Massagista do Moreirense faz história na 1.ª Liga: «Antes de subir, o nosso gosto era jogar com um grande na Taça»

Carlos Machado é o único elemento que participou nos 500 jogos do clube no escalão maior do futebol português

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Carlos Machado participou nos 500 jogos do Moreirense na 1.ª Liga
Carlos Machado participou nos 500 jogos do Moreirense na 1.ª Liga • Foto: José Gageiro/Movephoto

O massagista do Moreirense, Carlos Machado, é o único elemento que participou nos 500 jogos do clube na 1.ª Liga, tendo assistido a uma transformação que não imaginava quando começou lá a trabalhar.

Desde a estreia do emblema de Moreira de Cónegos no escalão maior, com a derrota caseira perante o Beira-Mar (2-1), a 25 de agosto de 2002, até à derrota do passado sábado, também no Estádio Comendador Joaquim de Almeida Freitas, com o Sp. Braga (1-0), o massagista, de 66 anos, acompanhou a equipa médica em todos os desafios do escalão maior.

"Nunca contei que iria participar em 500 jogos da 1.ª Liga. Quando subimos pela primeira vez, pensei para mim que ficaríamos um ano ou dois. Antes de subir à 1.ª Liga, o nosso gosto era poder jogar com um grande para a Taça. Nunca ninguém pensava que iríamos chegar à 1.ª Liga e ficar por lá anos e anos. É para continuar", disse, à Lusa.

Nascido e criado na vila do concelho de Guimarães, em 1959, Carlos Machado começou a trabalhar no Moreirense em 1984, a convite de Armindo Cunha, que viria a ser treinador-adjunto dos cónegos entre 1996 e 2013, para trabalhar num ofício de que nada sabia.

"Não percebia nada do ofício. Trabalhava numa empresa têxtil, como a maioria das pessoas aqui. Trabalhava das 06h00 às 14h00, chegava a casa, almoçava e vinha para o 'Moreira' às 15h00. Acompanhava os seniores e depois ficava responsável pela formação. Passei uns bons anos assim", disse, ao recordar um tempo em que a equipa principal do Moreirense competia na 3.ª divisão nacional.

Responsável pela formação nos primeiros anos de trabalho, quando as instalações dos cónegos eram ainda parcas e as equipas mais jovens tinham de ir treinar a localidades vizinhas, Carlos Macedo começou a trabalhar a tempo inteiro no clube na década de 90, a convite de Vítor Magalhães, ainda hoje presidente do clube.

Carlos Machado considera que Vítor Magalhães é a figura mais decisiva da história do clube e escolhe Manuel Machado como o treinador que mais o marcou, por ter assumido o Moreirense no terceiro escalão, em 2000/01, alcançado duas subidas consecutivas e liderado a equipa nas duas primeiras temporadas no escalão maior, 2002/03 e 2003/04.

"O momento mais feliz no clube foi a primeira vez que subimos à 1.ª Liga [em 2001/02]. Quando o Manuel Machado veio para cá, eu dizia que só trazia juventude: o Flávio Meireles, o Alex, todos vindos de Fafe. Não pensava que pudéssemos conseguir as subidas, mas conseguimos. Ele era mesmo professor de bola. E é uma excelente pessoa", lembra.

Com mais de 40 anos de experiência no clube minhoto, o massagista testemunhou das transformações nos cuidados com os jogadores, de um tempo em que só se fazia um exame em último recurso para uma época em que se sucedem, de uma era em que se trabalhava sobretudo à mão para o período atual, em que as máquinas são auxílios indispensáveis.

Embora já não trate das lesões dos jogadores, Carlos Machado ainda é especialmente requisitado para as massagens e para o tratamento dos pés, também por ser visto no seio do balneário como uma "figura paternal", pronto a "arrancar um sorriso" quando os atletas estão "mais em baixo".

O trato para com as centenas de jogadores do Moreirense com que contactou é sempre o mesmo e passa pelos vocativos de "filho" ou "jovem", embora reserve o apelido de "Tavinho" para alguns de que gosta particularmente de ver jogar.

"Quando aparece um jogador assim, ponho-lhe o nome de Tavinho. É o meu Tavinho. Porquê? Há cerca de 30 anos, tivemos um jogador na formação que tinha o nome Tavinho. Era de cá de Moreira. Jogava muito à bola. Passados uns anos, veio o Fábio Espinho e jogava muito à bola. Disse-lhe que parecia o Tavinho. Ainda hoje ponho o nome. Comecei a chamar Tavinho ao Vasco Sousa. Não lhe chamo Vasco. Ao Benny [que deixou o clube em janeiro], também lhe chamava Tavinho", contou, assumindo que tenciona continuar no Moreirense enquanto puder.

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