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Faz hoje 5 anos que Portugal perdeu o Mundial sub-20, na Colômbia.
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Faz hoje 5 anos que Portugal perdeu o Mundial sub-20, na Colômbia. Record revive a final frente ao Brasil falando com um dos protagonistas: Caetano. Nesse jogo, o avançado falhou um golo quando o jogo estava empatado a dois golos - os brasileiros viriam a vencer por 3-2. E será que esse lance influenciou a carreira do jogador? A resposta é sim... e para melhor. As explicações de Caetano numa entrevista exclusiva a Record. RECORD - Que memórias guarda do Mundial Sub-20?
RECORD - Que memórias guarda do Mundial Sub-20?
CAETANO - Foi um momento inesquecível na minha carreira, um dis pontos mais altos da minha carreira, juntamente com o facto de ter jogado na Liga dos Campeões. Nós, no início, não acreditávamos que seria possível chegar à final. Havia seleções muito fortes, como o Brasil e a Argentina. E Portugal tinha uma seleção onde, na altura, poucos jogadores estavam na 1.ª Divisão. Fomos no anonimato e as coisas correram bem.
R - A sensação que deu foi que o selecionador Ilídio Vale teve muito mérito como mentalizou a equipa de que era capaz...
C - Sim, o míster foi o grande responsável. Fez-nos acreditar que era possível, montou uma equipa forte e um grupo coeso, que dava tudo uns pelos outros e que era uma autêntica família dentro de campo. Não tínhamos grandes individualidades, mas no coletivo éramos muito fortes.
R - E o Caetano era bastante acarinhado nas bancadas...
C - As coisas correram-me bem nesse Mundial, estava numa boa fase da minha carreira. Recordo-me particularmente do jogo com a Argentina e, dada a rivalidade, os colombianos passaram a estar do nosso lado.
R – Olhamos agora para a final com o Brasil. "Se tivesse feito aquele golo poderíamos ter sido campeões do Mundo. Peço desculpa aos portugueses", foi o que o Caetano disse sobre aquele lance em que falhou isolado. Continua a pensar da mesma forma?
C - Em primeiro lugar, e com toda a humildade, só falha quem lá está. Até posso contar uma história que nunca contei antes. Passado um mês fui chamado para os sub-21 e o Rui Jorge, o selecionador, chamou-me e perguntou-me por que tinha pedido desculpa. E eu respondi-lhe que se tivesse feito golo, se calhar, Portugal tinha sido campeão. "Tentaste fazer o melhor?", perguntou-me ele. Eu respondi afirmativamente. "Então não tens de pedir desculpa a ninguém", acrescentou ele. E eu fiquei a pensar naquilo e o Rui Jorge tinha razão. Não foi um falhanço de baliza aberta, foi um lance normal, em que tentei picar a bola e o guarda-redes teve mérito em defender. Acontece muitas vezes. Foi uma oportunidade de golo, não foi uma oportunidade clara de golo.
R - Lembra-se do que sentiu no final do jogo?
C - Na minha cabeça estava que se tivesse feito o golo poderíamos ter sido campeões do Mundo. Mas rapidamente isso passou-me porque o Mundial foi muito importante para todos nós. Houve jogadores que fizeram contratos muito bons e eu, na altura, estava muito bem no Paços de Ferreira e também tive propostas muito boas. Esse Mundial foi uma montra muito boa para todos.
R - Alguma vez sentiu falta de apoio?
C - Não, de todo. Nunca ouvi ninguém contra e nunca senti grande falatório sobre o lance e senti-me sempre protegido. Senti, sim, que a partir do Mundial fiquei muito mais conhecido e que, realmente, há um pré e um pós Mundial na minha carreira. Mudou-a para muito melhor já que passei a ter mais visibilidade.
R - Ou seja, as pessoas avaliaram a sua participação pelo Mundial em geral e não pelo falhanço em particular?
C - Exatamente. Recordo-me que, na altura, muitos empresários queriam que eu assinasse por eles, tive clubes muito bons atrás de mim... O Nélson Oliveira fez um Mundial muito bom, tal como outros jogadores, e eu sei que estive nesse patamar. O Mundial foi 100% positivo para mim. Logicamente que se tivesse marcado poderia ter sido o herói mas o lance acabou por passar ao lado.
R - É verdade que tinha tudo certo para assinar pela Roma?
C - Depois do Mundial apareceram muitos clubes europeus, não tenho a certeza de quais. Comigo, diretamente, falaram vários diretores desportivos, mas não interessa agora revelar quais foram os clubes. Mas, concretamente, algum que tenha feito uma proposta concreta, disso não tenho conhecimento. Eu, como estava confortável no Paços de Ferreira, decidi ficar em Portugal.
R - E por que quis ficar?
C - Tinha contrato com o Paços de Ferreira, tinha feito a época de estreia com o Rui Vitória que tinha corrido muito bem, era acarinhado no clube... Nem sequer pensei noutra situação... Fiquei muito bem, as coisas foram correndo bem até que tomei a decisão de dar um novo rumo à minha carreira. Foi quando mudei para o Gil Vicente, que na altura estava muito bem e na mó de cima. Fiz um contrato muito bom, as coisas correram bem, menos os últimos 4 meses em que estive parado devido a uma lesão e à recuperação. Um jogador português não desaparece com 25 anos, ele desaparece quando dá provas e depois tem momentos menos positivos e a porta acaba por fechar-se.
R - As pessoas têm memória curta no futebol português?
C - Sim, porque é um negócio e é preciso fazer apostas. Um jogador com 28 anos que nunca tenha estado na 1.ª Divisão, é uma aposta. Eu, com 25 anos, português e 5 anos de 1.ª Divisão, já não sou uma aposta. Então é mais difícil, apesar da boa época que fiz em Penafiel. Agora, decidi ir para o Aves porque é um clube que vai crescer e que acredito que em breve vai estar na 1.ª Divisão. E foi por isso que optei pelo Aves e não por clubes da 1.ª Divisão, como foi noticiado pelos jornais...
R - Como o Tondela...
C - É verdade que tinha propostas de alguns clubes de 1.ª Divisão mas quis ir para o Aves.
R - Tem objetivos traçados a longo prazo ou prefere encarar um projeto de cada vez?
C - Sou muito feliz a jogar futebol. Tenho uma vida estabilizada em Portugal, até com alguns negócios particulares e jogo futebol por paixão. Esta é a grande verdade. Não jogo futebol por dinheiro e o meu objetivo é ajudar o Aves a subir de divisão. A nível pessoal é continuar a ser feliz a jogar futebol e acredito que vou regressar à 1.ª Divisão com o Aves.
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