«Leite na Guiné era só uma vez por mês»: adaptação de Roger também passou pelos... cereais

Quando assinou o primeiro contrato, quis mandar todo o dinheiro para a sua mãe

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• Foto: Luís Vieira/Movephoto
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Os primeiros tempos de Roger em Braga foram complicados, não só porque durante dois anos não pôde jogar por causa de questões relacionadas com documentação, mas também pela adaptação e necessidade de ser responsável tão novo.

"Foi difícil, chegava a sexta-feira, sentias que treinaste bem durante a semana, mas só os colegas podiam jogar e tu não, foi uma altura difícil. Estava nos sub-15, então para mim sábado e domingo era para jogar na rua", contou. "Nunca tinha comido cereais e deram-me Chocapic, parecia bóias na minha boca. Leite era uma vez por mês na Guiné. Havia, mas eu não tinha condições para aquilo, a diferença começou logo no pequeno almoço", acrescentou, recordando um dia em que foi a um supermercado com 15 euros no bolso, mas regressou para a residência onde estava instalado quando viu as portas fechadas. "Não sabia que as portas se abriam quando te aproximavas", disse, com sorrisos à mistura.

Certo é que Roger Fernandes foi crescendo em Braga e no Sp. Braga, mas sem se esquecer das raízes. "Quando assinei o primeiro contrato, lembro-me de ter falado com o Hugo Vieira, disse-lhe com tanta emoção que ele me chamou a atenção. Eu disse: 'quero que mandes esse dinheiro todo à minha mãe, em África, que ela precisa mais do que eu'. Ele disse que parte mandava, mas parte dele eu ia precisar para as minhas necessidades", prosseguiu.

"Quero trazer a minha mãe para cá, faz-me falta. Queria tê-la por perto, sempre. É diferente viver aqui. Depende se ela quer, claro. Mesmo estando lá, ela liga-me quase todos os dias", assumiu Roger.

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