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Vítor Damas é hoje homenageado em Alvalade, num dia que marca também a passagem do 34º aniversário da estreia pela Selecção, ocorrida a 6 de Abril de 1969. O antigo guarda-redes deu à baliza uma dimensão nunca vista em Portugal. Foi um fenómeno de popularidade num lugar de parca visibilidade, mas o "Eusébio do Sporting" nem sempre teve uma relação pacífica com o clube do coração
No largo do leão
Vítor Manuel Afonso Damas de Oliveira é um miúdo muito activo que faz do Largo do Leão, na Estefânia (Lisboa), o palco dos sonhos. Com a malta, dá pontapés na bola e imagina fazê-lo um dia no Sporting. "Quero ser um grande avançado", dizia aos amigos. Mas os putos grandalhões olhavam-no com desdém e colocavam-no no seu lugar: "Se queres jogar connosco só na baliza." Porque ninguém queria ir para a baliza. Sendo o mais novo, não podia contestar e lá ia posicionar-se entre as pedras que faziam de postes, remoendo palavrões dos anos cinquenta.
Quando surgiu "Os Neptunos", uma equipa treinada por Mário Paz, defesa do Belenenses, já tinha percebido que o seu lugar era jogar com as mãos. A história continua como tantas outras no futebol: "Um dia, um senhor veio perguntar-me se queria ir para o Sporting..." Chamava-se Dr. Trentones e, da janela de sua casa, assistiu a muitos jogos da miudagem da zona.
Olha para mim, pai
António Damas Oliveira era um "lagarto" dos sete-costados. Por isso, quando o filho lhe contou a novidade, anuiu com orgulho. O jovem Damas colocou-se às ordens do argentino Imbeloni e iniciou a aprendizagem no covil do Leão. O primero jogo a sério aconteceu contra o Benfica, no Torneio de Lisboa de juvenis. "Nos dias anteriores todo eu era uma pilha. E quando entrei no campo, este pareceu-me um mundo", disse. O nervosismo traiu-o e originou dois golos. "Saí debulhado em lágrimas."
No ano seguinte, em 1962, o Sporting alcançou o título nacional de juvenis e Damas foi autorizado a jogar, com apenas 15 anos, nos juniores. Estava cada vez mais perto da baliza defendida pelos ídolos Azevedo e Carlos Gomes. Aos 17, assinou o primeiro contrato profissional: 20 contos de "luvas" e 3 contos de ordenado mensal. A 22 de Janeiro de 1967, na festa de homenagem a Vicente Lucas, agarrou a oportunidade e, aos 19 anos, revelou-se alternativa séria ao "magriço" Carvalho.
Demorou ainda uma época a impor-se, mas, em 1968/69, já era dono e senhor da camisola nº 1 e, acima de tudo, tornara-se num fenómeno muito particular no futebol português. O jeito de galã, o estilo, o estrelato, fizeram dele o "Eusébio do Sporting" nos seis anos seguintes. Não raras vezes os adeptos deslocavam-se aos estádios do País para verem... um guarda-redes.
Assobiado até Espanha
Num longo período de dezasseis anos - desde que chegou a Alvalade, com 12 anos, até completar 28 -, Vítor Damas agarrou uma carreira brilhante, mas a tarde de 14 de Março de 1976 haveria de ser fatídica. O Sporting empatou em casa com o Académico de Coimbra (3-3) e a massa associativa atirou-se a Damas, assobiando-o e insultando-o. O guardião pediu para ser substituido após o terceiro golo sofrido e Juca fez-lhe a vontade. Acabava assim, triste, a relação com o clube do coração.
Convém explicar, no entanto, a polémica gerada na semana que antecedeu o jogo. Damas recusara negociar a renovação do contrato com João Rocha e os rumores de uma mudança para o FC Porto, pela mão do seleccionador e futuro treinador dos dragões, José Maria Pedroto, ganhavam forma. Daí a reacção dos adeptos. Mas o guarda-redes não ingressou no FC Porto, que lhe oferecia o dobro do ordenado de leão. Viajou até Espanha e assinou com o Racing Santander um contrato ainda mais vantajoso.
Uma segunda vida
competitivo, que conseguiu dar outra estatura às minhas capacidades." Mas a descida de divisão, apesar dos seus milagres, apressou o regresso a Portugal. Tinha 32 anos e só pensava em Alvalade. Teria de esperar. Primeiro veio o V. Guimarães e depois o Portimonense.
Em 1984, João Rocha ouviu uma entrevista do guardião na rádio, em que este espressava o seu maior desejo. O presidente leonino gostou do que ouviu e, no dia seguinte, fez o convite. Regressou a Alvalade, encontrando John Toshack no comando da equipa e por lá ficou cinco épocas. Em Dezembro de 1987 fracturou a omoplata, mas nem assim desistiu. Recuperou, ainda jogou em 1988/89 e só pendurou as luvas após um jogo em Viseu (2-2). Tinha 41 anos e, nas futeboladas no Largo do Leão, não sonhara com tanto.
O mito
Taça das Taças 71/72. O Sporting perdera em Glasgow com o Rangers por 2-3, na segunda eliminatória. Alvalade recebeu a equipa escocesa a 3 de Novembro e viveu uma noite fantástica. No final dos noventa minutos, os leões venciam por 3-2. No prolongamento, um golo para cada lado. Pelas novas regras, o Rangers estava qualificado mas o árbitro não se lembrou delas e levou o jogo para os "penalties". Damas defendeu três e os adeptos invadiram o relvado, levando-o em ombros. Quando os escoceses também começaram a festejar, a confusão estava instalada. Não havia nada a fazer, o Sporting perdera mesmo a eliminatória e a noite gloriosa de Damas não servira para nada.
QUEM É QUEM
NOME
Vítor Manuel Afonso Damas de Oliveira
Data de nascimento: 8 de Outubro de 1947, em Lisboa
CARREIRA
Clubes: Sporting (66/67 a 75/76; 84/85 a 88/89); Racing Santander (76/77 a 79/80); V. Guimarães (80/81 a 81/82); Portimonese (82/83 a 83/84).
PALMARÉS
Campeão nacional (69/70 e 73/74); Taça de Portugal (70/71, 72/73 e 73/74)
I Divisão: 417 jogos
Selecção: 29 jogos
Competições europeias: 52 jogos
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