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20:30

16 maio

Gil Vicente

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Acosta: «Há quem espere que falhe para poder criticar-me»

Acosta: «Há quem espere que falhe para poder criticar-me»
Acosta: «Há quem espere que falhe para poder criticar-me»

ALBERTO Acosta, 34 anos, cumpre sábado à tarde, frente ao Alverca, o seu 50º jogo na I Liga portuguesa. Um percurso feito de subidas ao Céu e de quedas no Inferno. A expressão é nossa. O avançado argentino tenta retirar-lhe todo o dramatismo, pois, como explica, "um golo é só um golo. Uma partida de futebol apenas uma partida de futebol. Nunca um caso de vida ou de morte".

- A expressão parece-me exagerada. Com efeito, tive momentos menos bons, quando cheguei ao Sporting, mas não foi uma situação de vida ou de morte. Todos têm altos e baixos. Até os melhores jogadores do mundo. Por que motivo não podia acontecer-me também a mim? Admito que não atravessava um bom momento e não representava uma opção para o treinador... Muitas coisas que, por sorte, mudaram no início da segunda época. Essa foi uma temporada muito positiva, em que conseguimos conquistar o campeonato, muito desejado pelo Sporting e também pelo Acosta, pois representou uma pequena vingança contra mim próprio. Pude demonstrar a mim mesmo que as pessoas estavam equivocadas. Que nos primeiros três ou quatro meses não tinham visto o verdadeiro Acosta. Por isso, agora, sinto-me feliz, pelos momentos que fui passando e pelos maus períodos que ultrapassei.

- As expectativas criadas em torno da sua vinda para Portugal não fizeram que a sua afirmação fosse mais difícil?

- Não. É verdade que se falou muito de Acosta e se disse que vinha para fazer muitos golos. Como os golos não surgiram, criou-se um mau ambiente à minha volta, pela forma como jogava e pela idade que tinha. Criou-se algo difícil de explicar, que me marcou muito. Mas tenho um carácter forte, tanto dentro como fora do campo, e sabia que, se atingisse a melhor condição, conseguiria reverter tudo isso. Foi o que aconteceu e demonstrei, na segunda época, ser verdade tudo o que de grande se dissera sobre Acosta.

- Mesmo nesse período mais negro nunca duvidou das suas capacidades?

- Não, porque eu, o departamento médico, as pessoas que estavam comigo e os meus companheiros sabíamos o que estava a passar-se. Só no balneário se sabia o que se passava com Acosta. Eu não podia estar a dizer a todo a gente o que estava a passar-se. Eu apenas tinha de continuar a trabalhar para corresponder àqueles que, realmente, acreditavam em mim, que eram os meus companheiros e a minha família, que sempre me apoiou.

- Mesmo quando soube que havia empresários mandatados para negociar o seu passe no México, acreditou que poderia vingar no Sporting?

- Eu tenho muita experiência e sei que as pessoas que rodeiam o futebol são muito hipócritas e fazem muito mal ao futebol. Só querem ganhar dinheiro. Mas eu estou há muitos anos nesta vida e conheço bem essas pessoas. Aqui, em Portugal, conheci muita gente boa e má. Sem dúvida que, nesse momento, queriam mandar-me não só para o México mas também para o Brasil. No entanto, eu sabia que estava em dívida para comigo e para com os meus companheiros e quais eram as possibilidades reais de actuar e de valorizar os meus objectivos. Depois, todos vieram pedir-me desculpa, apoiar-me.

PRINCIPAL CANDIDATO

As jogadas paralelas, os assobios dos adeptos, os "cartoons" derrotistas ajudaram Beto Acosta a buscar forças no seu íntimo e provocar o "milagre" da ressurreição.

- Não foi um milagre, embora possa ter parecido a muita gente, pois foram duas etapas muito diferentes. Entre aquilo que fiz nos primeiros quatro ou cinco meses e o que observaram na temporada em que nos sagrámos campeões. No entanto, sempre esperei a oportunidade certa, sempre esperei pela vinda de um treinador que me desse a possibilidade de jogar. No caso de um avançado, não é em duas ou três partidas que pode ver-se tudo. Inácio teve o mérito de apostar em mim, de colocar-me em campo, dizendo-me que a oportunidade era minha. Tive a sorte de aproveitá-la.

- Desde essa altura, que é que mudou na sua cabeça?

- Nada. A minha cabeça é a mesma, porque eu sei equilibrar-me muito bem. Nos momentos maus, não me deixo ir abaixo e tento sempre manter a cabeça levantada. Assim como, nos momentos bons, como o que estou a atravessar, não me convenço de que está tudo feito. Tento sempre manter o equilíbrio, pois sei que há pessoas que esperam por um mau momento de Acosta, esperam que não faça golos em três ou quatro partidas, para atacar-me. Nestes dois jogos, em que não fiz golos, já comecei a ouvir que o responsável pela derrota e pelo empate com o Real Madrid foi o Acosta, por não ter conseguido segurar a bola... Sei que há pessoas que não acreditavam que pudesse estar tão bem e estão à espera que falhe para começarem a criticar.

- Quem são essas pessoas?

- Na maioria são da Imprensa... No fundo, isso é o futebol. Por vezes, tem destas coisas. No entanto, isso sente-se no ar e não podem querer que o Acosta compreenda. Sei bem que estão à espera dos momentos maus e o que posso desejar é que não cheguem. Se chegarem, manobrarei da mesma forma que fiz na primeira época. Tentarei estar equilibrado e lembrar-me que no futebol há momentos muito maus. Todos os grandes ídolos passaram por isso.

- Diz que não responderá a quem espera pela sua queda, mas Acosta é homem de dar respostas. Lembro-me, por exemplo, da resposta que deu a Carlos Manuel, na época passada...

- A resposta dei-a em campo, fazendo os golos. No entanto, convém dizer que, por vezes, as pessoas sentem-se mais importantes do que realmente são. Já houve vários treinadores que falaram assim. Até mesmo os jogadores, que falam de mais. Dizem que o Acosta simula, que Acosta vive a atirar-se ao chão. Como resposta digo-lhes: em primeiro lugar, não me conhecem; em segundo, se olharem para o meu currículo, verificarão que já fiz mais de 300 golos. E não foi a atirar-me para o chão que atingi um número como este. Parece-me que estão totalmente equivocados, mas estamos numa democracia e podem dizer o que quiserem.

- Disse há pouco que na sua cabeça nada mudou com o êxito. E no clube? Que mudou neste ano e meio?

- Um título faz mudar muita coisa. O Sporting necessitava de um título, porque 17 anos é muito tempo. Não conseguia explicar como é que um clube tão grande como o Sporting, com uma massa associativa tão grande, não conseguia ganhar o título. Era difícil entender e explicar. Por isso, necessitávamos de obter esse título. E isso mudou tudo, porque foi necessário convencer os jogadores e o balneário de que realmente podíamos chegar lá. Sentimos toda a força, ao verificar que havia jogadores que davam o limite, ou um pouco mais, para poder jogar. Era como um pacto que fizemos no início de época.

- As mudanças directivas tiveram também um impacte positivo sobre o plantel?

- Foi importante, porque, durante este período, os novos dirigentes, bem como o presidente Roquette, estiveram sempre connosco. Espero que este triângulo - equipa técnica, jogadores e dirigentes - não se rompa. Se queremos atingir os nossos objectivos, ele tem de continuar unido. Até agora, tem sido assim.

- Resultado desta ligação forte, o Sporting é campeão e parte como principal candidato ao título. Uma responsabilidade acrescida?

- Essa responsabilidade não nos assusta, porque somos campeões e há que lutar muito para defendermos esse estatuto, pois lutámos tanto para consegui-lo e não queremos que cheguem aqui a Alvalade e o roubem. Queremos mantê-lo e o Sporting, por tudo o que representa, é o candidato número um para ser campeão. É certo que há outras equipas que também lutarão por esse título, mas o Sporting tem de assumir a responsabilidade... e tratar de não cometer erros, para que o título fique outra vez em Alvalade.

"TODOS SABEM QUE É UMA DECISÃO DIFÍCIL"

Alberto Acosta confessa, sem rodeios, sentir-se bem no nosso País. E apresenta a filha nascida recentemente em Portugal como prova de estar perfeitamente integrado e adaptado à nossa realidade.

"Tomámos a decisão de termos uma filha em Portugal e todos sabem que, por vezes, essa é uma decisão difícil, mas não houve qualquer problema", referiu Acosta, acrescentando: "Claro que o bom momento que estou a atravessar no Sporting também me ajudou a tomar essa decisão. Muitos me disseram que seria melhor ela nascer aqui, que não haveria qualquer problema."

Esta identificação com o País poderá significar que Acosta coloca a possibilidade de continuar em Portugal e de jogar mais alguns anos no Sporting? O avançado não abre o jogo. Diz apenas que continuará a jogar enquanto sentir prazer: "Eu sempre digo que, enquanto sentir vontade de treinar e de jogar, vou continuar. Pois eu quero deixar o futebol e não quero que o futebol me deixe a mim. Tenho isso bem claro. Não tenho medo de abandonar o futebol e sei que, à medida que o tempo passa, são menos os anos que vou jogar. No entanto, enquanto me divertir a jogar futebol, vou continuar a fazê-lo. Não coloco um prazo", argumentou.

ACOSTA ESTÁ DE PARABÉNS

No dia em que completa o seu quinquagésimo jogo na I Liga com a camisola do Sporting, que melhor presente poderia Beto Acosta dar aos adeptos leoninos, que não golos. Muitos golos.

Todos os que podem exigir-se a um “Matador”, que teve sérias dificuldades para conquistar os corações leoninos. Uma viagem no tempo, que levou o goleador argentino a recuar ao dia em que se apresentou a Jozic e o trouxe de volta à actualidade. Ao dia de sábado, em que completa o jogo...

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