Pedro Costa: A história de um homem que é alérgico a derrotas

Pedro Costa: A história de um homem que é alérgico a derrotas
Pedro Costa: A história de um homem que é alérgico a derrotas • Foto: Pedro Ferreira

Quando, no dia 1 de Dezembro de 2001, a 18 segundos do final do jogo Freixieiro-Correio da Manhã, a equipa daquele diário vencia por 5-4, Pedro Costa chegou a pensar que a sua série de desafios sem perder iria ser interrompida. Nessa altura já levava 39 encontros sem perder e tudo parecia ir terminar naquele primeiro dia do mês de Dezembro. Mas a dois segundos do final marcou o golo do empate e, sem que tivesse pensado nisso, acabou por garantir a manutenção do estatuto de invencível. Uma espécie de Pedro, o grande.

Agora, mais de um ano após esse jogo, Pedro Costa continua sem perder e a viver os momentos doirados de uma bonita série. São, no total, 73 partidas sem derrotas, números impressionantes apresentados por aquele que foi considerado, na época passada, pelos treinadores e jornalistas, o melhor jogador do ano. Com 24 anos, este jovem a quem agrada conversar e que confessa ser a teimosia o seu pior defeito admite que é vítima de algumas "maldades" por parte dos amigos por estar há tanto tempo sem perder.

"Às vezes, antes dos jogos – e como tenho amigos ou, pelo menos, conhecidos em todos os clubes - telefonam-me ou mandam-me mensagens a dizer-me para estar preparado para perder e para o fim do recorde."

Mas as ameaças dos adversários não passaram disso mesmo. Pedro Costa mantém este saudável vício de não perder e agradece a Pedro de Jesus Mira o facto de o ter descoberto para o futsal. Foi num dia em que o jogador do Benfica tinha faltado a uma aula para ficar a jogar no recreio, na escola que frequentava. Pedro de Jesus Mira, um estranho para Pedro Costa, viu-o jogar da janela do seu quarto e acercou-se da rede para, através de um amigo de Pedro Costa, estabelecer o contacto.

Pedro Costa aceitou o convite para jogar futsal e enterrou, definitivamente, a possibilidade de optar pelo futebol. "Ainda treinei no Estrela da Amadora, nas escolinhas, mas como eram sempre os filhos dos dirigentes a jogar, não quis pactuar com essa situação e não cheguei sequer a participar num único jogo."

O futsal agradece e hoje Pedro Costa continua a espalhar pelos pavilhões a sua classe e o seu talento. Bem como uma alergia a derrotas que remonta a 27 de Maio de 2000, altura em que perdeu, em Alvalade, com o Miramar, por 3-6. Um registo fantástico de um jogador que persegue, também, outro feito – conquistar Campeonato e Taça, algo inédito na história de uma modalidade em permanente expansão em Portugal.

Concertos em bares

Pelo menos uma vez por mês, nos últimos dez anos, Pedro Costa assume-se guitarrista. Ele e mais dois amigos juntam-se num bar, o Del Negro, em frente ao estádio do Estrela da Amadora, para tocar. Del Negro é também o nome de um clube (Grupo Cultural e Desportivo Del Negro) onde o jogador do Benfica actuou entre 1992 e 1994.

Mais oito anos no activo

Pedro Costa tem frequência do 3º ano de Educação Física e Desporto pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias. Com a saída para o Freixieiro, que implicou uma mudança radical na sua vida, teve de pôr de lado os estudos. "Se tudo correr bem, se não me lesionar com gravidade, espero jogar a este nível mais oito anos”. O regresso às aulas não tem data marcada.

Quando é a mãe que mais apoia

Pedro Costa esteve, na época passada, no Freixieiro, de onde se transferiu para o Benfica. A jogar no Norte, passava os dias em casa e tinha na mãe uma apoiante incondicional. “É a que grita mais alto e nunca contestou a minha decisão de optar pelo futsal."

Admirador de Sepúlveda

Pedro Costa confessa que não gosta de sair à noite. Navega na Internet (tem inclusive um site:www.pedrocosta.net) e aprecia um bom livro, revelando a sua admiração pelo escritor chileno radicado nas Astúrias, Luís Sepúlveda, de quem já leu "O velho que lia romances de amor" e "Nome de Toureiro".

Coração de leão de águia ao peito

Pedro Costa representou o Sporting entre 1995 e 2001 e em Alvalade conquistou dois títulos (99 e 2001). Com naturalidade, não esquece os bons momentos passados no clube e assume mesmo a sua paixão pelo Sporting. "Não sou fanático, mas é o meu clube do coração”.

Coincidência

Pedro Costa tem quase centena e meia de jogos na I Divisão e regista apenas sete derrotas, com a particularidade de terem acontecido frente a dois clubes. O jogador do Benfica perdeu quatro vezes com o Atlético e três com o Miramar.

Já ganhou a alcunha de "porta-chaves"

Pedro Costa é de baixa estatura (1,60 m) e justifica, por isso, algumas alcunhas, que mais não são, em sua opinião, do que uma forma carinhosa de o tratarem, até porque alguns dos que lhe chamam "Canina" ou "Porta-Chaves" são amigos de infância. "Mantenho amizades e convivo no dia-a-dia com colegas meus dos tempos da primária", afirma, com orgulho, o jogador do Benfica.

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