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O conquistador no meio-campo leonino prima pela discrição dentro e fora do relvados. Assume que o grande prazer pessoal está em fazer brilhar os outros e tentar cumprir com distinção o papel secundário, que diz estar-lhe destinado pela posição que ocupa
RECORD – Tem sido uma das figuras do Sporting ao longo desta temporada. Sente que já conquistou o seu espaço na equipa?
CUSTÓDIO – Até aqui estou a fazer um bom campeonato, as coisas estão a correr bem para mim e para a equipa. Quando o colectivo funciona, fica mais fácil um ou outro jogador aparecer. Daqui para a frente ainda poderão aparecer outros jogadores, que até possam ter estado mais apagados até aqui. A equipa está forte e as coisas estão a correr-me bem, mas por uma questão de respeito para com os meus colegas não vou dizer, até porque não me sinto, um titular indiscutível.
RECORD – É opinião quase unânime que o Custódio é um jogador discreto em campo, que, sem se dar muito por si, é de extrema utilidade. Não há alguma amargura da sua parte em dedicar-se tanto ao trabalho de equipa e não dar nas vistas como outros jogadores?
CUSTÓDIO – Não, de forma alguma. O meu prazer em jogar futebol também está nisso, na forma como trabalho para a equipa. O meu maior prazer é fazer brilhar aqueles jogadores que têm de brilhar e a equipa vencer. Essas são as minhas principais vitórias pessoais.
RECORD – A época passada já tinha sido titular em quase toda a temporada e só falhou alguns jogos por lesão. Não acha estranho que só agora se comece a falar mais em si?
CUSTÓDIO – É normal, as pessoas foram reconhecendo o meu valor com o passar do tempo e quantos mais jogos fizer melhor será. Espero continuar a este nível e reconheço que o facto de ter feito alguns golos também tem ajudado.
RECORD – Precisamente. Tem feito alguns golos decisivos. Essa veia goleadora estava escondida até aqui?
CUSTÓDIO – Os meus golos aconteceram quase todos de bola parada e também não posso fazer muitos, devido à minha posição mais atrasada no terreno. Com os batedores de extrema qualidade que temos para cantos e livres, é normal fazer esses golos. Vou sempre com a plena convicção que posso marcar.
RECORD – Com José Peseiro tem maior liberdade no terreno que tinha no ano trasacto com Fernando Santos?
CUSTÓDIO – É verdade. O próprio treinador pede-me para fazer movimentos que na época passada não me pediam e penso que se deve também a uma maior maturidade da minha parte, já que sei fazer melhor a posição e aproveitar os espaços a nível ofensivo.
RECORD – Muitos desses golos têm surgido de cabeça e de uma forma que, inclusive, já levou a comparações com os tentos obtidos por Costinha no FC Porto.
CUSTÓDIO – São golos de bola parada, é normal que existam comparações. Eu próprio reconheço algumas semelhanças nessas situações. Mas “ministro” há só um...
RECORD – No entanto, a época não começou muito bem no plano pessoal, já que não fez parte das opções do treinador. Teve outra vez de ganhar a pulso um lugar na equipa?
CUSTÓDIO – O passado não conta para nada, o que conta é o presente, portanto o facto de ter sido titular a época passada não me dava vantagem nenhuma. Tinha de convencer o treinador para ganhar um lugar na equipa. Quando não estava a jogar pensava exactamente da mesma forma e tinha plena consciência que devia continuar a trabalhar para a minha oportunidade aparecer. É precisamente aquilo que pensam todos os jogadores que neste momento não estão a jogar.
RECORD – Há grandes diferenças na forma de trabalhar de José Peseiro e Fernando Santos?
CUSTÓDIO – Claro que existem grandes diferenças. Cada treinador tem a sua forma de trabalhar, a sua identidade. São dois bons treinadores e tanto um como outro têm ainda muito para dar ao futebol.
RECORD – O Sporting iniciou a temporada com resultados muito aquém das expectativas, tal como tinha terminado a época anterior. Curiosamente, nestas duas fases o Custódio e o Rochemback não estavam a jogar. A vossa ausência foi determinante?
CUSTÓDIO – Não vou por aí. Considero que não é normal o Sporting perder, mas é normal que, tendo um novo treinador, exista um período em que é necessário que ele conheça os cantos à casa. Foi uma fase de adaptação e os resultados que vieram a seguir comprovam esta minha tese.
RECORD – Não acha que o treinador colocou uma pressão exagerada quando, no início da época, afirmou que queria ganhar tudo?
CUSTÓDIO – Pressão? Os jogadores que estão no Sporting sabem perfeitamente que essa pressão existe sempre, pois é um clube que tem de ganhar títulos e entrar em todas as competições para vencer. O treinador não colocou pressão nenhuma nos jogadores, apenas lembrou o que tínhamos de fazer, mas isso já nós sabíamos.
RECORD – Como é que os jogadores viveram aquela altura em que os adeptos pediam a demissão do treinador?
CUSTÓDIO – Os jogadores do Sporting deixam essas questões de lado. Tentamos não ligar a esse tipo de coisas, por que sabemos que quando as equipas não ganham o normal é os adeptos pedirem a cabeça do treinador. A nós compete-nos tentar ganhar os jogos e nada mais.
RECORD – Apesar dos recentes bons resultados, a equipa continua a ter uma média de golos sofrida bastante elevada. Sendo um jogador de características defensivas, a que se deve este factor?
CUSTÓDIO – A essa pergunta respondo exactamente com os golos que marcamos. Somos uma equipa que ataca muito e é natural que também soframos alguns golos. Em determinadas alturas dos jogos podíamos encolher-nos no campo, mas não o fazemos, e por isso considero esse factor normal. Somos uma equipa de ataque e não interessa sofrer dois se conseguirmos marcar quatro, como em sucedeu em Guimarães.
RECORD – Depois de toda a turbulência no ínico da época, considera que o Sporting tem condições para ser campeão?
CUSTÓDIO – Penso que este Sporting tem estofo de campeão, e se continuarmos a trabalhar da mesma forma que o temos feito, acredito que vamos conseguir o nosso principal objectivo, que é o campeonato.
RECORD – Fala-se muito em contratações nesta altura. Considera que este grupo era suficiente para o Sporting chegar ao título?
CUSTÓDIO – Os jogadores que estão são suficientes para chegar ao título. Disso não tenho dúvidas. Mas os responsáveis é que sabem.
RECORD – O Benfica é o adversário ideal para começar 2005?
CUSTÓDIO – Isso dos adversários ideais depende sempre do resultado. Se ganharmos ao Benfica será certamente o adversário ideal.
RECORD – Costuma dizer-se que, normalmente, quem está pior ganha o "derby". Quem é o favorito nesta altura?
CUSTÓDIO – Neste momento nenhum está mais fraco, estão os dois com 28 pontos. Estes jogos são completamente diferentes, vai ser de igual para igual. O único factor que nos pode atribuir favoritismo é jogarmos em Alvalade, mas nestes encontros não há muito isso de jogar em casa ou fora.
RECORD – Na época passada, em Alvalade, não ganharam nem a FC Porto nem ao Benfica. Há um dívida de gratidão para com os adeptos no que diz respeito a estes clássicos?
CUSTÓDIO – O que conta no final é sermos campeões. Claro que é mais fácil chegar ao título ganhando todos os jogos. Toda a gente sabe que um Sporting-Benfica é muito mais que um simples um jogo, há uma rivalidade intensa e os adeptos querem vencer, tal como os jogadores.
RECORD – O FC Porto, por tudo aquilo que investiu e pelo facto de ser o actual líder, é o grande adversário na corrida pelo título?
CUSTÓDIO – É o FC Porto, o Benfica e também o Boavista que se está a intrometer nos primeiros lugares da classificação. Sã equipas com bons plantéis, mas acredito que o Sporting vai ser superior a todas elas.
RECORD – Também partilha da opinião que esta época o campeonato está mais competitivo?
CUSTÓDIO – Penso que a classificação confirma essa tese. Antigamente, as equipas que jogavam com os "grandes" actuavam apenas para o ponto e hoje em dia já se vê que todos arriscam em busca da vitória.
«Pés bem assentes para a Taça UEFA»
Peseiro definiu a Taça UEFA como um dos objectivos dos leões esta temporada, até pelo facto de a final se disputar em Alvalade, mas Custódio recomenda alguma prudência na abordagem à competição.
"O treinador sabe bem o valor da nossa equipa. Todos partilhamos essa ideia, mas todos sabemos as grandes equipas que estão na competição e o orçamento de que dispõem. Há que ter os pés bem assentes na terra e pensar eliminatória a eliminatória", refere, repartindo o favoritismo entre os leões e o adversário que o sorteio colocou pelo caminho: "O Feyenoord é uma equipa bastante complicada – será 50 por cento de hipóteses para cada lado. Temos a vantagem de jogar primeiro em casa, onde temos de fazer um bom resultado para depois gerir a eliminatória em Roterdão."
«Acredito que o clube não vai fazer muito dinheiro comigo»
É um sonho comum a quase todos os jovens, mas Custódio refuta incluir no seu pensamento uma transferência para o estrangeiro a curto prazo. "Neste momento não penso nisso. Quero ser campeão no Sporting, é esse o meu grande objectivo. Todos os jogadores têm a tendência a sonhar alto e chegar o mais longe possível. Gostava de experimentar outros campeonatos, mas não tenho pressa em sair. Se um dia der esse passo, que seja um passo seguro, mas não é uma coisa que me atormente nem que perca muito tempo a pensar", lembra.
No entanto, e apesar de reconhecer a necessidade da SAD leonina em transferir algumas das suas jovens pérolas como sucedeu no passado recente, o camisola 27 não acredita que o clube consiga um negócio milionário. "A minha situação é complicada. O Quaresma e Cristiano Ronaldo, por exemplo, actuam em posições no terreno que valorizam muito e surgiram propostas muito apetecíveis ao Sporting. Acho que isso não se passará comigo, porque jogo numa posição completamente diferente e que não valoriza muito, em termos de mercado, o jogador. Nunca se irão atingir preços de outro mundo e o Sporting não irá fazer muito dinheiro comigo. Não será pela minha transferência que o clube vai estabilizar no plano financeiro", vaticina.
Mas, a emigrar, Custódio não tem dúvidas em apontar o seu campeonato de eleição. "A inteligência do jogo do campeonato italiano atrai-me bastante. A nível táctico é dos melhores do Mundo", afirma.
«A minha geração foi indisciplinada uma vez»
Pertencente a uma geração já denominada de prata do futebol português, o médio leonino recusa a ideia que se trate de uma "fornada" de talentosos jovens jogadores que até à data se têm revelado indisciplinados. Custódio assume erros, nomeadamente o do famoso balneário destruído em França, mas lembra que todos pagaram pelo sucedido.
"Posso falar apenas nas situações em que estive presente. Houve uma situação em França em que todos nós temos de assumir o erro que cometemos. A minha geração foi indisciplinada uma vez e pagámos por isso. Mas não é por um erro que temos de ser apelidados de indisciplinados para o resto da vida. Desde aí, que tenha visto, não aconteceu mais nada e penso que temos crédito para ser desculpados. Quem nunca cometeu erros na vida?", questiona.
Apesar de titular no Sporting, Custódio tem sido, não raras vezes, suplente na Selecção Sub-21, facto para que nem o jogador encontra explicação. "São situações que me ultrapassam. Trabalho como o faço no clube, tal e qual. Quanto estou na Selecção dou tudo e mais alguma coisa, mas o treinador é que decide", sublinha, garantindo que não está na suas cogitações convencer Scolari para o chamar para o Mundial'2006: "Em 2006 espero estar no Europeu de Esperanças. Apenas isso."
«Pessoas em Guimarães gostam demais do clube»
O médio leonino tem um orgulho extremo em ser vimaranense. Fala com emoção da cidade onde nasceu e onde despontou para o futebol nas camadas jovens do Vitória e lembra com nostalgia os tempos em que andava quilómetros, sob um frio intenso, só para ter o prazer de se treinar no clube que ficará para sempre no seu coração. Apesar de ser um filho da casa, Custódio não encontra explicações para os constantes problemas que se têm verificado nas bancadas do D. Afonso Henriques. A não ser a devoção "exagerada" dos adeptos.
"Os adeptos do Vitória de Guimarães são mesmo assim, vivem bastante o jogo, por vezes até em excesso, como aconteceu recentemente com o Sporting. Acredito que é algo que deve preocupar os dirigentes do Vitória. Os adeptos gostam demais do clube, por isso acontece isto. No entanto, por alguns terem essas atitudes não quer dizer que todos os vimaranenses sejam assim", afiança.
«Pescar com o meu pai dá-me tranquilidade»
Tranquilidade e descrição são características que Custódio transporta também para fora dos relvados. Casado desde os 18 anos e pai babado de um filha de apenas quatro meses, o médio leonino opta na maioria das vezes por usufruir da companhia da família sempre que não está em treinos, estágios ou jogos.
"Gosto muito de estar em casa com a minha família, a ver filmes e coisas do género", refere. No entanto, sempre que se desloca a Guimarães, Custódio tem oportunidade de realizar um dos seus "hobbies" favoritos. "Gosto muito de pesca. Pescar com o meu pai dá-me muita tranquilidade e o convívio com amigos e familiares é algo de que gosto bastante. Bom pescador? Bem, nem por isso. Já pesquei alguns peixitos, mas nada de especial", graceja.
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