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A chegada do Sporting à fase a eliminar da Liga dos Campeões em três das últimas cinco edições deve-se a uma nova correlação de forças na Liga Betclic, defende o ex-futebolista Carlos Xavier.
"O Sporting não foi mais vezes à Liga dos Campeões [nas décadas anteriores] porque estava tudo minado para nunca ganhar o campeonato. A partir do momento em que começou a lutar em igualdade com as outras equipas, tem vencido mais vezes. Esperemos que assim continue", analisou à agência Lusa o antigo médio internacional português, de 64 anos, que representou os leões entre 1980 e 1991 e de 1994 a 1996.
O Sporting está pela quarta vez, e segunda seguida, nas eliminatórias da Liga dos Campeões, criada em 1992/93, mas não ultrapassou os 'oitavos' em 2008/09 e 2021/22 e o playoff em 2024/25, sendo que, na história da principal prova europeia de clubes, tem como melhor resultado a chegada aos 'quartos' em 1982/83, na antecessora Taça dos Campeões Europeus.
Carlos Xavier esteve nessa campanha, que será igualada se o bicampeão português passar o estreante Bodo/Glimt, numa eliminatória a duas mãos agendada para quarta-feira, na Noruega, e 17 de março, em Lisboa.
"Este formato exige muitos jogos e tem mais equipas fortes. Não é como antes, em que praticamente só havia uma por país", notou, após o Sporting se tornar o primeiro clube português a rumar diretamente aos 'oitavos' desde a época passada, quando a Liga dos Campeões substituiu a fase de grupos de 32 conjuntos e seis jornadas por uma fase de liga com 36 emblemas e oito rondas.
Em contraste com os rivais Benfica, vencedor em 1960/61 e 1961/62, e FC Porto, triunfante em 1986/87 e 2003/04, os leões nunca se sagraram campeões europeus, nem chegaram sequer às 'meias', objetivo do qual estiveram perto em 1982/83.
Depois de afastar os então jugoslavos do Dinamo Zagreb (3-1 no conjunto das duas mãos) e os búlgaros do CSKA Sofia (2-2, com vantagem através da já extinta regra dos golos fora), o Sporting defrontou nos 'quartos' a Real Sociedad e venceu em Lisboa (1-0), antes da reviravolta espanhola (2-0).
O capitão Manuel Fernandes adiantou os 'verdes e brancos' perto do fim do primeiro embate, mas, num "ambiente frenético" em San Sebastián, Juan Antonio Larrañaga e José María Bakero deram a passagem aos então bicampeões espanhóis, que eram "individualmente muito fortes".
"O árbitro puniu uns passos a mais com a bola na mão do [guarda-redes] Ferenc Mészáros na nossa área e eles empataram a eliminatória de livre indireto. O Sporting teve azar", recordou Carlos Xavier, totalista nos dois duelos, volvido um golo ao CSKA Sofia, o único da sua carreira na prova.
Os leões apenas viajaram para o País Basco no dia da segunda mão e sentiram a ausência do avançado Rui Jordão, cuja mãe morrera, estando igualmente desfalcados dos defesas Virgílio e Pedro Venâncio, numa equipa orientada pelo treinador-jogador António Oliveira, que foi titular.
"Ninguém estava à espera nem queria, mas o Malcolm Allison saiu no início da época e ter um colega nosso a assumir o comando da equipa não caiu muito bem. Passámos por momentos difíceis", lembrou, com o Sporting a arrebatar apenas a Supertaça Cândido de Oliveira e a falhar a revalidação do título, ao ser terceiro classificado, a nove pontos do campeão Benfica.
António Oliveira seria rendido pelo checoslovaco Josef Venglos semanas depois da eliminação face à Real Sociedad, que, guiada por Luis Arconada, Bakero ou Pedro Uralde, viria a ceder nas 'meias' com os alemães do Hamburgo, campeões europeus em 1982/83 ante os italianos da Juventus.
Na década seguinte, figuras como Larrañaga, Agustín Gajate ou Alberto Górriz foram companheiros nos bascos de Carlos Xavier, autor de 109 jogos e 12 golos de 1991 a 1994, a meio da dupla passagem pelo Sporting.
Igual percurso entre Lisboa e San Sebastián fez o também antigo médio português Oceano Cruz, sempre sob comando do galês John Toshack, que tinha treinado os leões em 1984/85 e conquistado uma Taça do Rei de Espanha em 1986/87, no primeiro de três períodos com a Real Sociedad.
Por Lusa