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Esquerdino do Sporting voltou recentemente aos relvados após uma grave lesão no joelho direito. O testemunho na primeira pessoa do atleta que sentiu "algo rebentado dentro do corpo"
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Num espaço de 15 meses, Nuno Santos viveu um turbilhão de emoções e chegou a colocar em cima da mesa a hipótese de pendurar as botas. Afastado dos relvados por um longo período de tempo fruto de uma lesão grave - rotura total do tendão rotuliano do joelho direito - sofrida ainda a 26 de outubro de 2024, o esquerdino do Sporting superou contrariedades e, agora, num testemunho emocionado reproduzido pelo clube de Alvalade, relatou todo o processo por que passou.
No fundo, o lateral de 31 anos passou por várias fases, desde não conseguir mexer sequer a perna direita até aos primeiros toques com a bola no relvado da Academia em Alcochete, só que nem tudo foi um mar de rosas. E Nuno Santos contou isso tudo na primeira pessoa. "Tive muitos momentos em que pensava em desistir. Não consigo perceber como consegui ultrapassar isto. Não consigo descrever. É passar barreiras e desafios atrás de desafios. Olho para trás e dá-me angústia. É a mesma coisa que tirar o maior prazer de uma pessoa na vida. Tive muitos momentos em que pensei várias vezes em desistir. A mim foi como tirar-me um sonho de menino", assumiu um dos elementos mais experientes do plantel leonino, o qual, ainda em 2023/24, sofreu a terceira lesão grave da carreira num dos joelhos.
"Senti a minha perna a falhar e senti que tinha partido alguma coisa. Tinha-me ficado a perna para trás. Não tive a dor no joelho logo. Mas pensei que algo tinha rebentado dentro do meu corpo. Não conseguia esticar a perna e tinha o joelho todo dobrado. Estava desesperado e, quase a perder os sentidos, sabia que tinha sido muito grave", lembrou o próprio camisola 11, que necessitou de algum tempo para assimilar o que tinha sucedido então. "Disse que não queria ser operado no dia a seguir, porque também tinha receio e medos. Tinha de me mentalizar para o que ia e pelo que ia passar. Depois vim logo para a Academia", recordou, antes de capítulos ainda mais longos onde sentiu o desgaste físico e, sobretudo, mental.
As marcas de guerra
Após sair do bloco operatório, Nuno Santos iniciou o processo de recuperação. Porém, ao contrário das outras lesões, este problema em si teve ainda maior peso no subconsciente do lateral. Apresentava marcas claras no joelho direito e o inchaço foi notório até à fase inicial de 2025/26. "Sofri com um pouco de dores até um ano de lesão. Olhávamos e víamos que ainda tínhamos uma montanha grande a subir", frisa o esquerdino, que contou com a ajuda familiar e não só.
"Foi difícil porque não havia melhorias. Era só ginásio e fisioterapia. Mas aos poucos parece que nos saiu um peso de cima", testemunhou a mulher, Diana, enquanto Daniel Bragança, colega que coincidiu com Nuno no ginásio, sentiu quase o mesmo do colega. "A recuperação é tão longa que passas por momentos muito difíceis", revelou.
Também Rui Borges, que logo no primeiro dia de leão ao peito deu apoio ao '11', frisou o exemplo do jogador. "Se há jogador que, dentro da dificuldade da lesão, poderia recuperar e ultrapassá-la era o Nuno. A resiliência dele é extraordinária, é algo que levarei comigo como exemplo", deixou claro.
O ansiado regresso
Num processo demorado, Nuno Santos foi colhendo, passo a passo, os frutos da tal resiliência. A 19 de novembro de 2025, voltou a pisar o relvado, todavia apenas a 27 de janeiro passado foi finalmente reintegrado com o restante grupo. Um momento simbólico e destacado pelo futebolista de 31 anos.
"Sei que ainda vou dar alegrias à minha família e ao Sporting. O meu objetivo é ser feliz a jogar à bola. Senti a rotina num jogo importante como aquele [contra o Ath. Bilbao] e senti-me importante no grupo. Foi uma sensação muito boa", expressou Nuno, que a 5 de fevereiro voltou aos relvados frente ao AVS SAD. Após 43 minutos em ação, não esqueceu quem o acompanhou na longa recuperação, o departamento médico do clube.
"Foi duro. Abalou-nos a todos. Vi-o um pouco mais cabisbaixo no início da época de 2025/26, mas depois deu a volta por cima", apontou no documentário o fisioterapeuta Rúben Ferreira, coadjuvado pelo responsável médico, João Pedro Araújo. "É uma das leões mais graves do que um jogador pode ter. Mas se há atleta que consegue vencer uma lesão desta dimensão, é o Nuno. Superou com distinção este problema que infelizmente teve de passar", concluiu o médico sobre o esquerdino que tenta ser um trunfo de Rui Borges em busca do 'tri'.
Os testemunhos sobre o camisola 11
Diana Santos (mulher de Nuno Santos): "Não estava a acreditar. Ele disse-me que era grave e foi aí que me caiu a ficha. Ele estava desanimado, mas é muito lutador e sabia que ia conseguir. Precisava de mim para tudo mesmo. Os nossos filhos não percebiam como uma lesão podia deixar alguém assim. Pensavam porque outros jogadores voltam antes e o meu papá não volta... Pôde acompanhá-los [aos filhos] muito nesta altura. Ver os treinos e jogos todos, algo que antes não acontecia. Foi difícil porque não havia melhorias. Era só ginásio e fisioterapia. Parece que nos sai um peso de cima por ele voltar a jogar."
Daniel Bragança (companheiro de equipa): "É difícil qualquer palavra fazer-nos sentir melhor. Disse ao Nuno que ele estava num dos melhores clubes para conseguir recuperar da lesão. Tinha o nosso apoio, dos amigos e da família. Estares constantemente a repetir as coisas é uma das fases mais duras. Passas a fase em que tens o carinho das pessoas, onde tens a família a apoiar nos primeiros dias e isso parece que dá um mínimo conforto para aquilo que vais enfrentar. Mas a verdade é que é uma recuperação tão longa que passas por momentos muito difíceis. Só o facto de já conseguires correr e tocar na bola, parece que já começa a fluir de outra maneira. É muito importante para nós."
Rui Borges (treinador): "Cheguei e falei com o Nuno. É alguém que a gente aprende a admirar pela sua entrega, resiliência, pela parte competitiva, além do que é a sua qualidade técnica. Faz sempre coisas diferentes. Se há jogador que, dentro da dificuldade da lesão, poderia recuperar e ultrapassá-la era o Nuno. A resiliência dele é extraordinária, é algo que levarei comigo como exemplo. Se fosse eu, não teria a força e capacidade de trabalho e sofrimento que ele teve. Ele é muito invulgar. Vimos muitas vezes o Nuno passar cá para fora que já jogava na Supertaça com o Benfica e daqui um mês... e isso é algo que é dele. Só um ser humano com esta resiliência conseguiria voltar a treinar e estar com a equipa."
João Pedro Araújo (diretor clínico do Sporting): "É uma das leões mais graves do que um jogador pode ter. Pensámos que se há atleta que consegue vencer uma lesão desta dimensão, é o Nuno. Metade dos atletas não consegue voltar a fazer a atividade que tanto gostam. Ele traçava metas curtíssimas, altamente ambiciosas, quase a tocar a irrealidade - e em alguns casos foram -, mas conseguiu superar cada etapa. Superou com distinção este problema que infelizmente teve de passar."
Rúben Ferreira (fisioterapeuta): "Vimos o lance do lado oposto. No momento não nos apercebemos logo que era este tipo de lesão, até porque é uma lesão grave. No balneário percebemos bem a gravidade. Conseguia-se ver já um derrame muito grande. Ele não tinha condições para conduzir e fui eu que o levei a casa. Foi duro. Abalou-nos a todos. Inicialmente na recuperação precisava de ajuda para coisas mais pessoais, de higiene. Precisa de ajuda para tudo mais. Esteve sensivelmente dois meses com uma tala num joelho totalmente em extensão. Temos de criar micro etapas para que o atleta esteja sempre motivado e perceba que semanalmente existem objetivos diferentes. Temos de manter a coisa um bocadinho mais viva. Ele achava que ia acabar a época [2024/25] bem, mas começou a pré-época em reabilitação e a época em reabilitação. Foi altura em que o vi um pouco mais cabisbaixo. Porque vê todos os colegas a voltarem, a começar do zero e começar a pensar que teria de ir para o estágio de pré-temporada."
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