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No plantel leonino há um jogador que pode ser campeão pelo segundo ano consecutivo, agora ao serviço do Sporting. Rui Bento revela-se prudente, com os pés bem assentes no chão, mas não esconde o que vai na alma do leão
– A TRÊS jornadas do fim, já se fala do título no balneário?
– (sorriso) Não, não falamos. O balneário do Sporting tem-se mantido tranquilo, tanto na fase em que as coisas não correram bem, no início do campeonato, como agora em que estamos a conseguir aliar resultados a exibições, a marcar golos, a jogar bem. Não entramos em euforias, pelo contrário, até gostamos de dizer que estamos cépticos. Preferimos ver as coisas concretizadas, e então se tivermos que festejar, festejamos.
– Céptico? Não está a ser negativista? Faltam duas vitórias em três jogos...
– No futebol, as coisas são aquilo que matematicamente os pontos ditam. Quie ninguém duvide que estamos confiantes, motivados para conseguir um objectivo que assumimos desde o primeiro dia, sem qualquer tipo de receios. Mas vamos encarar estes três jogos da mesma forma que encarámos todos os outros. E esperamos que o nível exibicional que temos vindo a conseguir patentear neste último terço do campeonato se mantenha. E se isso se mantiver é o suficiente para chegarmos ao fim em primeiro lugar.
– Esse é um discurso muito prudente....
– As palavras valem o que valem, as acções é que contam. De que serve estar a falar no balneário que "vamos ganhar" se depois se chega ao campo e a forma de reagir não é a melhor. É no campo que se vêem as equipas. E hoje esta equipa do Sporting é mais racional em campo.
– A nível individual, pode sagrar-se bicampeão, em duas épocas consecutiva, por clubes diferentes. Algum sentimento especial?
– Sim, é algo especial... Em dois anos conseguir dois títulos é qualquer coisa que nos marca, para mais em mim que consegui ser campeão pela primeira vez aos 29 anos. Todo o esforço, todo o trabalho que tenho desenvolvido começa agora a traduzir-se em títulos, o que me deixa muito satisfeito.
– Admitem deixar fugir o título?
– Sinceramente, não estou a ver deixarmos fugir esta oportunidade, mas é como lhe digo: prefiro dizer que estou céptico. A prudência nas coisas do futebol é fundamental, e às vezes até falta alguma a muita gente. As coisas só se conquistam com pontos, e a conquista só é conseguida quando não há hipóteses de mais alguém lá chegar. Também há que ter respeito pela equipa que está a lutar pelo título.
– Entretanto, vem aí o Benfica...
– Na sua essência é mais um jogo. Jogamos em casa, queremos vencer. Vamos entrar para o jogo com a mesma atitude, com o mesmo respeito pelo adversário, procurando executar aquilo que treinamos. Estamos identificados com a equipa do Benfica. E depois é jogar as nossas armas e tentar ser melhor em todos os domínios do jogo.
– Algum sentimento especial por ir defrontar um antigo clube?
– Não. Já defrontei várias vezes o Benfica. Não existe nada que possa mexer comigo, além do respeito próprio que tenho pela instituição.
– O Boavista promete luta até ao fim...
– Pela forma de encarar todas as competições em que entra, o Boavista vai lutar até ao fim. Sei que tipo de espírito existe, que tipo de mentalidade impera naquele clube. Sei que eles não são gente de desistirem, enquanto for possível vão lutar.
– O Sporting joga um futebol mais atraente, o Boavista mais físico, numa aposta clara em não deixar jogar o adversário. Concorda?
– São duas equipas que têm dois tipos diferentes de encarar o jogo. O Sporting, pela vocação dos seus jogadores da frente, joga um futebol romântico, bonito, com algum espectáculo, em ataque organizado. João Pinto, Pedro Barbosa, Hugo Viana, Quaresma, Tello são todos jogadores que têm magia dentro deles, nunca se sabe muito bem que tipo de movimento fazem, são imprevisíveis. O Boavista é uma equipa com grande rigor defensivo, com grande capacidade de pressão sobre os adversários, retirando-lhes tempo e espaço de raciocínio, capacidades que conseguiram fazer do Boavista também uma excelente equipa.
– Porque aceitou o convite do Sporting?
– Desde muito cedo que afirmei que a minha carreira não acabaria no Boavista. Reflecti muito no que faria e senti que depois de nove épocas no Bessa necessitaria de dar mais alguma chama a mim próprio, procurar novos desafios e fugir à saturação própria que nove anos causam num jogador.
– Podia ter continuado a jogar na Liga dos Campeões ....
– Mas mais do que a Liga dos Campeões o que dificultou a minha saída foi o facto de ter sido muito bem tratado enquanto representei o Boavista. Nove anos num clube não se apagam facilmente.
– O Sporting é uma aposta ganha?
– É uma aposta que pode vir a ser vitoriosa. Quando me foi proposto representar o Sporting não tive grandes hesitações, as coisas resolveram-se em uma/duas horas. As negociações foram fáceis. A equipa do Sporting inspirava-me confiança, embora soubesse que iria ter muitas dificuldades para garantir um lugar no onze. E vim à luta, sem receios e procurando ser mais um para ajudar.
– De início, Bölöni confiou o centro do terreno à dupla de Bentos. Mas depois o Rui "desapareceu". Que aconteceu?
– Fui um dos jogadores que conseguiu resistir àquela onda menos boa que o Sporting conheceu no início do campeonato. Joguei sempre mas acabei por me afastar do onze, em Paços de Ferreira, quando a equipa estava numa fase ascendente. Em Paços, joguei só 45 minutos: já nos períodos de descontos tive um problema muscular que me obrigou a parar. Saí da equipa em Paços com o resultado em 4-0. Fiquei pouco mais de um mês sem competir. Seguiu-se um tempo de arregaçar as mangas e começar um percurso difícil, muito difícil. Não era fácil atingir o nível em que a equipa estava. Foi com grande custo e trabalhando muito que regressei ao onze.
– No regresso à equipa deu-se a coincidência de voltar a fazer dupla com Paulo Bento e uma série de jogos sem o Sporting sofrer golos. Coincidência ou, de facto, a equipa fica mais consistente com os Bentos no meio-campo?
– ...
– É fácil jogar com Paulo Bento?
– É fácil jogar com o Paulo [Bento], como é fácil jogar com qualquer jogador. A equipa do Sporting tem excelentes executantes, com um nível superior. As pessoas dizem que devia atacar mais, procurar situações ofensivas, mas acho que é mais importante para a equipa desempenhar outro tipo de função do que propriamente participar muito nas acções ofensiva. Nos jogos em casa, o Sporting tem um pendor ofensivo com 5/6 jogadores a aparecerem na área, o que permite que o adversário possa ter espaços para contra-atacar. Com 30 anos, já consigo analisar o que é mais importante para a equipa. É o que tenho procurado fazer, sabendo que por vezes não é isso que as pessoas gostam, mas é o que é útil à equipa.
– Joga de maneira diferente daquela em que jogava no Boavista?
– De maneira diferente, não. No Sporting estou a jogar um bocadinho descaído para a direita, no Boavista jogava assumidamente no centro. É a única diferença que existe.
– Gosta mais de jogar em que registo, no do Boavista ou no do Sporting?
– São estilos diferentes, mas tanto um como outro dão gozo. Dava-me gozo no Boavista impedir que as outras equipas conseguissem jogar. Agora, no Sporting procuro também fazer isso. As pessoas exigem-me mais, querem que eu jogue mais para a frente. E eu tenho procurado desenvolver isso também.
– Já percorreu todos os lugares da defesa. Nos últimos anos tem-se afirmado no meio-campo. Qual é a posição onde rende mais?
– O centro é realmente a minha zona. Estando descaído para um lado como para outro, tenho que reconhecer que, por vezes, sinto dificuldades. Hoje tenho menos do que tinha há alguns anos. O centro para mim é ou a central ou à frente da defesa. Quando jogava no Benfica, no tempo de Eriksson, jogava na sobra da defesa, agora jogo na sobra do meio-campo. A forma de encarar o jogo tem quase os mesmos princípios.
– Estava à espera de métodos tão duros no estágio de pré-época em Rio Maior?
– Não. O início de época com Eriksson, por exemplo, e com Bölöni foram completamente diferentes. Não há semelhanças. São treinadores com princípios idênticos, mas com métodos diferentes. Normalmente, e da experiência que vou tendo, um estágio quando é forte a equipa no primeiro mês/mês e meio ressente-se. Mas um início de época destes tem repercussões a época inteira. E realmente a equipa do Sporting não tem tido grandes oscilações em termos físicos. Tenho falado com alguns jogadores que me têm dito que com Materazzi a pré-época também foi fortíssima. A equipa foi campeã e evidenciava uma excelente forma. Pode ser coincidência, mas....
– Jardel é fundamental nesta equipa do Sporting?
– Os números e golos que têm marcado dizem que sim. Mas não nos podemos esquecer do João [Pinto], do Pedro [Barbosa]. Não gosto de individualizar jogadores. Jardel tem sido quem define as situações, quem marca os golos, mas há muito trabalho por trás para permitir que quem joga na frente se sinta mais à vontade, possa pensar que "se posso atacar é porque tenho as costas guardadas".
– João Pinto está a realizar a melhor época de sempre?
– Para mim é a melhor época do João. A aparição dele no Boavista também é uma excelente época, mas esta temporada está a trazer ao de cima toda a riqueza que ele tem como jogador, todo o encanto com que vive o jogo.
– Dez anos depois de ter servido de "moeda de troca" na ida de João Pinto do Boavista para o Benfica acabaram por juntar-se no Sporting...
– Já falámos sobre isso. Uma das coisas que ele me disse foi: "Já me safei de um que me andava a chatear atrás de mim durante os jogos".
– Com Niculae e Sá Pinto, o Sporting já teria assegurado a conquista do título?
– O Sporting teria uma equipa mais forte. São dois jogadores que dão tudo à equipa em termos de entrega e devoção. Temos falado no balneário e já acertámos que queremos oferecer o título a Niculae e Sá Pinto. Queremos oferecer-lhes o palco da Liga dos Campeões. É uma forma de realizarem mais jogos, aqueles que perderam este ano, para poderem mostrar o seu valor.
– São os grandes reforços do Sporting para a próxima temporada?
– É difícil ir buscar jogadores com maior potencial que eles. São, sem dúvida, dois grandes reforços para a próxima época.
"Torço pela selecção"
– A opção de deixar o Boavista e vir para o Sporting também teve a ver com uma aposta em regressar à selecção nacional?
– No Boavista fui chamado à selecção e ainda estive em alguns jogos da fase de qualificação. Entretanto vim para o Sporting e, no inicio de época, mantinha essa esperança. As coisas não estavam a correr como desejávamos em termos de rendimento e quando começava a sentir-me bem saí da equipa. Ás vezes, as coisas acontecem na pior altura. Dá-se espaço a outras pessoas que têm as suas oportunidades que as agarram com todo o mérito. E o que nos resta fazer? Trabalhar o melhor que sabemos.
– Tem esperança ainda de ir ao Mundial?
– Todos os jogadores que falam, dizem que sentem que mereciam e que têm esperança de estar lá. A esperança é legítima, mas também penso que viver obcecado com esse tipo de situações não nos leva a lado nenhum. As decisões são com as pessoas que gerem os destinos da selecção. Que levem os melhores, que terão sempre um torcedor deste lado.
– Sem mágoa, portanto?
– Não há razão para ter mágoa. Há que respeitar sempre as decisões de quem manda. Sei que não se pode levar toda a gente, sei também que há um conjunto de jogadores que têm estado juntos estes anos todos o que de alguma forma dá uma garantia ao seleccionador.
"Dobradinha seria óptimo"
– Mais do que vencer o campeonato nacional, o Sporting pode este ano conseguir a "dobradinha" se vencer a Taça de Portugal...
– Isso seria uma situação inédita para mim. Ganhei todas as provas nacionais ao serviço do Boavista (Campeonato, Taça e Supertaça), mas a "dobradinha" seria, de facto, a primeira vez. Gostava de a conseguir, seria óptimo, logo no primeiro ano numa casa nova, que me acolheu muito bem, com gente que tem demonstrado que gosta de mim.
– O Leixões é um adversário acessível...
– Prudência e respeito fazem parte do nosso vocabulário. O Sporting é realmente mais forte que o Leixões, mas têm que por vezes descer ao nível dessas equipas para as respeitar. O Sporting na Taça de Portugal, por exemplo, já jogou este ano com equipas de escalão infeior, e soube pôr-se ao nível delas, respeitá-las e de alguma forma dignificar também o espectáculo.
"Viana e Quaresma com grande futuro"
"A experiência que Hugo Viana e Quaresma podem ganhar se forem campeões na primeira época, dá-lhes uma grande bagagem. Não é fácil encontrar um clube que forme e ganhe, mas a política de reforços do Sporting de há uns anos para cá tem sido uma política equilibrada. Eles enquadraram-se muito bem no espírito da equipa, são responsáveis, grandes profissionais e têm um futuro muito grande à frente deles."
"Projecto do Sporting é ambicioso"
"A Academia de Alcochete é um passo importante para o futuro do Sporting. O projecto do clube é muito ambicioso que se inicia nas camadas jovens. Este projecto está a desenvolver-se com um profissionalismo e um rigor que eu próprio desconhecia. Está-se a trabalhar muito sério no Centro de Formação. Já estivemos lá a treinar e deu para constatar que as instalações são óptimas, é um sítio recatado."
"Grandeza do Sporting é ímpar"
"A grandeza dos clubes é diferente. A do Sporting é ímpar. De resto, são dois clubes bem organizados. Deixei um balneário excelente no Bessa, encontrei em Alvalade excelente balneário. As diferenças não são muitas, se calhar por isso é que são as duas equipas que vão à frente, as que também se reforçaram menos."
"Arbitragens não nos beneficiam"
- O Sporting tem sido beneficiado pelas arbitragens?
- Acha?! Sinceramente acho que não, e digo isso com a convicção de que estou a ser uma pessoa honesta. A forma de jogar do Sporting é complicadíssima para os adversários. Tem jogadores que provocam situações de um para um, são jogadores de slalom, complicados de marcar. Já estive do outro lado e sei o quão difícil se torna a tarefa de marcá-los.
"Milan surgiu cedo de mais"
– O Milan surgiu cedo de mais no caminho do Sporting?
– Talvez tenha aparecido cedo de mais. A equipa do Sporting fez dois bons jogos, com algumas contrariedades: eu estava aleijado, o Viana e o Quaresma estavam na selecção sub-19, o Sá [Pinto] também não pôde jogar. Foi um conjunto de factores que contribuiu para não termos apresentado a nossa equipa mais forte. O ser eliminado tem duas formas de ser encarado: dizer que "não fizemos tudo o que esteve ao nosso alcance", ou então "fizemos tudo e os outros foram superiores". O Sporting jogou muito bem em Milão, teve o jogo controlado, teve as primeiras ocasiões de golo mas não as conseguiu concretizar. Foi aí que tivemos o maior problema. Sabendo-se como são as equipas italianas, rigorosas a defender, a partir do momento em que não marcámos, a nossa missão tornou-se muito difícil."
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