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MANACA está, há muitos anos, radicado no Canadá, mas sempre que pode dá um pulo até Portugal para rever familiares e amigos, não dispensando uma visita a Alvalade, casa do clube do seu coração. Nem sequer foi preciso passar das apresentações para perceber a natureza do telefonema: "Querem falar do autogolo de Guimarães, não é'?" Pois claro, impunha-se a versão do autor: "Estou a ver a jogada como se estivesse agora a acontecer. Há um livre que é marcado no lado esquerdo do ataque do Sporting, perto da linha da grande área. Manuel Fernandes, com o pé direito, colocou a bola na pequena área da baliza defendida por Melo. Naquela movimentação de agarra e empurra, logo após a bola partir, eu e o Jordão e outros jogadores de ambas as equipas fizemo-nos ao lance. Senti um empurrão, perdi o equilíbrio e, ao tentar cabecear a bola sobre a baliza, faltou-me a força e a bola saiu para as redes."
As consequências do acto foram terríveis para o jogador, imediatamente envolvido em suspeitas de suborno por parte da ex-equipa, o Sporting.
"Fizeram acusações graves, não só o Pinto da Costa mas também o Pedroto. Mas nunca me senti afectado. Passados alguns anos fui às Antas defender a camisola do Estoril e não tive qualquer problema. O Pinto da Costa e o Pedroto até conversaram comigo, como se nada tivesse sucedido", referiu.
Nunca renegou o seu sportinguismo, o que serviu para o aumentar da polémica, na altura, mas desmente uma história posta a circular na ressaca dos acontecimentos: "Não fui festejar a vitória do Sporting com os meus amigos de Alvalade, logo após o jogo. Não tem qualquer fundamento essa afirmação. Joguei no V. Setúbal, no Sp. Braga e no V. Guimarães e todas as segundas-feiras ia a Lisboa, inclusive a Alvalade fazer os meus banhos, massagens e sauna e nunca, ou raramente, me encontrei com jogadores do Sporting."
"Aliás", continua Manaca, "esse autogolo não deu o campeonato ao Sporting. Não teria nada a ver com o título se o FC Porto não tivesse empatado no Varzim na jornada anterior. E faltava ainda uma jornada para acabar o campeonato". E, para fechar o assunto, deixa no ar uma pergunta enigmática: "Talvez fosse bom perguntar ao Bento porque é que sofreu dois autogolos no mesmo jogo."
Apesar da distância, o moçambicano continua a acompanhar o futebol português. "O Sporting, nesse tempo, era totalmente diferente, assim como o V. Guimarães. O nível individual era bastante superior ao nível de hoje e em termos de competição o futebol português perdeu muito, está mais pobre."
Em relação ao embate de sábado, Manaca antecipa uma partida equilibrada: "Nem um nem outro estão no seu melhor, contudo o V. Guimarães é sempre muito perigoso. Vai ser equilibrado e quem tiver a sorte de marcar primeiro, ganha. Faço votos para que não seja com um autogolo."
HERNÂNI GONÇALVES: "DIGNO DE UM GOMES"
Hernâni Gonçalves era o preparador físico do FC Porto em 1979/80, trabalhando sob a alçada de José Pedroto. Na "ressaca" do autogolo de Manaca, a sua voz foi, juntamente com a de Pinto da Costa, a mais contundente no levantamento de suspeitas de suborno por parte do Sporting.
Quase vinte anos depois, quisemos saber se mantinha as mesmas ideias em relação ao assunto: "Temos de ver que foi um defesa-central a fazer um grande remate para a própria baliza. Vivia-se um clima muito efervescente naquela época, com a perspectiva do "tri" do FC Porto. E tudo se resolvia nas duas últimas jornadas. Há uma série de peripécias que antecedem os jogos decisivos. Lembro-me que na deslocação do FC Porto a Varzim houve uma arbitragem escandalosa, com um 'penalty' por marcar a nosso favor. E depois aconteceu essa partida esquisita em Guimarães, com um autogolo estranho. Não vou acusar o jogador, mas foi algo de muito anormal. O golo foi digno de um Gomes."
No entanto, a hipótese de um suborno já não merece comentários categóricos: "Falou-se que poderia ter sido pago, mas não se pode provar. Só falo do que vi. Houve um cruzamento para a grande área, o Manaca saltou e fez uma rotação de cabeça como mandam as regras de um bom cabeceador. O golo passou na televisão e foi opinião geral, não só dos portistas, que algo de estranho se passou no lance. Se tivesse ocorrido agora, seria um escândalo em toda a Imprensa. Mas, repito, não se pode acusar o jogador de ter sido subornado só porque ficaram muitas dúvidas em relação à normalidade da situação."
Em relação ao prémio de jogo que o FC Porto teria oferecido aos vimaranenses em caso de vitória, Hernâni Gonçalves diz desconhecer: "Se assim foi, teria sido para motivar os jogadores." E ironiza: "Mas, na hipótese de existir esse prémio, o Manaca teria então fugido à recompensa e prejudicado os colegas."
ALFREDO GUIMARÃES: "NÃO TEVE INTENÇÃO"
"Golo à ponta-de-lança ?", questiona com um sorriso cínico Alfredo Guimarães perante a interpelação de Record. "Podem dizer tudo e mais alguma coisa sobre esse incidente que envolveu o Manaca, que eu continuo a acreditar que não foi de propósito. Ele não teve a mínima intenção. Os tempos eram outros, diferentes e muito melhores, e para além disso o futebol ainda não estava industrializado", assinala o actual treinador do Grupo Desportivo de Pevidém, formação vimaranense que disputa o campeonato da III Divisão Série A.
O FC Porto acusou imediatamente Manaca de ter recebido dinheiro do Sporting, mas Alfredo Guimarães avança com uma visão diferente da contestação fomentada pelos dragões: "Eles estavam doentes porque nos tinham oferecido dinheiro para ganhar o jogo e isso não foi possível. Na imprensa dessa altura, lembro-me perfeitamente, especulou-se muito mas sempre com base nas reacções revoltadas dos responsáveis do FC Porto", explica com convicção. Seja como for, Manaca foi dispensado do V. Guimarães e Alfredo Guimarães, natural da Cidade-Berço, manifestou-se contra: "A Direcção era soberana, mas penso que foi uma injustiça. Na minha opinião ele não merecia ir embora, mas decidiram assim e ninguém poderia fazer mais nada."
Alfredo Guimarães actuou a defesa-esquerdo e lembra-se perfeitamente do lance que promoveu tamanha polémica: "Começa num livre directo do lado direito. A dupla de avançados do Sporting era formada pelo Manuel Fernandes e um outro Manuel a quem eu estava a fazer marcação. O lance foi confuso e ele saltou mas não teve culpa", advoga para "disparar" uma crítica. "O guarda-redes era o Melo e na minha opinião não está isento de culpas. Devia ter saído para socar a bola e assim levou uma "chapelada". Não estou a defender este ou aquele, porque até sou mais amigo do Melo do que do Manaca, mas sou apenas pela verdade. A minha é que o Manaca não fez de propósito", garante.
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