Termina a sessão
O julgamento da Operação Pretoriano prossegue amanhã de manhã, a partir das 9:30 horas, com a 11.ª sessão.
10ª sessão do julgamento ao minuto
O julgamento da Operação Pretoriano prossegue amanhã de manhã, a partir das 9:30 horas, com a 11.ª sessão.
Quando André Villas-Boas esteve no Tribunal de São João Novo para depor enquanto assistente no julgamento da Operação Pretoriano, a defesa de Fernando Saul, um dos 12 arguidos do caso, apresentou um requerimento para que fosse acrescentada à prova um vídeo que, acredita, poderia "descredibilizar" André Villas-Boas. As advogadas do FC Porto responderam ao tribunal sobre o assunto, mostrando total disponibilidade para que o tal vídeo fosse acrescentado ao processo, até para "demonstrar o tipo de argumentação faliciosa" da defesa. Ora, essa situação poderia obrigar André Villas-Boas a voltar ao Tribunal de São João Novo, mas esta segunda-feira, no fecho da 10.ª sessão, a juíza anunciou que o presidente do FC Porto está dispensado de o fazer, explicando que o tribunal "entende que a presença de Villas-Boas, solicitada por Fernando Saul, não é necessária para prestar esclarecimentos."
Tiago Figueiredo, empresário de 41 anos e sócio do FC Porto, também esteve na AG do terror e faz agora, como testemunha, o seu depoimento perante o coletivo de juízes. "Fiquei na bancada central, ouvi o discurso de Miguel Brás da Cunha, que fez a proposta de alteração dos estatutos. Nesse momento insurgi-me e disse que grande parte dos sócios não podiam votar porque não tinham entrado no pavilhão. Segundos depois fui ameaçado por adeptos: 'está calado filho da p..., és um ingrato, vou-te fo...”. Não conheço quem proferiu essas ameaças, foram pessoas à minha volta. Inicialmente eram duas, pouco depois mais pessoas à minha volta. Tentei ir embora e, quando me afastei do grupo, fui pontapeado, fui agredido mas não faço ideia quem foi", contou.
António Almeida, chefe Polícia de Segurança Pública, coordenou as buscas domiciliárias e não domiciliárias ao casal Madureira, e está agora a ser ouvido no Tribunal de São João Novo, revelando que "em todas as operações" do género "há reuniões antes" da mesma e são "definidos quais são os ítens a apreender", no caso "essencialmente dinheiro, bem como veículos automóveis". Ao casal Madureira foram ainda apreendidos documentos e telemóveis."
Alexandra Barbosa, sócia do FC Porto, continua o seu depoimento e confessa: "Fiquei assustada, Vi o [Fernando] Madureira a correr para a bancada norte [do Dragão Arena], acompanhado, e a mandar calar um adepto. Estava muito exaltado com quem se pronunciasse contra Pinto da Costa. Madureira foi mudando de bancada em bancada. Sandra Madureira também andava a saltar de um sítio para o outro acompanhada por outras pessoas. Insultavam os adeptos que tinham uma opinião diferente." E prosseguiu com uma revelação que provocou nova confusão na sala de audiências do Tribunal de São João Novo, no Porto: "Fiz um vídeo de pessoas a bater umas nas outras mas não consigo identificar ninguém, enviei o vídeo no email para a polícia." O Tribunal reconheceu que esse vídeo não consta do auto por lapso. A audiência voltou, assim, a ser interrompida com uma advogada a solicitar o visionamento do vídeo de Alexandra Barbosa.
Alexandra, sócia do FC Porto presente na AG de novembro de 2023, relata o que viu na reunião magna, dando ênfase à atuação de Fernando Sandra Madureira. A testemunha, diga-se, está a prestar depoimento por vídeoconferência e com o rosto propositadamente desfigurado.
“Fui à AG porque sou interessada na vida do clube. Fui por vontade própria como fui a todas as AG. Estava interessada nas contas do clube. [n.d.r.: menciona depois os estatutos, após juíza vincar que AG relativa a contas foi anterior]. Estou a recordar-me que também eram os estatutos do clube. Cheguei às 20 horas, sozinha. Fui para a fila da credenciação. Estive duas horas ou mais nessa fila, mas não fiz credenciação. Lembro-me que estava uma confusão muito grande para a entrada. Estavam a dar pulseiras, mas não me lembro de me pedirem identificação. Estive no Dragão Arena, mas não me recordo de ter apresentado a minha identificação, para lá do cartão de cidadão, para receber a pulseira. No Dragão Arena sentei-me no topo sul e o ambiente já estava exaltado. Notava-se que as pessoas estavam com um bocado de medo", disse, concretizando depois o que viu relativamente ao casal Madureira.
"Antes de ir para a fila fui jantar e vi alguns dos arguidos, por exemplo o Fernando Madureira. Estava um pouco exaltado no Alameda [centro comercial adjacente ao Estádio do Dragão], acompanhado de outras pessoas que não sei quem são. Aí fiquei com um bocado de medo. Ele estava a falar alto, não sei o que disse, mas não estava a cantar pelo FC Porto. Estive na AG do início ao fim. Ouvi Pinto da Costa a falar e alguns sócios, mas não sei os nomes. Vi pessoas a ameaçarem umas às outras pelo confronto de ideias. Vi um dos arguidos a ameaçar à minha frente. Ouvi a senhora Sandra Madureira a dirigir-se a um sócio chamado Diogo, que eu não conheço, e dizer: “Se te vir a gravar levas no focinho.” Esse sócio suplicou para não lhe fazerem nada. Juntou as mão como se estivesse a rezar. Estava com o telefone na mão e guardou o telefone. Vi um ambiente muito exaltado, pessoas a baterem umas às outras, que não sei identificar e só depois do ambiente estar um caos é que se deu instruções para terminar a AG", disse.
Com a parte da tarde da sessão destinada à inquirição das restantes testemunhas do dia sem a presença de arguidos, a juíza ordenou a dispensa destes durante o resto do dia, incluindo de Fernando Madureira, que, caso contrário, teria de aguardar pelo desfecho da mesma nos calabouços do tribunal. O antigo líder dos Super Dragões, tal como os restantes arguidos, voltarão a marcar presença no Tribunal de São João Novo na sessão desta terça-feira.
A 10.ª sessão do julgamento da Operação Pretoriano foi agora interrompida para almoço e retoma pelas 14:30 horas.
Miguel Marques, sócio do FC Porto, continua a falar ao coletivo de juízes sobre os vídeos que gravou na Assembleia Geral Extraordinária de 13 de novembro de 2023. "Lembro-me que quando me obrigaram a apagar o vídeo me disseram: 'quando tens problemas em casa também gravas?'", contou a testemunha, revelando, depois, que o vídeo não foi apagado da pasta do lixo e que o conseguiu recuperar. Nesse momento, uma das advogadas interrompeu a sessão para fazer um requerimento ao tribunal para obter o vídeo como prova. Os advogados dos arguidos manifestam-se contra isso: uns querem ver as imagens antes do contraditório e outros alegam que a testemunha nunca disse que ainda tinha o vídeo. Por esse motivo, o coletivo de juízes reuniu e pronunciou-se: "Filmagem poderá ajudar a esclarecer a descoberta da verdade. Defere-se e concede-se o prazo de três dias para o exercício do contraditório relativamente ao conteúdo da filmagem."
Miguel Marques, sócio do FC Porto de 46 anos é a quarta testemunha a ser ouvida no Tribunal de São João Novo, no Porto, no âmbito da Operação Pretoriano. "Não me recorde de nada fora de vulgar no exterior, mas bem organizado não estava, porque se estivesse não estaríamos três horas à espera para entrar", começou por contar. "Vi seguranças a dar pulseiras à entrada do Dragão Arena e a permitir entrada de pessoas. Fui à polícia contar isso e disseram-me que estava tudo captado pelas câmaras, que isso não era novidade nenhuma, prosseguiu Miguel Alves, relatando, depois, a sua entrada no Dragão Arena e os momentos de pânico que viveu. "Vi confusão, tumultos, gente a correr para a bancada norte. Não vi o início da confusão, isso foi instantes antes de entrar. Comecei a filmar com o telemóvel e duas raparigas vieram ter comigo com exigências. Pouco depois, alguns conhecidos delas tiraram-me o telefone e obrigaram-me a apagar os vídeos. As raparigas tinham entre 25 e 35 anos. Apaguei os vídeos à frente delas. Fui lá fora fumar um cigarro, estava nervoso. Quando voltei estava tudo mais calmo, mas sentia-se a tensão no ar. O único discurso que ouvi foi do Tagarela [Henrique Ramos]. Depois de acabar, ele sentou-se ao nosso lado, foi ameaçado e começaram as cenas de pancadaria. A minha preocupação não foi ver quem eram os agressores, mas fugir do local", contou.
Logo no início da sessão, a juíza informou que uma testemunha solicitou a saída dos arguidos da sala de audiência e que, outras duas, pretendem a ocultação de identificação de imagem, pelo que, para não criar nenhuma confusão técnica, quando essas testemunhas chegarem, os arguidos vão sair da sala. A Fernando Madureira foi perguntado se pretende ficar dentro da carrinha que o transportou para o Tribunal de São João Novo ou na cela do tribunal. O ex-líder dos Super Dragões escolheu ficar na cela.
A terceira testemunha a ser ouvida é Márcia Fonseca, funcionária da Porto Comercial, que diz ter recebido uma chamada de uma colaboradora: "Márcia, roubaram as pulseiras". A funcionária, conta, ligou então à segurança e "o caso ficou com eles". E acrescenta: "Não sei quem implementou o sistema de pulseiras."
Agora, no Tribunal de São João Novo, no Porto, está a ser ouvida Ângela Rodrigues, que estava a trabalhar como hospedeira no dia da Assembleia Geral Extraordinária do FC Porto, a 13 de novembro de 2023. "Muitas pessoas chegavam com cartões de sócios que não eram delas. Nessa altura, as colegas diziam que não podiam entrar", afirmou a hospedeira, recordando ainda que estava tudo "muito agitado" e que se ouviam muitos cânticos alusivos ao FC Porto. "A dada altura, ouvi uma colega a dizer que roubaram as pulseiras da caixa, mas não vi ninguém, nem soube quem roubou", relata Ângela Rodrigues, prosseguindo: "Vi várias [com pulseiras que não foram entregues pelas hospedeiras], mas não lhe consigo dizer quantas. As pessoas levantavam o braço a dizer que já tinham pulseira e que, por isso, nós tínhamos que dar autorização para entrar." Por fim, afirmou sobre os arguidos: "Sim, lembro-me de ver o [Fernando] Madureira. Não conhecia ninguém além dele."
Rui Martins foi questionado sobre o número de arguidos que conhece, tendo identificado quatro: Fernando e Sandra Madureira, Vítor Catão e Fernando Saúl. O vigilante referiu ainda que estava responsável pela observação das 60 a 80 câmaras que existem entre estádio e pavilhão, vincando que numa assembleia geral normal basta uma pessoa para executar essa função. "Conseguiu ter perceção do que estava a acontecer?", perguntou-lhe uma advogada. "Estava a acontecer muita coisa ao mesmo tempo. Era impossível estar a prestar atenção a todas as imagens", admitiu o vigilante, referindo-se especificamente à AG do FC Porto de 13 de novembro de 2023.
Rui Martins, segurança da SPDE de 46 anos, é o primeiro a ser ouvido no âmbito da Operação Pretoriano. No dia da Assembleia Geral Extraordinária do FC Porto, Rui Martins encontrava-se na sala onde estava localizado o sistema de videovigilância e comandou as câmaras. Questionado pela juíza sobre os motivos pelos quais a câmara apontada à bancada norte do Dragão Arena virou de ângulo durante a confusão, voltando ao foco original apenas quando ficou tudo mais pacífico, o vigilante justificou-se assim: "Estava a observar as câmaras do estádio e do pavilhão ao mesmo tempo. A operação das mesmas faz-se por teclado e rato. Temos que seleccionar especificamente cada câmara. Não me recordo dessa situação. Posso inadvertidamente ter carregado no rato, porque estava a acompanhar os dois locais ao mesmo tempo, mas não tenho nenhuma justificação para explicar o que aconteceu."
A juíza pediu para arguidos e advogados terem "noção", dado o atraso de quase uma hora com que se iniciou a 10.ª sessão da Operação Pretoriano.
Já arrancou a 10ª sessão do julgamento da Operação Pretoriano que decorre no Tribunal de São João Novo, no Porto. Chefe da PSP que fez buscas à casa de Fernando Madureira entre os que vão ser ouvidos hoje.
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