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Madrid -- Vítor Baía saiu como "herói" no meteórico regresso a Espanha. O guardião português foi elogiado unanimemente por toda a Imprensa nacional e a sua soberba actuação não só passou despercebida pela qualidade das intervenções como foi acentuado em mais de um jornal, o insólito nº 99 deixa de alguma forma escandalizados que acha ser um número de camisola imprópria para um futebolista.
"Só destoou [negativamente] pelo seu número, o 99, indigno de um futeboleiro", escreveu o "El País". Na "Marca", o destaque ao guardião português, mesmo no meio da apreciação à mudança de "rosto" do Real Madrid. Notado como um "penalty", sem alusão ao unanimemente reconhecido lance de Peixe com Roberto Carlos como uma falha grave da arbitragem de Collina, o 99 que "rompe com a tradição" parece "chamar a atenção de forma escusada, porque já a consegue com as suas acertadas intervenções". E tanto se lhe chama a atenção nesse aspecto: "Que faz com o 99? Engraçado, só isso. Não precisa"; como aponta-se-lhe o gosto de defender para as câmaras, "com tendência a exagerar nos saltos felinos".
Com o gosto (reforçado pela experiência espanhola) pela imagem, Vítor Baía não deve deixar de anotar o que parece óbvio: o 99 não lhe vai bem e se era compreensível à chegada às Antas no início do ano, para a nova época o posto de nº 1 indiscutível devia ser preservado à maneira, de primeira...
Um detalhe não negligenciável, porque nem a sua extraordinária noite o salvou deste "correctivo". Porque a sua actuação foi adjectivada de "prodigiosa, no seu festival particular" ("As"), e "demonstrada a sua qualidade de sobra" ("Marca"), nos diários desportivos madrilenos. Os de Barcelona seguiram mais atentamente a exibição do ex-"portero" do Barça, mas o "Mundo Deportivo" quedou-se pela constatação de "ter evitado a goleada como o melhor homem da sua equipa" e o "Sport", mais radical na observância da cor azul-grená, esmiuçou toda a actividade do guarda-redes no jogo: 33 acções, 8 defesas, 6 com as mãos, 2 com os pés e a nota 7 como a mais alta dos 28 jogadores em campo.
E na apreciação à equipa portista, a crítica espanhola não se conteve. Confirmou como o Real Madrid "é líder no grupo dos maus" e tem a "qualificação garantida", sendo o FC Porto um exemplo de equipa "de excessivo conservadorismo" ("Sport"), "desconhece qualquer sentido do que é pressionar" ("El País"), mas a sua "debilidade" ("As") não serviu para refrear o exagero de Lorenzo Sanz ao considerar a sua equipa "como a da Sétima" conquista da Taça dos Campeões.
Ressalta, claro, o contraste de qualidade entre as duas equipas. Por isso os espanhóis se consideraram felizes pelo grupo sorteado no Mónaco há um mês.
Mas a fragilidade do eixo defensivo portista foi glosado da mais diversa forma: "Uma verdadeira calamidade" ("As"), "defendendo muito atrás, sem pressionar" ("Sport"), "com uma atitude cobarde, acumulou homens atrás, com Peixe encostado aos centrais, sem saber defender e eliminando do seu vocabulário o verbo pressionar, mantendo-se com vida graças à noite inspirada de Vítor Baía, crescido e confiante" ("El País").
Houve erros de claro exagero, como a avaliação do trabalho de Secretário, destacando o labor do brasileiro Sávio como opositor directo, mas, na verdade, sem criar o maior perigo. O "Sport", barcelonista até ao tutano, até vislumbrou um "penalty" por mão de Hierro que mais ninguém viu e, assim, considerou (naturalmente) como o "árbitro foi um amigo do Real".
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