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BOAVISTA campeão, FC Porto em segundo lugar na I Liga. Não é só um facto inédito em si, motiva algumas interrogações pela inversão do que seria e tem sido a “ordem natural das coisas”. Por fugir do habitual, precisamente, como é que a cidade, com projecção futebolística que há muito superou os principais clubes da capital, encara este “devaneio” que “a priori” desagradaria a cerca de 2/3 dos adeptos portuenses?
Há no ambiente tripeiro rivalidade entranhada, como entre Sporting e Benfica para citarmos o “nosso exemplo” maior de “derbies”?; uma divisão da cidade com génese religiosa (hoje nem tanto) que marca a vida de Glasgow entre Celtic (católicos) e Rangers (protestantes)?; um ódio visceral por cores alheias que distinguem os mais ferozes rivais de Istambul, Galatasaray e Fenerbahçe?; um duelo fratricida como em Buenos Aires com Boca Juniors e River Plate mesmo sem os contornos de distinção social que no Cairo marcam a vivência de Al Ahly (popular) e Zamalek (identificado com a burguesia)?
Se se confirmar alguma espécie de teorema de um “derby” – e por analogia uma animosidade flagrante e premente – necessitar de premissas com “massa” semelhante, em número de adeptos, meios económicos e até simpatias distribuídas pela Imprensa, um Porto-Boavista não tem discussão a este nível. Rivais, assim entendidos pelos adeptos que fazem o ambiente dos jogos por muito que de fora se “criem” condições mais ou menos incendiárias para ânimos mais volúveis, nunca podem nutrir sentimentos mínimos de simpatia.
Quando, acima de questiúnculas e “fait-divers”, sem motivos nem passado de disputa acesa pela supremacia no campo desportivo, uns aceitam o triunfo dos outros, haverá “derby”? Na cidade do Porto, o título do Boavista é tão bem-vindo como no resto do país, sem desgosto de ver o vizinho triunfar, antes reafirmando uma condição que prevalece acima da tradicional rivalidade: ganha alguém da cidade. São dos nossos, é o lema local.
Alguma indiferença portista, certa condescendência para com o vizinho ainda incapaz de fazer sombra ao potentado das Antas que continua a ser uma âncora dos campeonatos: sempre lá na luta dos troféus, ano após ano.
Acaba por ser o triunfo do bairrismo, até aqui associado apenas ao grémio portista como aglutinador exclusivo da noção portuense e regionalista. Record ficou a saber, com uma pequena incursão à rua para contactos com adeptos em base alargada mas sem preocupação de rigor, como são os adeptos portuenses, como encaram os portistas esta desfeita, como vivem os outros interessados que ficaram a remoer à margem da questão do título, desmotivados. Uma amostra mesmo simplista estava por fazer. Bastou o Boavista ser campeão para se procurar alguma coisa.
O que se encontrou foram boavisteiros e portistas a dizerem que “se não formos nós que sejam eles” e que “o título fica sempre bem no Norte”, alargando a abrangência geográfica da cidade em oposição à capital. Há rivalidade com amizade, facto tão inédito como o título axadrezado, apesar de pontuais constrangimentos, como o de um portista (“é bem empregue” a desdita à Direcção do seu clube) que decerto não partilhará da opinião de Pinto da Costa quanto à “acertada política de contratações”... Também há quem aceite com ironia: “Vamos ver o que fazem na Liga dos Campeões.” Mas, em geral, os portistas acataram bem o êxito boavisteiro, até por reconhecimento de erros próprios e alheamento das “boutades” de Pinto da Costa sobre a valia do plantel azul-branco.
Em 450 entrevistas, 68% achou o Boavista merecer bem o título. Um rival empedernido nunca aceitaria o triunfo do vizinho do lado, mas dos 32% que discordavam nem todos eram adeptos portistas. Um sportinguista lembrou a “sorte” e os “árbitros”, sempre factores que alguém lembra quando tocam aos outros...
Um título atípico (o futuro dirá se tem seguimento) e uma rivalidade fora do comum. À moda do Porto. Mas se tal aceitação, em vez de repulsa, se reflectirá na assistência para o “derby” de domingo nas Antas...
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