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A Taça manteve a tradição de revelar um tomba-gigante. Mas a duas semanas do Carnaval foi o Belenenses quem vestiu essa roupagem
João Pedro, o defesa-esquerdo do Estoril Praia, vai ficar com o amargo de boca de ter sido ele o homem que falhou a transformação da grande penalidade que acabou por permitir a passagem do Belenenses às meias-finais da Taça de Portugal. Para ele e todos os homens comandados por Ulisses Morais, fica a amarga certeza de terem sido a melhor equipa no encontro de ontem, no Restelo, e terem obrigado o Belenenses a assumir, ele sim, o papel de verdadeiro tomba--gigante do confronto.
É uma história simples de contar a deste jogo. O Belenenses começou melhor, com Neca e Hugo Henrique a darem ideia de que as coisas se poderiam resolver com facilidade. Aos 17 minutos o avançado colocou o conjunto de Augusto Inácio em vantagem, após jogada iniciada em Neca, com passagem pelos pés de Brasília, mas o lance acabou por ser praticamente o último em que o Belenenses conseguiu chegar com perigo à área do Estoril.
A resposta canarinha foi pronta. Fellahi, o melhor da equipa, ganhou um ressalto a Carlos Fernandes, entrou na área e fez o empate.
Avassalador
Na segunda parte, Ulisses Morais apostou em Marco Paulo para o ataque e o Estoril ganhou o comando do jogo de uma forma quase avassaladora. Se a estatística ganhasse jogos, o Belenenses teria chegado ao fim dos 90 minutos humilhado por uma equipa que foi mais organizada, mais rápida, mais perigosa no ataque, mais coesa na defesa.
O Belenenses claudicava, sem fio de jogo a meio-campo, sem segurança na defesa e inexistente no ataque. Neca e Andersson perderam o gás, Antchouet passou a ser um espectador distante e foi a vez de Marco Aurélio mostrar porque é considerado um dos melhores guarda-redes da SuperLiga. Foi ele que negou o golo a Sérgio Gameiro (47'), Paulo Sousa (67'), Fellahi (75') e Marco Paulo (79'), para desespero dos homens do Estoril e alívio dos da casa.
Só aos 80' Andersson assinou o primeiro remate azul do segundo tempo e, já sobre a hora, Carlos Fernandes podia ter evitado o prolongamento mas atirou por cima.
No prolongamento, o Estoril manteve a toada mandona e colheu frutos aos 99', com Marco Paulo a dar vantagem aos visitantes. Parecia que a justiça estava feita, mas no único erro de Fabrice, Hugo Henrique fez o 2-2 que obrigou ao desempate por grandes penalidades. Aí, a sorte virou as costas ao Estoril.
O árbitro Paulo Costa assinou um trabalho quase impecável, tendo de agradecer a colaboração dos jogadores, que se limitaram a fazer o que lhes compete: jogar futebol.
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