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O Mundial'2026 está aí à porta - arranca já no dia 11 de junho - e o 'The Athletic' juntou Sérgio Conceição e Francisco Conceição num 'frente-a-frente' entre pai e filho. Numa entrevista coletiva, o antigo treinador do FC Porto - agora no Al Ittihad - e o internacional português - que veste a camisola da Juventus - falaram sobre as possibilidades da Seleção Nacional na prova e foram desafiados a comparar ambas as gerações e o que de melhor havia - e há - em cada uma.
"A melhor geração é aquela que ganha", começou Sérgio Conceição. "Esta conquistou duas Ligas das Nações e um Campeonato da Europa. Não continuam a ser os mesmos jogadores, mas alguns como o [Cristiano] Ronaldo e o Pepe já ganharam títulos. Eu, [Luís] Figo, Rui Costa, Vítor Baía, Paulo Sousa, Fernando Couto e outros podíamos ter vencido o Euro'2000. Estou convencido de que, se não tivéssemos sido eliminados pela França com um penálti nas meias-finais, teríamos conquistado o troféu. Não tenho dúvidas sobre isso. Tínhamos uma geração fantástica, mas os melhores são aqueles que ganham".
Francisco Conceição, por outro lado, optou por uma resposta mais 'resguardada': "Só posso falar da atual. Individualmente, somos das melhores equipas do mundo. Todos os jogadores estão nas melhores equipas da Europa e o treinador diz-nos que podemos vencer o Mundial. Ainda assim, sabemos que isso depende de muitos fatores. Precisamos de alguma sorte, mas não devíamos ter medo de dizer que podemos ganhar".
Ainda acerca da qualidade da Seleção Nacional, Francisco Conceição mostrou-se rendido à capacidade dos seus companheiros: "O Bruno Fernandes é um jogador incrível. Aquilo que faz no Man. United, na Seleção... Ajuda-nos muito com a sua liderança e as caraterísticas únicas que tem. Tenho também uma relação positiva com o Cristiano, que é o primeiro a dar-nos conselhos. E tendo em conta aquilo que é, merece toda a nossa atenção. Estou orgulhoso por partilhar balneário com ele, mas também me ensina coisas que não têm a ver com futebol. A importância da família, nutrição, a maneira de viver a vida, de recuperar o corpo...".
Sérgio Conceição, por sua vez, sublinha que o objetivo principal é terminar bem a fase de grupos: "A expectativa de uma equipa com tanta qualidade é ir longe, alcançar a fase a eliminar. Mas o entusiasmo e a pressão não são coisas fáceis de gerir. Ainda assim, a qualidade técnica da equipa é excecional. Têm tudo o que é preciso para chegarem longe, mas nestes torneios curtos sabemos que a bola bater no poste e entrar ou bater no poste e sair faz toda a diferença. E apesar de haver seleções com muita história, podemos fazer um excelente Mundial com a qualidade que temos".
O "enorme orgulho" em ver o filho com as quinas ao peito
Não faltam motivos de orgulho a Sérgio Conceição. Além de já ter visto o filho a representar a Seleção Nacional em 14 ocasiões, viveu, numa dessas, um sentimento especial: aconteceu quando estava na bancada e viu Francisco Conceição a marcar, no Euro'2024, o golo da vitória frente à República Checa já nos instantes finais: "É um enorme motivo de orgulho para mim. Representar a Seleção é algo que qualquer jogador sonha. Lembro-me desse golo. Estava no estádio e fiquei muito comovido. Sempre fui um verdadeiro português. O hino nacional sempre me emocionou muito, e agora emociono-me a ver o meu filho. Ainda não sei se conseguirei ver o Francisco nos Estados Unidos, mas se conseguir, gostaria muito. É muito próximo da família. Liga-me sempre antes dos jogos, depois liga à mãe, aos avós, aos irmãos e às irmãs. A todos. E sofre muito por todos nós. Nem sempre podemos vê-lo ao vivo, mas estamos sempre a apoiá-lo. Tem 23 anos e ainda tem muito caminho pela frente, além de um potencial enorme".