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“O FC Porto foi à Suíça ganhar o direito a banhar-se de felicidade nos milhões da Liga dos Campeões. Aberta a defesa dos irredutíveis “gafanhotos”, os dragões confirmaram que tinham o segredo para o acesso à caixa-forte”
Zurique – Deu para tudo. O FC Porto jogou, marcou, ganhou, pass(e)ou. Confirmou em pleno que é melhor do que o Grasshopper e, naturalmente, avança para o lugar que é o seu, na Liga dos Campeões. Chegou, até, a relaxar, mesmo em demasia, o que tanto irritou Octávio pela frouxidão no passe e o retraimento nas entradas à bola, quando a equipa “esmagava” o adversário mas ainda permitia perigosas reacções dos “gafanhotos”.
No final, porém, uma exibição cheia, que chegou a ter laivos de brilhantismo e bem merecia um resultado condizente e não o enganoso 2-3 tangencial.
Acima de tudo, destaque para a inteligência portista, na forma serena como abordou o jogo, consciente da sua superioridade, o que desaconselhava acções precipitadas. Os dragões não atacaram em massa, mas impuseram-se com naturalidade, jogaram com segurança colectiva e certeza no passe e nas acções, construindo o resultado ideal ainda na primeira parte, graças a um Clayton percutante como nunca e Deco imparável para pesadelo dos helvéticos que tanto o temiam.
Desta forma eficaz, o FC Porto foi à Suíça ganhar o direito a banhar-se de felicidade nos milhões da Liga dos Campeões e para ombrear de novo entre os maiores da Europa. Se era ali que havia que mostrar credenciais, se era ali, com a sede da UEFA em Nyon, que o passaporte seria carimbado, pois os portistas sabiam o segredo para acesso à caixa-forte.
E, para tanto, foi preciso abrir também a defesa dos irredutíveis “gafanhotos”. Mostrando debilidades técnicas em quase todos os jogadores e muita inexperiência à mistura, até o credenciado Chapuisat, que o público pedia (clamando por “Chapi”), demorou a entrar. Nem a perder desde muito cedo os locais se aventuravam, receosos de uma goleada como as que se habituaram a sofrer em casa na última década.
Aliás, o técnico Zaugg não só temia Deco, também reconhecia categoria aos portistas para chegarem mesmo à goleada. Com Deco seria mais fácil e foi, de facto, um elemento incontornável, para deleite de Octávio.
Na primeira parte, beneficiando do erro crasso de Jehle no fatídico minuto 13, o FC Porto pôde gerir o esforço, a bola, o tempo, sem ver, alguma vez, os “gafanhotos” assumirem a desvantagem e, com ela, a obrigação de fazer melhor.
Quando Capucho fez o 2-0 de forma fulminante, a eliminatória estava ganha, Paredes fora substituído por Costinha sem necessidade de sofrer além do pequeno toque e, já ao intervalo, com Octávio também a poupar Soderstrom (já “amarelado”) e prevenindo as acções defensivas com Ricardo Silva. A rodagem do plantel, em mais uma saudável demonstração de capacidade física (também aqui superior à dos suíços), ficou consagrada.
Aos acertos posicionais, terminou o técnico pela troca directa de Mário Silva por Rubens Júnior. Um êxito total, mas Octávio ainda terá, porém, de seleccionar o tal plantel de 25/26 elementos até ao fim deste mês.
À eficácia da primeira parte, com dois golos em três remates, os dragões foram perdulários após o intervalo. Clayton, Deco e Pena falharam a dobrar, mas o “playmaker” portista sossegaria as hostes com um terceiro tento magistral. A goleada esteve iminente, mas tudo também poderia complicar-se se Ovchinnikov não estivesse atento a um remate de Nuñez à “queima-roupa” (68 m) que poderia animar os suíços, mesmo após a expulsão de Papa Diop que, com dois amarelos em sete minutos, retirou todas as esperanças aos “gafanhotos”.
STUART DOUGAL apitou à maneira britânica, deixando jogar sem esquecer de punir as entradas mais maldosas..
«Fisicamente bem tudo corre melhor»
Deco como Zidane. Um pesadelo para os suíços, um elogio para o brasileiro, um trunfo para Octávio. O técnico portista questionava, na véspera, se o FC Porto fez um jogo menos conseguido com o brasileiro em campo. De facto, com Deco, e em forma, a música é outra.
O Grasshopper nunca encontrou antídoto para a sua acção arrasadora. Marcação individual era suposto não existir, segundo o técnico Zaugg, mas as suas movimentações teriam de ser vigiadas por vários elementos. Só que quando a manta cobre num lado destapa no outro e Clayton e Capucho aproveitaram para completar a obra de aniquilar os “gafanhotos”.
O brasileiro está em grande. Pautou o jogo, correu, driblou, chutou, ganhou faltas. Tudo como estava previsto pelo técnico suíço. Uma incursão na área e um remate forte deixaram Jehle incapaz de segurar a bola e Clayton marcou. Quando o Grasshopper, com felicidade, reduziu para 1-2, Deco montou a feira da grande organização de ataque e com Capucho, Pena e Clayton lá apareceu a repor a vantagem de dois golos.
Esse sim, um momento que se vê em Zidane: a bola solta na área, apanhando o ressalto, fazendo o compasso de espera e o remate preciso para um 3-1 magnífico. Mas a tudo isto, Deco responde com a naturalidade que se lhe vê em campo:
“Temos a melhor equipa, estamos satisfeitos pelo regresso à Liga dos Campeões, mas o resultado acabou por saber a pouco. Sabíamos que tínhamos a melhor equipa e demonstrámo-lo dentro do campo. Podíamos ter feito mais golos. O que interessa é termos conseguido alcançar o objectivo do clube”. E minimizou o elogio de Octávio e a comparação com Zidane:
“É uma opinião dele, procuro fazer sempre as coisas da melhor maneira. Este ano tem tudo corrido bem, porque comecei a treinar normalmente desde o início da temporada, com os outros colegas, e isso tem ajudado muito. Estando bem fisicamente tudo corre sempre melhor.”
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