Alma salgueirista acredita, mas não ganha e o perigo vê-se no retrovisor

Alma salgueirista acredita, mas não ganha e o perigo vê-se no retrovisor
Alma salgueirista acredita, mas não ganha e o perigo vê-se no retrovisor

INGRATO. O Salgueiros lutou com alma e coração para tentar levar de vencida o Sp. Braga. Os três pontos eram sumamente importantes para o grande desiderato da permanência, mas a equipa de Paranhos não conseguiu ir além do empate, perdendo o ensejo de alcançar o Rio Ave na classificação, em vésperas do jogo contra o FC Porto, nas Antas.

O calendário não é propício a cometimentos, e o maior perigo é o que já se vê no retrovisor. A recuperação setubalense pode criar graves complicações aos salgueiristas, já para não falar no triunfo que relançou as hipóteses de permanência do Santa Clara. Quanto ao duelo com o Campomaiorense, a hora da verdade chegará na 30ª jornada, quando visitar Vidal Pinheiro.

Os homens de Vítor Manuel não possuem argumentos para, nos tempos que correm, realizar grandes exibições. O futebol encarnado assenta na grande capacidade de entrega dos seus elementos. A qualidade técnica escasseia e, com a intensa chuva que se fazia sentir, dificilmente poderiam surgir preciosismos. Valeu a garra que Vítor Manuel transmitiu à sua equipa durante o intervalo, a qual ia fazendo a diferença no segundo tempo. Ia, dizemos nós, porque Renato falhou uma grande penalidade e João Pedro não conseguiu transformar em golo duas excelentes oportunidades. O guardião Quim foi uma barreira intransponível.

O Sp. Braga podia ter explorado bem melhor os pontos débeis da estrutura salgueirista. Manuel Cajuda viu-se a ganhar graças a um lance de bola parada onde Barroso comprovou ser uma mais-valia. No entanto, e a partir daí, o conformismo chegou a ser enervante. Especialmente ao longo da segunda metade, onde os arsenalistas nunca fizeram um verdadeiro esforço no sentido de chegar à vantagem no marcador. Pareciam de barriga cheia pela vitória da semana passada, contra o Benfica, e esqueceram-se que uma vitória poderia significar a definitiva tranquilidade, criando uma almofada de segurança de sete pontos em relação à linha de água. Assim, ficam-se pelos quatro, com a recepção ao remoralizado Santa Clara na ronda seguinte a assumir contornos de maior relevância.

SOFREDORES À CHUVA

O início do encontro deu logo uma boa imagem do que esperava os dois mil "sofredores" que marcaram presença em Vidal Pinheiro. Em várias zonas do terreno a bola pura e simplesmente não rolava. O relvado estava empapado e os jogadores acusavam a inadaptação, depois de um Inverno inusualmente seco.

O equilíbrio a meio campo era a nota dominante, mas dando a sensação que o Sp. Braga teria melhores argumentos para tomar conta da partida quando assim o entendesse. Se o campo está mau, os lances de bola parada tornam-se ainda mais importantes. Renato falhou os primeiros ensaios, mas Barroso deu mostras de eficácia e aos 24 minutos surpreendeu Jorge Silva com um remate rasteiro a passar pelo meio da barreira.

A vantagem trouxe como consequência negativa um imediato abaixamento na intencionalidade ofensiva dos homens de Manuel Cajuda. O Salgueiros correspondia aos gritos de incitamento que chegavam da bancada e continuava a acreditar, mesmo não sendo capaz de jogar bom futebol. Tão grande foi a crença que o empate chegou ainda antes do intervalo, graças ao poder aéreo de Ricardo Fernandes, assistindo Basílio Almeida para a igualdade.

O mesmo Basílio haveria de estar novamente em foco logo nos primeiros minutos da etapa complementar. A tentativa de imprimir maior velocidade permitiu-lhe fugir pelo lado direito da grande área, mas acabou por ser derrubado por Quim, numa infracção prontamente assinalada por Mário Mendes.

Não lembraria ao Diabo é que Renato procurasse transformar o castigo máximo com um remate denunciado que foi prontamente defendido por Quim, cuja fama de ser um "especialista" na matéria é conhecida.

Chegava a hora de mexer nas equipas. João Pedro entrava para dar a tal velocidade ao Salgueiros; Manuel Cajuda limitava-se a lançar Silva, mas em detrimento de Tailson. Luís Filipe continuava em campo quando o jogo aéreo de Toni poderia ser de bem maior utilidade.

Tanto calculismo ia dando mau resultado. João Pedro conseguiu isolar-se por duas vezes, em lances tirados a papel químico, mas na hora da verdade não conseguiu superiorizar-se a Quim. Estava consumado o empate.

GOLOS

0-1, por BARROSO, aos 24 m. Entrada dura de Basílio Almeida sancionada com falta e cartão amarelo. Barroso aponta o livre directo, a bola passa pelo meio da barreira e não deixa hipóteses de defesa para Jorge Silva.

1-1, por BASÍLIO ALMEIDA, aos 40 m. Livre no flanco esquerdo do ataque salgueirista. Bola colocada na área, com o central Ricardo Fernandes a ganhar de cabeça e a assistir Basílio Almeida, que se consumou o empate.

VÍTOR PINTO

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