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Vai hoje a enterrar, pelas 15.30 horas, no cemitério de Oeiras, uma das grandes referências do futebol português. Um guardião que agarrou o sonho com mãos firmes.
No Largo do Leão
Vítor Manuel Afonso Damas de Oliveira é um miúdo muito activo que faz do Largo do Leão, na Estefânia (Lisboa), o palco dos sonhos. Com a malta, dá pontapés na bola e imagina fazê-lo um dia no Sporting. "Quero ser um grande avançado", dizia aos amigos. Mas os putos grandalhões olhavam-no com desdém e colocavam-no no seu lugar: "Se queres jogar connosco só na baliza." Porque ninguém queria ir para a baliza. Sendo o mais novo, não podia contestar e lá ia posicionar-se entre as pedras que faziam de postes, remoendo palavrões dos anos cinquenta.
Quando surgiu "Os Neptunos", uma equipa treinada por Mário Paz, defesa do Belenenses, já tinha percebido que o seu lugar era jogar com as mãos. A história continua como tantas outras no futebol: "Um dia, um senhor veio perguntar-me se queria ir para o Sporting..." Chamava-se Dr. Trentones e, da janela de sua casa, assistiu a muitos jogos da miudagem da zona.
Olha para mim, pai
António Damas Oliveira era um "lagarto" dos sete costados. Por isso, quando o filho lhe contou a novidade, anuiu com orgulho. O jovem Damas colocou-se às ordens do argentino Imbeloni e iniciou a aprendizagem no covil do Leão. O primeiro jogo a sério aconteceu contra o Benfica, no Torneio de Lisboa de juvenis. "Nos dias anteriores todo eu era uma pilha. E quando entrei no campo, este pareceu-me um mundo", disse. O nervosismo traiu-o e originou dois golos. "Saí debulhado em lágrimas."
No ano seguinte, em 1962, o Sporting alcançou o título nacional de juvenis e Damas foi autorizado a jogar, com apenas 15 anos, nos juniores. Estava cada vez mais perto da baliza defendida pelos ídolos Azevedo e Carlos Gomes. Aos 17, assinou o primeiro contrato profissional: 20 contos de "luvas" e 3 contos de ordenado mensal. A 22 de Janeiro de 1967, na festa de homenagem a Vicente Lucas, agarrou a oportunidade e, aos 19 anos, revelou-se alternativa séria ao "magriço" Carvalho.
Demorou ainda uma época a impor-se, mas, em 1968/69, já era dono e senhor da camisola nº 1 e, acima de tudo, tornara-se num fenómeno muito particular no futebol português. O jeito de galã, o estilo, o estrelato, fizeram dele o "Eusébio do Sporting" nos seis anos seguintes. Não raras vezes os adeptos deslocavam-se aos estádios do País para verem... um guarda-redes.
Assobiado até Espanha
Num longo período de dezasseis anos – desde que chegou a Alvalade, com 12 anos, até completar 28 –, Vítor Damas agarrou uma carreira brilhante, mas a tarde de 14 de Março de 1976 haveria de ser fatídica. O Sporting empatou em casa com o Académico de Coimbra (3-3) e a massa associativa atirou-se a Damas (imóvel perante os remates do adversário), assobiando-o e insultando-o. O guardião pediu para ser substituído após o terceiro golo (24’) sofrido e Juca fez-lhe a vontade. Acabava, assim, triste, a relação com o clube do coração.
Convém explicar, no entanto, a polémica gerada na semana que antecedeu o jogo. Damas recusara negociar a renovação do contrato com João Rocha e os rumores de uma mudança para o FC Porto, pela mão do seleccionador e futuro treinador dos dragões, José Maria Pedroto, ganhavam forma. Damas jogou contrariado com o Académico. Mas o guarda-redes não ingressou no FC Porto, que lhe oferecia o dobro do ordenado de leão. Viajou até Espanha e assinou com o Racing Santander um contrato ainda mais vantajoso.
Uma segunda vida
Damas tornou-se no ídolo dos adeptos do Santander, nas quatro épocas lá passadas. "Foi ali, num campeonato mais competitivo, que conseguiu dar outra estatura às minhas capacidades." Mas a descida de divisão, apesar dos seus milagres, apressou o regresso a Portugal. Tinha 32 anos e só pensava em Alvalade. Teria de esperar. Primeiro veio o V. Guimarães e depois o Portimonense.
Em 1984, João Rocha ouviu uma entrevista do guardião na rádio, em que este expressava o seu maior desejo. O presidente leonino gostou do que ouviu e, no dia seguinte, fez o convite. Regressou a Alvalade, encontrando John Toshack no comando da equipa. Em Dezembro de 1987 fracturou a omoplata, mas nem assim desistiu. Recuperou, ainda jogou em 1988/89 e só pendurou as luvas após um jogo em Viseu (2-2). Tinha 41 anos e, nas futeboladas no Largo do Leão, não sonhara com tanto.
Ficha pessoal
Nome: Vítor Manuel Afonso Damas de Oliveira
Data nascimento: 8 de Outubro de 1947, em Lisboa
Altura: 1,88 m; Peso: 77 kg
Clubes: Sporting (1959/60 a 1975/76; 1984/1988); Santander (1976/1980); V. Guimarães (1980/1982) e Portimonense (1982/1984)
Campeonato Nacional: 2 títulos (69/70 e 73/74)
Taça de Portugal: 3 vitórias (70/71, 72/73 e 73/74)
Outras conquistas: campeão nacional de principiantes (1962/63); campeão nacional de juniores (1964/65); vencedor da Taça de Honra da AFL (1969/70 e 1970/71); do Torneio Internacional de Lourenço Marques (1969/70); do torneio Montilla Moriles (1969/70), do torneio Ibérico de Badajoz (1969/70); do torneio Internacional Cidade de San Sebastian (1970/71) e do torneio quadrangular de Atenas (1973/74)
Selecção Nacional: 29 jogos
Competições europeias: 52 jogos
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