CR7 fez explodir plateia de luxo

Futre reviu o ídolo (Chalana) e o padrinho na chegada ao topo (Manuel Fernandes)...

CR7 fez explodir plateia de luxo
CR7 fez explodir plateia de luxo • Foto: Pedro Simões

O clima foi de otimismo permanente entre os seis senadores do futebol português que nos visitaram. Na reta final do jogo, era consensual a ideia de que a exibição tinha sido boa e o empate até já fora referido como bom resultado. Mas Ronaldo ainda não tinha dado a última palavra

Foi uma noite de gala, com uma plateia de ouro e um resultado que permitiu final em apoteose. O otimismo dominou sempre o humor dos três elementos que estiveram naquela que tinha sido a última vitória na Dinamarca (Alves, Chalana e Manuel Fernandes), um génio absoluto nascido de geração espontânea (Futre), um campeão europeu e vencedor da Taça UEFA (Maniche) e um internacional que subiu a pulso a corda do sucesso (Luís Vidigal).

A noite foi marcada pela emoção dos reencontros, aquela que está sempre presente quando Futre se cruza com o ídolo de uma vida (Chalana) e com o homem que o acolheu no futebol profissional (Manuel Fernandes). Paulo veio sorridente e o impulso do abraço e do beijo foi irresistível. O ambiente de amizade começou a desenhar-se muito cedo.

Maniche deve o nome a um avançado benfiquista dos anos 80. Nuno recorda que já se cruzou com Michael várias vezes e que até já trocaram camisolas. No início, o dinamarquês achou curioso haver um jogador do Benfica herdeiro do seu nome e quis cumprimentá-lo. O campeão europeu já ofereceu ao nórdico algumas lembranças mas também já recebeu como prenda uma camisola benfiquista de há 30 anos, daquelas que tinham a publicidade da Shell.

O jogo. No decorrer do jogo, Luís Vidigal elogiou os laterais portugueses, revelando-se confortável com o acerto de Cédric e Eliseu. Salientou então o exagero nas críticas aos dois jogadores na partida em Paris, até porque, se culpas houve em determinados momentos, devem ser repartidas por toda a equipa, que não soube articular-se para fechar as faixas laterais. Maniche explicou que, no 4x4x2 em losango, os defesas-laterais ficam muito expostos, porque os extremos não baixam, o que exige um trabalho muito árduo aos dois médios-interiores – e ele sabe do que fala porque, no FC Porto de José Mourinho que conquistou a Champions, essa era uma das suas atribuições.

João Alves não viu inconveniente em jogar sem ponta-de-lança de raiz. Manuel Fernandes concorda com a decisão de Fernando Santos, até porque não há muitos avançados de topo em Portugal. De todos salienta Postiga como o mais capaz, mas sente-se reconfortado e feliz quando o Luvas Pretas lhe diz que nenhum dos atuais lhe chegam aos calcanhares.

Igualmente interventivo esteve Júlio Silva, o escolhido entre mais de mil candidatos para representar os leitores na grande cimeira, prova de que a iniciativa de Record foi um sucesso. Num estádio com tantas figuras de luxo do futebol português, o adepto do Belenenses esteve à altura da responsabilidade, revelando memória apurada e lucidez na análise de tudo quanto aconteceu em Copenhaga.

A estreia de Chalana e os golos de Manel

Chalana trouxe a prova documental de um momento decisivo da sua carreira: um poster da extinta revista “Golo”, com a formação de Portugal que venceu a Dinamarca por 1-0, a 17 de novembro de 1976, e que selou a sua estreia na Seleção Nacional – o que sucedeu também com João Fonseca, antigo guarda-redes de Varzim e FCPorto, entre outros. Nesse momento importante da fase de qualificação para o Mundial’78, na Argentina, emerge também a figura de Manuel Fernandes.

O então avançado do Sporting saltou do banco para marcar o golo da vitória, recordando ainda a cena que envolveu Vítor Baptista: no momento do toque final do eterno Manel, o famigerado jogador festejou, já dentro da baliza, saltando para as costas de um adversário, que o agrediu por mais de uma vez, criando um violento burburinho entre elementos das duas equipas.

Mas os três jogadores voltariam a estar presentes, quase um ano depois (a 9 de outubro de 1977), naquela que era, até ontem, a última vitória portuguesa sobre os dinamarqueses. João Alves que, à época, era a estrela da companhia na Luz, em Copenhaga ou em qualquer parte do Mundo, não figurou na lista dos marcadores, ao contrário de Manuel Fernandes que voltou a fazer o gosto ao pé, de novo saído do banco. De resto, para o antigo avançado leonino essa qualificação foi a mais produtiva da sua história na Seleção Nacional: marcou quatro golos em seis jogos efetuados.

João Alves: «Futebol à portuguesa»
Portugal apresentou em Copenhaga uma equipa bastante segura e jogou um bom futebol. Jogou um futebol “à portuguesa”, ou seja, com muita segurança e criatividade à mistura. Acabou por fazer jus ao resultado.

Fernando Chalana: «Objetivo cumprido»
A Seleção Nacional criou ótimas oportunidades frente à Dinamarca. Quero salientar ainda a atitude dos jogadores lusos que cumpriram o seu papel. O objetivo foi atingido: conquistaram os desejados três pontos.

Paulo Futre: «Portugal superior»
Houve nervosismo provocado pelos maus jogos no passado, mas Portugal foi claramente superior à Dinamarca. Era importante não perder este jogo, contudo graças ao bom desempenho contentava-me com o empate.

Maniche: «Lição para estudar»
Os jogadores ainda estão a assimilar aquilo que Fernando Santos quer implementar, mas a vitória foi o mais importante. A equipa deu tudo aquilo que tinha. Os jogadores lutaram, sacrificaram-se e foram muito humildes.

Manuel Fernandes: «Ronaldo resolve»
Foi um jogo muito sofrido, mas quem tem Cristiano Ronaldo tem tudo. Mais uma vez o nosso CR7 resolveu. Em termos ofensivos, foi o jogador que esteve melhor. Só um grande ponta-de-lança faz aquele golo. É único.

Luís Vidigal: «Selecionador certo»
Foi um jogo bem pensado. Fernando Santos é nesta altura o homem certo no lugar certo. É verdade que sofremos até ao último minuto, mas percebemos a boa capacidade defensiva da nossa Seleção Nacional.

António Magalhães: «Uma noite de santos»
Com oito dias de trabalho, com gente nova e recuperada, Fernando Santos construiu um espírito e um grupo capaz de acreditar na vitória até ao fim. Ronaldo perdeu um golo, mas decididamente nasceu abençoado.

Rui Dias: «A força de dois génios»
A exibição tinha sido boa e o empate não era mau resultado. Mas Portugal beneficiou de contingências limite de um jogo equilibrado. Para isso contou com dois génios: RQ7 que inventou um centro, CR7 que fez o golo.

Júlio Silva: «Um golo decisivo»
Já se previa um jogo complicado. Portugal esteve sempre bem e a equipa mostrou uma grande atitude e coragem. No final a Seleção Nacional foi recompensada com o golo de Cristiano Ronaldo no último minuto.

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