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Roberto Mogrovejo chegou ao FC Porto em 1994 com grandes expectativas. Pinto da Costa tinha dado carta branca a Bobby Robson para contratar reforços e o técnico inglês apostou em dois argentinos – o próprio Mogrovejo e Walter Paz –, para além dos africanos N´Tsunda e Zwane. Mais tarde ainda chegou o peruano Baroni. Nenhum destes atletas triunfou no futebol português, pelo que ainda hoje têm lugar no anedotário dos adeptos portistas.
As razões que levaram à saída de Roberto Mogrovejo poucos meses após chegar às Antas nunca tinham sido esclarecidas porque o jogador se foi embora para a Argentina sem falar. “Tinha a passagem em aberto, mas quis regressar de imediato para não criar problemas com ninguém do FC Porto”, explica agora. Record encontrou o avançado argentino na Figueira da Foz, integrando a selecção de futebol de praia que tomou parte no Mundialito. Aos 30 anos, Mogrovejo cansou-se dos problemas no futebol de onze do seu país e, na sequência de uma lesão, optou por parar, aceitando uma aventura na areia como resposta ao desafio lançado pelo técnico Nicósia.
Oito anos volvidos, o homem que chegou às Antas como sendo o novo Caniggia, recorda todos os detalhes da sua experiência portista. “Bobby Robson mandou-me cortar o cabelo para ter boa aparência, dizia ele. No entanto, algumas pessoas andavam sempre penteadinhas mas, em termos de carácter, deixavam muito a desejar”, disse num desabafo amargo que, no seu discurso, atinge particularmente o empresário Marcelo Houseman, o homem que “enganou toda a gente” e lhe estragou a carreira: “As coisas não foram tratadas de forma clara pelo meu empresário. Não vim para jogar na posição onde podia render mais. Quando cheguei, disseram-me que tinha de ser ponta-de-lança e, como é fácil de ver, não tenho sequer altura para me bater com os centrais. No Argentinos Juniors alinhava como extremo-direito, ou então segundo avançado. E Robson pedia-me para cabecear na área...”
O melhor de tudo, recorda, acabaram por ser os adeptos. “Fui sempre muito apoiado na rua”, conta. “As pessoas abordavam-me e diziam que queriam ver-me jogar. Isso nunca foi possível e, desde que deixei Portugal, nunca mais voltei a ver o tal empresário, que ficou em falta, financeiramente, comigo. Mesmo assim, nunca me arrependi de ter vindo para o FC Porto. Só foi pena a intervenção de terceiras pessoas me ter feito perder a oportunidade de brilhar num grande clube europeu.”
Grande dupla com Esnaider na selecção
Mesmo não tendo vingado no futebol sénior, Roberto Mogrovejo não deixa de ter um passado excepcional nas selecções jovens da Argentina. Na equipa de sub-20 fazia uma dupla temível com Juan Esnaider (que já veterano também falhou nas Antas na época passada...), o qual apoiava no ataque. “Era o sistema com o qual me sentia mais cómodo”, recorda.
Mogrovejo foi o melhor marcador do campeonato sul-americano de sub-20 que permitiu aos argentinos aceder ao Mundial/91, que se realizou em Portugal. E terão sido alguns desses vídeos que ajudaram Houseman a enganar Robson.
Na tal selecção de sub-20, que entre nós se fez notar pela sua indisciplina, brilhava Walter “Pescadito” Paz, o médio que também tentou a sua sorte nos dragões em 1994. Ainda foi cedido ao Gil Vicente, mas não se afirmou e teve de regressar à Argentina pela porta pequena. “Éramos jogadores de selecção, mas vínhamos com expectativas que não se cumpriram. Eu, por exemplo, não era o jogador que o técnico tinha pedido”, admite Mogrovejo.
Alegria na praia para retomar gosto do futebol
Tendo deixado o FC Porto inesperadamente, Roberto Mogrovejo sentiu dificuldades em retomar a sua carreira na Argentina. “Tive de ir jogar para um clube do interior, o que me prejudicou bastante”, refere. O facto de ser detentor do próprio passe também não ajudou nada. “A organização é diferente e os clubes esperam até ao último momento para fazer as contratações para tornearem as dificuldades económicas. Cansei-me e ainda tentei a minha sorte em Israel, mas as condições eram muito fracas e os problemas de segurança constantes. Senti-me desgastado e, perante tanta coisa que não é séria, preferi seguir outro caminho.”
Quanto ao futebol de praia, diz que “a experiência tem sido agradável”, pelo que se mostra disposto a voltar a representar a equipa argentina.
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