Emílio Peixe e Rui Costa recordam título mundial de 1991

Portugal sagrou-se bicampeão de juniores, no Estádio da Luz, faz hoje 26 anos

• Foto: Lusa

A 30 de junho de 1991, há precisamente 26 anos, Portugal sagrou-se bicampeão mundial de sub-20, ao vencer o Brasil, nos penáltis, numa final disputada num Estádio da Luz repleto. Orientada por Carlos Queiroz, a equipa das quinas repetiu o triunfo alcançado dois anos antes na Arábia Saudita, num título que não voltaria a alcançar desde então. Emílio Peixe e Rui Costa foram duas das figuras desse Mundial de 1991 e admitem que esses foram momentos únicos nas suas vidas.

"Posso recordar o que disse quando acabou esse jogo: esperava vir a ser um bom jogador, jogar em equipas que me permitissem ganhar tudo, mas que nada poderia vir a dar-me mais alegria do que aquele título", lembrou Rui Costa em declarações divulgadas pelo Sindicato de Jogadores Profissionais de Futebol (SJPF). "Porquê? Na altura nós estávamos todos a começar as nossas carreiras, uns a sair dos juniores, outros a jogar em equipas mais pequenas, emprestados pelos grandes, como eu que estava no Fafe, mas a jogar para trezentas, quinhentas ou mil pessoas. E de repente estávamos a jogar para um Estádio da Luz com 130 mil pessoas a representar o nosso país numa idade em que não sabíamos o que era aquilo", acrescentou o antigo craque do Benfica e da Seleção Nacional.

"Hoje, nove anos depois de ter acabado a carreira, posso garantir que aquilo que senti naquele dia veio a confirmar-se. Tive a carreira que tive, fui campeão da Europa de clubes, talvez a prova mais importante para um jogador de clube, mas quando a ganhei já estava pronto para a ganhar, já estava a trabalhar para isso há muito tempo. Naquela altura, não, era tudo uma novidade para nós. Estávamos a nascer para o futebol, era uma novidade para nós. Parece que foi ontem, pois é algo que esteve sempre muito presente na minha carreira", sublinhou Rui Costa.

Quando Emílio Peixe, eleito o melhor jogador desse Mundial e agora selecionador nacional de sub-20, também não esquece os momentos vividos então. "São muitas e boas memórias do Mundial de 1991, com relações de amizade que ainda hoje perduram. Fundamentalmente isso, mas também, claro, o facto de termos ganho o Mundial, que é marcante para qualquer atleta, porque foi um momento único na carreira", salientou o antigo jogador do Sporting - depois, passou também por FC Porto e Benfica, entre outros clubes.

"Geração de ouro"

E Peixe não esconde o orgulho por ter recebido a Bola de Ouro, troféu entregue pela FIFA ao melhor jogador desse Mundial. "Foi muito importante, para mim, para a minha família, mas sobretudo porque me ajudou imenso no início da minha carreira. Dentro de um conjunto alargado de muitos bons jogadores, ter recebido esse prémio foi um motivo de orgulho", frisou o ex-médio, hoje com 44 anos, destacando aquela que ficou para a história do futebol português como a "geração de ouro".

"Não foi só a nossa, mas a anterior, que fora campeã em Riade. Todos esses jogadores deram um sinal ao Mundo de que estava a mudar o paradigma do futebol em Portugal. Aproveitamos essa onda positiva, tudo o que nos deram na altura, para irmos à procura da nossa felicidade, com um espírito de unidade muito forte, uma liderança muito forte e a conjugação desses fatores levou-nos a vencer esse Mundial", acrescentou o agora treinador.

Já Rui Costa também sublinhou a satisfação pelo sucesso alcançado por aquele grupo de jogadores. "Orgulho-me de ter feito parte daquela geração que, acima de tudo, dignificou muito o futebol português. Acabou por ser essa base que veio modificar a mentalidade da Seleção Nacional. Se recuarmos a 1966 também era uma geração de ouro, como foi a de 1984. O que mudou foi que a nossa geração teve muitos jogadores a saírem cedo para outros campeonatos muito competitivos e com isso trouxe outra mentalidade. Hoje, não estar numa fase final é que seria uma surpresa. Naquela altura, íamos de vez em quando às fases finais e foi isso de diferente que trouxe a nossa geração. Hoje, estas gerações já estão prontas para ganhar, como aconteceu em França. Estão prontas para lutar por títulos porque a realidade do futebol português hoje é essa", referiu.

Grandes jogadores

Sobre a final com o Brasil, o agora dirigente do Benfica, de 45 anos, recorda a qualidade evidenciada pelos jogadores. "Foi um enorme jogo de futebol. Essa competição teve inúmeros grandes jogos, com muita emoção e bem jogados. Estiveram presentes grandes jogadores que marcaram a década seguinte do futebol mundial e basta lembrar que o Brasil, nessa final, tinha jogadores como Roberto Carlos e Élber. Foi uma grande final, com duas excelentes equipas e tão equilibrado foi que se o jogo tivesse tido 350 minutos teríamos tido sempre o desempate por penáltis", lembrou.

Mas, 26 anos depois da histórica final de Lisboa, Rui Costa defende que, se pudesse, acabava com os desempates por penáltis porque "as pessoas só se lembram de quem falha os penáltis e não se pode reduzir uma derrota coletiva a um jogador."

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