Para poder usar esta funcionalidade deverá efectuar login.
Caso não esteja registado no site do Record, efectue o seu registo gratuito.
Ziad Tlemçani. Os adeptos do V. Guimarães lembram-se bem dele, sobretudo dos seus golos. E, graças à sua presença em Portugal, o clube minhoto é mais conhecido na Tunísia do que Benfica, Sporting ou FC Porto. Tentamos juntar o avançado a Taoufik, defesa que também alinhou no Vitória (duas épocas), mas este desligou-se por completo do futebol, vivendo em Tunes com relativo anonimato.
Mas Ziad mantém-se ligado ao jogo, como consultor de alguns clubes europeus que gostam de investir em jogadores africanos e comentador na televisão tunisina, utilizando a oportunidade para, muitas vezes, criticar os dirigentes e a falta de organização do futebol do país. E faz, de vez em quando, serviço de empresário. Levou Trabelsi para o Ajax, por exemplo.
Mas a conversa rodou à volta da sua paixão por Guimarães: "Uma cidade pequena mas bonita, com gente que gosta de futebol. Os adeptos são fantásticos, dos melhores de Portugal. Fui muito bem tratado e gostava um dia de lá trabalhar. Guimarães ficou no meu coração".
O avançado tunisino diz-se um homem fiel aos seus amores, pelo que representou sempre o mesmo clube nos países onde jogou: Tunísia (Espérance), Portugal (V. Guimarães) e Japão (Vissel Kobe). "Nunca senti que era estrangeiro nem nunca fui vítima de racismo em Guimarães. Sentia-me mais português do que os portugueses", recorda.
Por isso resistiu ao chamamento de João Nabeiro: "O Campomaiorense ofereceu-me quase três vezes o que ganhava em Guimarães, mas preferi renovar mais um ano, pois gostava de viver ali". Mas o FC Porto já era apetitoso: "Bobby Robson quis levar-me para as Antas mas Marinho Peres voltou a Guimarães e disse a Pimenta Machado que eu era imprescindível. Mais tarde Robson haveria de influenciar a minha saída para o Japão, pois recomendou-me ao seu compatriota Stuart Baxter, treinador do Vissel Kobe".
Ainda não fez o curso de treinador –"é um papel que nada vale" – mas gosta muito de futebol, tem uma vasta experiência e espera um dia dar o passo: "Na Tunísia não treino, pois aqui não há condições para um trabalho aceitável. Gostaria de treinar o V. Guimarães, um dia. Conheço a mentalidade do clube, falo português... porque não?"
O "pai" Pimenta
Do presidente Pimenta Machado guarda as melhores recordações: "Os jogadores diziam que era meu pai, pois gostava muito de mim. Apesar de ser uma pessoa difícil nas negociações de contrato, e eu renovei três vezes com o V. Guimarães, tínhamos uma relação especial. Um dia convidou-me a casa dele e disse-me: 'És o primeiro jogador que aqui entra".
Após quatro épocas completas, Ziad deixou Guimarães a meio de 94/95. "Recebi uma proposta muito boa do Vissel Kobe do Japão. Pimenta Machado queria que eu ficasse o tempo que quisesse, mas não podia pagar muito. Era uma diferença muito grande e, apesar de adorar Guimarães, tive de aceitar o Japão".
Alinhou uma época na II Divisão japonesa, ao lado de Michael Laudrup, e duas na J-League, tendo sido o melhor marcador em 1996. Voltou ao Espérance de Tunes, onde ganhou títulos em duas épocas, assumindo, de 1998 a 2000, o cargo de director técnico.
De Portugal trouxe alguns hábitos para a Tunísia: "Tento sempre comprar jornais portugueses, nas minhas viagens pela Europa. E não passo sem o bacalhau, de vez em quando".
João Alves marcou mais, Marinho Peres não é Zagallo
Dois treinadores caíram no goto de Ziad, aquando da sua passagem por Guimarães. Um deles foi João Alves: "Fez um excelente trabalho. De todos, foi o que mais me marcou. Tínhamos um grupo muito unido, em 91/92, e fizemos uma primeira volta excelente".
Em relação a Marinho Peres, recorda uma história curiosa: "Eu andava com problemas musculares numa perna, tentava treinar bem e não conseguia. O Marinho pensava que eu andava a fazer ronha e um dia chegou perto de mim e disse 'pára de moleza, Ziad, não és o Maradona'. Não gostei e respondi-lhe de imediato: 'E tu não és o Zagallo'. Marinho era uma pessoa muito bem disposta".
Desilusão por Artur Jorge nas eleições da FPF
Ziad defende que o poder, no futebol, deve ser entregue às pessoas do meio. Perguntou-nos como estava a candidatura de Artur Jorge às eleições da FPF e ficou desiludido por saber que o antigo seleccionador português não avançou por falta dos votos necessários: "É um bom exemplo do que defendo. O poder instituído não deixa entrar a gente do futebol. Quem perde é o futebol português. Artur Jorge é uma pessoa formada, com vasta experiência no meio e poderia ter dado muito à Federação."
«Falta o treinador certo» à selecção portuguesa
"Portugal tem bons jogadores mas não fazem uma boa equipa. Só a teve em certos momentos, como no Euro-2000. No Mundial 2002, Figo não estava a cem por cento, Rui Costa também. Jogar sem estas peças em forma é complicado. Nas camadas jovens, Portugal sempre trabalhou bem e obteve bons resultados. Muitos jogadores saem do país para o estrangeiro, veja-se os casos recentes do Meira, na Alemanha, e do Hugo Viana, na Inglaterra. Sem tirar valor ao trabalho de Humberto Coelho e António Oliveira, tem faltado o treinador certo para fazer a selecção dar o salto. Mesmo assim, no Europeu, só perdeu por causa daquele famoso "penalty". Pensei que, a partir daí, Portugal iria ficar sempre no topo do futebol mundial, mas acabou por cair. Porquê? Não sei a resposta exacta, mas sei que tem a obrigação de figurar entre os quatro primeiros no Euro-2004. Bons jogadores não faltam. Será também a derradeira oportunidade para esta geração."
Antigo candidato não confirma se irá recandidatar-se nas próximas eleições
Avançado pode chegar aos 500 jogos como sénior e o médio aos 50 golos
Minhotos podem igualar na próxima jornada a sequência de quatro jogos sem perder
Derrota em casa com V. Guimarães não roubou aos galos o ceptro do minicampeonato da região
Homem terá amealhado, ao longo de cinco anos, mais de 14 milhões de euros em receitas
Coman foi o herói da meia-final ao apontar hat-trick. Ronaldo e Félix foram titulares
Médio francês diz que o português "é muito especial"
Situação inusitada acontece já esta sexta-feira com a receção do Den Bosch ao ADO Den Haag, da 2.ª divisão