Claques do Sp. Braga visam PSP: «Transformou o ambiente festivo, num clima de revolta e injustiça»

Red Boys e Bracara Legion emitiram comunicado conjunto

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A Tarja preparada para o dérbi deste sábado
A Tarja preparada para o dérbi deste sábado • Foto: SC Braga

As claques do Sp. Braga, Red Boys e Bracara Legion, publicaram, este domingo, um comunicado conjunto sobre os eventos do dérbi do Minho, entre os bracarenses e o V. Guimarães, deixando duras críticas à atuação da PSP, culpando-a pelos incidentes que antecederam o apito inicial da partida, no exterior do Municipal de Braga.

"O ambiente que se vivia nas imediações do estádio, e em particular na fanzone era de grande alegria, onde bracarenses das mais diversas faixas etárias conviviam e celebravam numa simbiose que é a da verdadeira festa do futebol. Tudo corria bem e estavam criadas as condições para uma partida bem disputada e sem registo de incidentes. Até que, o Comando da PSP de Braga, decidiu sabotar o trabalho de semanas, proibindo a coreografia, sem que tivesse uma justificação plausível ou que pudesse ser juridicamente sustentada. Esta inenarrável decisão, transformou instantaneamente o ambiente festivo, num clima de profunda revolta e sentimento de injustiça", pode ler-se no comunicado.

As claques, que abandonaram as bancadas ainda no início da 1.ª parte em protesto, apontam ainda o dedo à conduta das forças de segurança. "Muitas dezenas de sócios e voluntários foram retidos, identificados e vários outros brutalmente espancados pelos agentes de uma instituição que tem o dever de zelar pela segurança de todos, mas que mais uma vez, o que fez foi precisamente o contrário. Os vídeos que circulam online não reflectem, nem de perto, a barbárie perpetuada pelos polícias que estavam destacados na zona da Alameda do estádio. Ainda assim, são prova do quão inenarrável foi a conduta da PSP, que resultou inclusive na hospitalização de uma senhora octogenária", é referido.

Comunicado conjunto das claques do Sp. Braga na íntegra:

"O Dérbi do Minho é sempre um dos expoentes máximos da época futebolística em Portugal, e o que torna este embate num fenómeno tão peculiar é precisamente o facto de colocar frente a frente dois clubes que representam duas cidades, as suas gentes, a sua alma e a sua história. Para o jogo de ontem (21/02), centenas de voluntários bracarenses, em estreita colaboração com o clube e os seus profissionais, prepararam uma coreografia que destacava figuras importantes da história bimilenar da nossa terra. Foi um trabalho árduo de muitas semanas, em que sócios e adeptos em regime de voluntariado, sem nenhum género de recompensa que não a de engrandecer o Sporting Clube de Braga, trabalharam afincadamente para embelezar um jogo já de si extraordinário.

O ambiente que se vivia nas imediações do estádio, e em particular na fanzone era de grande alegria, onde bracarenses das mais diversas faixas etárias conviviam e celebravam numa simbiose que é a da verdadeira festa do futebol. Tudo corria bem e estavam criadas as condições para uma partida bem disputada e sem registo de incidentes. Até que, o Comando da PSP de Braga, decidiu sabotar o trabalho de semanas, proibindo a coreografia, sem que tivesse uma justificação plausível ou que pudesse ser juridicamente sustentada. Esta inenarrável decisão, transformou instantaneamente o ambiente festivo, num clima de profunda revolta e sentimento de injustiça.

O que se seguiu foi ainda mais grave. Muitas dezenas de sócios e voluntários foram retidos, identificados e vários outros brutalmente espancados pelos agentes de uma instituição que tem o dever de zelar pela segurança de todos, mas que mais uma vez, o que fez foi precisamente o contrário. Os vídeos que circulam online não reflectem, nem de perto, a barbárie perpetuada pelos polícias que estavam destacados na zona da Alameda do estádio. Ainda assim, são prova do quão inenarrável foi a conduta da PSP, que resultou inclusive na hospitalização de uma senhora octogenária.

Referimos que a coreografia foi preparada, ao contrário do que diz o comunicado emitido pela PSP, no mais escrupuloso cumprimento das regras de segurança, e por isso mesmo recebeu o aval da Liga Portugal e da Cruz Vermelha. Não havia rigorosamente nenhum elemento na tela que pudesse ferir as normas de conduta e de respeito pelo desportivismo. As referências às personagens históricas da nossa terra, devidamente discriminadas e contextualizadas num cartaz explicativo, não tinham nem podiam ser interpretadas como um ataque a quem quer que fosse. Só uma profunda ignorância, ou então, muito má fé, podem explicar esta decisão.

Seguramente que a apresentação desta obra de arte, teria o condão de instruir muitas crianças, jovens e adultos, para a importância do nosso território no contexto nacional e peninsular, e para a grandeza de figuras como o Rei Suevo Hermerico, o Historiador Romano Paulo Orósio, ou o Arcebispo D. Paio Mendes, entre muitas outras personagens.

Exige-se uma célere intervenção das instituições que tutelam o nosso futebol, do executivo camarário e das várias forças políticas. A actuação do Sporting Clube de Braga na defesa dos seus sócios e adeptos merece ser ressalvada, e esperemos que a direcção não desarme de ir até às últimas consequências para que se punam os responsáveis.

Diz um célebre cântico entoado pelas hostes bracarenses que “Querem matar o futebol”. E mais uma vez não foram os adeptos os propulsores da violência, foi precisamente a instituição que deveria lá estar para a impedir. Queremos que o futebol seja uma festa, queremos famílias, estádios cheios e alegria. Não vamos desarmar, e vamos também nós, associados e adeptos, lutar com todas as nossas forças para que isto não passe impune. Não pode passar, seria ferir de morte a credibilidade das instituições e das polícias. Lutaremos, lutaremos e lutaremos por justiça!"

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