O Equilíbrio da Luta pelo Título: Mérito, Eficácia e o Fator Arbitragem
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O campeonato nacional atingiu o seu ponto de ebulição no passado dia 19 de abril. Após o desfecho do último domingo, onde o Benfica foi a Alvalade vencer o Sporting com todo o mérito, o cenário da tabela sofreu uma mutação significativa. Com este triunfo no dérbi, as águias ultrapassaram os leões na classificação, ainda que o Sporting mantenha um trunfo na manga: o jogo em atraso contra o Tondela.
O dado mais impressionante da campanha do Benfica é a sua invencibilidade. Até à data, a equipa da Luz não conheceu o sabor da derrota. No entanto, o sentimento entre os adeptos é de que a margem poderia ser outra. Os empates averbados ao longo da prova foram, em grande medida, fruto de erros próprios — falta de eficácia na finalização ou desconcentrações momentâneas e por vezes momentos de menor inspiração individual.
Tivesse o Benfica garantido esses pontos e estaríamos hoje a falar de um campeonato discutido de forma desequilibrada, com uma vantagem pontual que refletiria melhor a consistência da equipa.
É imperativo reconhecer que tanto o FC Porto como o Sporting apresentam um futebol de referência. Possuem quadros técnicos de enorme competência e planteis com argumentos para discutir qualquer jogo. Contudo, a análise da época não pode ignorar o impacto direto das decisões de arbitragem dentro das quatro linhas.
Não se trata aqui de alimentar teorias de conspiração sobre o controlo das estruturas do futebol, mas sim de constatar factos ocorridos no terreno de jogo.
Esta evidência manifestou-se em decisões cruciais onde, precisamente em momentos decisivos de jogos onde os rivais sentiam dificuldades, surgiram erros de arbitragem que ditaram viragens artificiais no marcador.
Esta dualidade acentuou-se através de um critério díspar, onde a balança do benefício tendeu visivelmente para os lados de Alvalade e do Dragão, atenuando exibições menos conseguidas que, noutras circunstâncias, teriam resultado numa inevitável perda de pontos.
O Benfica saiu de Alvalade com muito mais do que três pontos: resgatou a autoridade e provou que, quando o talento se mede olhos nos olhos, a alma encarnada continua a ditar as leis. Num campeonato onde as incidências externas e os critérios dispares têm tentado moldar a tabela, o Benfica responde com o argumento mais incontestável de todos: a vitória frente aos seus rivais. Isto sem nos afastar de uma análise crítica e real a determinados jogos, onde a obrigatoriedade de ganhar ficou por terra, penalizando-nos por culpa própria.
Mais do que olhar para distâncias pontuais ou calendários condicionados, importa sublinhar a fibra de uma equipa que se recusou a cair e que faz da invencibilidade o seu estandarte de resiliência. Isto é incontestável!
Se a qualidade de jogo é o motor dos grandes, o Benfica demonstrou que, livre de “redes de segurança” ou benefícios alheios, o seu valor, quando vem ao de cima, é soberano. Até ao fecho da cortina, resta a certeza de que as águias continuarão a lutar contra tudo e contra todos, reafirmando em cada jornada que o verdadeiro vencedor se molda no terreno de jogo e não nos erros de quem o deveria apenas julgar.
A minha sensação é a de que, mesmo que o Benfica tivesse jogado esta época num padrão superior em termos de qualidade, possivelmente isso não seria garantia da conquista do campeonato; os rivais tiveram sempre do seu lado o “terceiro fator” - a arbitragem - e isso não é uma sensação, mas sim uma realidade.
