Santos "nunca recusaria" a Seleção

Santos nunca recusaria a Seleção
Santos nunca recusaria a Seleção

"Disse muitas vezes que nunca iria recusar treinar a Seleção do meu país". As palavras são de Fernando Santos em entrevista a Record, em outubro de 2011, ainda longe de imaginar que quase três anos depois cumpriria finalmente um dos objetivos da carreira.

Aos 59 anos, os caminhos de Fernando Santos já estiveram por várias vezes muito perto de se cruzar com os da Seleção Nacional, mas por razões diferentes e am alturas distintas, o casamento acabou por nunca se dar.

Na mesma entrevista a Record, Santos lançou então um desabafo: "Não, não tenho espinhas encravadas. Na vida temos algumas situações que consideramos injustas, mas isso passa, senão estava desgraçado. Disse muitas vezes que nunca ia recusar treinar a Seleção do meu país. Tive algumas hipóteses: umas vezes não fui porque fui para o FC Porto, depois voltei mais tarde a ser uma opção consistente quando saiu António Oliveira, mas tinha assinado pelo Panathinaikos. Se acontecer, acontecerá, caso contrário não fico aborrecido".

E aconteceu mesmo. Esta quarta-feira, seis anos depois de ter saído do Benfica pela porta pequena, o técnico lisboeta foi confirmado como novo selecionador nacional.

Herói na Grécia

Vencedor de cinco troféus em Portugal, entre os quais o quinto título consecutivo do FC Porto, que fez dele o "Engenheiro do Penta" em 2000/2001, Fernando Santos acabou por ter de ir para a Grécia para que finalmente convencesse a Federação de que seria a opção preferencial para orientar a equipa das quinas e logo num período em que até está suspenso pela FIFA e proíbido de se sentar no banco de suplentes.

Depois de ser despedido do Benfica no início da temporada 2007/2008, Fernando Santos relançou a carreira no PAOK, onde fez três boas épocas, e foi convidado para assusmir o cargo de selecionador grego no início da fase de apuramento para o Euro 2012.

Santos ajudou a Grécia a fazer uma brilhante fase de qualificação para o Europeu, onde os helénicos somaram 7 vitórias e 3 empates e esteve a excelente nível na fase final, onde os gregos apenas foram eliminados nos quartos-de-final pela Alemanha, por 4-2, num encontro emocionante em que a formação orientada por Fernando Santos chegou a ameaçar o escândalo.

Na fase de qualificação para o Mundial do Brasil, o cenário não foi distinto. Os gregos foram superados pela Bósnia (embora em igualdade pontual) na fase de grupos, mas apresentaram-se a grande nível no playoff, onde não deram grandes chances à Roménia.

No Brasil, Fernando Santos potenciou ao máximo a qualidade do plantel que tinha ao seu dispôr e acabou por conseguir apurar os gregos para os oitavos-de-final, num grupo com a poderosa Colômbia, a Costa do Marfim e o Japão. Nos oitavos-de-final, no jogo que acabou por ditar a longa suspensão de Santos, os gregos acabaram por não resistir à Costa Rica, grande sensação da prova, nas grandes penalidades.

Em quase quatro anos à frente da Grécia, Fernando Santos teve o mérito de voltar a colocar entre a elite do futebol internacional uma seleção que em 2004 surpreendeu o Mundo ao vencer em Portugal do Europeu. E tudo isto, numa altura em que o futebol acaba por ser um dos poucos escapes de um povo a crise política e económica que a Grécia tem vivido.

Fernando Santos na seleção grega

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