada. Achei que o que estava ali era especialmente grave, com várias coisas do ponto de vista ética muito reprováveis e que só havia uma coisa a fazer, que era tornar aquilo público para toda a gente saber o que estava acontecer. Fazia sentido que os adeptos de futebol soubessem o que estava a acontecer", disse.

J. Marques revelou ainda que foi o escolhido para receber os documentos, a partir do dia 6 de abril de 2017, pela forma como defendia o FC Porto no seu programa. "Em novembro ou dezembro de 2016, uns três ou quatro meses antes de ter recebido os primeiros emails, começou o Universo Porto Bancada. Quem me enviou os emails apreciou a forma como fazia a defesa do FC Porto. Foi o que a própria pessoa me disse isso", explicou.

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