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Nação valente e imortal: o balanço da Seleção e futebol nacional em 2025

Os momentos que marcaram o ano que agora termina
27 de dezembro de 2025 às 08:31
Os momentos que marcaram o ano que agora termina
27 dezembro 2025 - 08:31

Chegou o final do ano e aquela altura em que fazemos uma análise a tudo aquilo que aconteceu no desporto de janeiro a dezembro. Os Balanços Record já são uma instituição do nosso jornal. Depois de uma viagem por algumas das fotografias que marcaram 2025, seguimos agora para os momentos marcantes que envolveram as Seleções e o Futebol Nacional.  

Seleção Nacional
Portugal festeja conquista da Liga das Nações
Portugal festeja conquista da Liga das Nações

Final da Liga das Nações

A crónica do Portugal-Espanha, 2-2 (5-3 pen.): bis a sonhar com o Mundial

O futebol é a coisa mais importante entre a coisas menos importantes.” Esta frase do mítico treinador italiano Arrigo Sacchi ganhou ainda mais significado neste ano de 2025. É que a Seleção Nacional ganhou a Liga das Nações e garantiu o apuramento para o Campeonato do Mundo de 2026, mas, mesmo assim, falta qualquer coisa... falta Diogo Jota. Antes de falecer, o avançado português levantou aquele que foi o terceiro troféu da Seleção e é assim que o vamos lembrar, um vencedor que ajudou a escrever esta história que, tal como ele queria, esperemos que tenha contornos ainda mais dourados.

Depois de ultrapassar a Dinamarca de forma épica nos quartos de final da Liga das Nações – Trincão foi herói na reviravolta da 2ª volta –, a equipa das quinas chegou à Alemanha para enfrentar a anfitriã com um ponto de interrogação gigante:estaria o lugar de Roberto Martínez em perigo?Segundo noticiámos, a saída era mesmo um cenário bem possível caso o caneco não viesse para a Cidade do Futebol e... já havia nomes no ar. Mourinho, Jorge Jesus... Mas o espanhol de 51 anos fechou os ouvidos e a Seleção respondeu em campo: virou contra a Alemanha e, na final contra a campeã europeia Espanha, foi mais eficaz nos penáltis.

Só falta um

Depois do Euro’2016 e da Liga das Nações’2019, Portugal junta mais este título que até tem vista para outro... para o que falta: o de campeão do Mundo. Mas, antes de pensar naquele troféu dourado, era preciso agarrar o bilhete na qualificação mais curta de sempre: apenas 6 jogos. Depois de 3 vitórias consecutivas, a equipa das quinas dispôs de 3 ‘match points’ para garantir a qualificação para a prova que se realiza nos EUA, México e Canadá... mas só à terceira que foi mesmo de vez:um empate com a Hungria e uma derrota com a Irlanda deixou tudo para a última, mas aí não houve meias medidas: goleada por 9-1 contra a Arménia para que não haja dúvidas. Estamos no Mundial!

Mais um recorde para CR7

É o próprio que diz que são os recordes que o perseguem e não é que houve mais um a apanhá-lo?!Cristiano Ronaldo marcou 5 golos nos 5 encontros na qualificação para o Mundial e tornou-se no maior goleador de sempre destes apuramentos, com 41 tiros certeiros em 51 jogos. Ultrapassou o guatemalteco Carlos Ruiz. Acrescentando os 3 golos na Liga das Nações, o avançado de 40 anos terminou 2025 com 8 tentos em 9 partidas. Por falar em recordes... já vai em 226 internacionalizações e 143 golos marcados. O capitão já disse que o Mundial’2026 será o seu último e, por isso, nada melhor do que concretizar o sonho dos portugueses... e de um em particular. 

Diogo Jota celebra conquista da Liga das Nações
Diogo Jota celebra conquista da Liga das Nações

Tragédia de jota deixa país de luto

O ano foi de sucesso para a Seleção, mas a conquista da Liga das Nações acabou por ser ofuscada pela trágica morte de Diogo Jota. Na manhã de 3 de julho, o país acordou em choque com a notícia de que o avançado do Liverpool, de 28 anos, tinha falecido num brutal acidente de viação na província de Zamora, no norte de Espanha, tendo o terrível acontecimento ceifado também a vida do irmão André Silva, de 25 anos, que representava o Penafiel, da 2ª Liga.

O acidente ocorreu por volta das 00h40 locais, com o veículo em que o internacional português seguia a sair da estrada e a ficar em chamas. Jota tinha sido recentemente sido sujeito a uma cirurgia pulmonar devido a um pneumotórax, sendo desaconselhado a viajar de avião nas semanas seguintes para não prejudicar a sua recuperação. Assim, o jogador tinha partido de carro, do Porto, em direção a Santander (Espanha), para apanhar um barco para Inglaterra. Tinha-se casado dias antes, a 22 de junho, com Rute Cardoso, companheira desde a adolescência, e deixou três filhos pequenos.

A grande maioria do plantel do Liverpool, incluindo alguns ex-jogadores dos reds, marcou presença no velório e no funeral, em Gondomar. As homenagens multiplicaram-se, com a Federação a eternizar a sua camisola na Cidade do Futebol e o Liverpool a retirar o número 20 para sempre, mas a maior será cumprir o seu grande sonho: vencer o inédito Mundial em 2026. 

Obituário

Manuel Sérgio (19 fev.), português, 91 anos, filósofo e professor de treinadores de futebol. Foi também dirigente do Belenenses, do qual era sócio;

Joseph Wilson (27 fev.), português, 92 anos, psicólogo que trabalhou na formação e na comunicação da FPF;

Yvann Martins (21 mar.), português, 19 anos, avançado que representava os juniores da UD Oliveirense;

Fernando Oliveira (23 abr.), português, 84 anos, presidente do V. Setúbal em dois períodos, entre 1986 e 1990 e de 2009 a 2017;

Peixoto (1 mai.), português, 73 anos, antigo defesa do Estoril, que representou de 1973/74 a 1978/79, e mais tarde em 1983/84;

Carlos Esteves (6 mai.), português, 85 anos, ex-presidente do Conselho de Arbitragem da FPF entre 1983 e 1985. Também liderou a APAF;

António Boronha (1 jun.), português, 76 anos, ‘vice’ da FPF entre 1998 e 2002 e presidente do Farense de 1989 a 1992 e de 1995 a 1998.

Osvaldinho (3 jun.), português, 79 anos, antigo lateral esquerdo do V. Guimarães, que defendeu por 254 vezes nas décadas de 60 e 70;

Rolando da Cruz (25 jul.), português, 76 anos, mítico roupeiro do Tondela durante 43 anos;

Joaquim Oliveira (16 ago.), português, 78 anos, empresário na área do desporto e fundador da Olivedesportos, dona da Sport TV.

Carlos Barbosa (7 set.), português, 61 anos, ex-presidente do Paços de Ferreira entre 2010 e 2014;

Júlio Lourenço (16 out.), português, 52 anos, ex-jogador do V. Setúbal. Treinou José Mourinho no emblema sadino;

Mário João (28 out.), português, 81 anos, defesa central do Boavista, do qual foi capitão, entre as épocas 1969/70 e 1979/80;

Luís Leal (13 nov.), português, 90 anos, sócio número 1 do Varzim, jornalista e colaborador de Record.

Seleções Jovens
Seleção sub-17 junta conquista do Mundial à do Europeu
Seleção sub-17 junta conquista do Mundial à do Europeu

Seleção sub-17 faz história: meninos conquistam o mundo

As páginas mais douradas das seleções portuguesas no ano de 2025 foram escritas pelos sub-17, com a conquista do inédito título mundial do escalão, menos de seis meses depois de se terem sagrado campeões europeus - neste caso pela 3ª vez, depois de 2003 e 2016.

Considerada por muitos como uma das mais talentosas de sempre, esta geração deixou milhares de portugueses colados aos ecrãs, demonstrou maturidade, solidariedade coletiva e também eficácia para vencer e... ficar na história, dando às quinas o 3º título mundial em futebol após as conquistas dos sub-20 em 1989 (Arábia Saudita) e 1991 (Portugal), ambas com Carlos Queiroz ao leme.

Depois da conquista do Europeu, a 1 de junho, na Albânia, com uma vitória esclarecedora sobre França (3-0), os comandados do técnicoBino Maçães colocaram a cereja no topo do bolo em Doha, noQatar, a 27 de novembro, graças ao triunfo sobre a Áustria (1-0), na final do Mundial, que foi decidida com um golo do avançado Anísio Cabral (32’).Num grupo com Japão, Marrocos e Nova Caledónia, Portugal apurou-se no 2º lugar atrás dos nipónicos e na fase a eliminar deixou pelo caminho a Bélgica (2-1), o México (5-0) e a Suíça (2-0), até chegar à meia-final com Brasil, num duelo com final dramático e só decidido nos penáltis após um 0-0. Com 4-4 no desempate dos 11 metros, o guarda-redes português, RomárioCunha, assumiu surpreendentemente a cobrança do 5º castigo luso mas... falhou, o que parecia deitar por terra todas as aspirações lusas, só que logo a seguir os canarinhos também desperdiçaram e, na morte súbita, a equipa das quinas acabou por garantir a vitória (6-5).

Nova geração dourada

Para as fases finais do Europeu e do Mundial, Bino Maçães convocou 22 jogadores, sendo que 19 deles acumularam a presença em ambas as listas e, naturalmente, os respetivos títulos (ver infografia), num total de cinco emblemas representados, todos portugueses: Benfica, FC Porto, Sporting, Sp. Braga e V. Guimarães.

Mide como MVP na montra de Doha

Com 4 golos e duas assistências em 8 jogos,Mateus Mide, médio de 17 anos do FCPorto, foi eleito o melhor jogador do Mundial. Já RomárioCunha (Sp.Braga) foi o melhor guarda-redes e o central Mauro Furtado (Benfica) o MVP da final e o 3.º melhor jogador da prova, enquanto o avançado AnísioCabral(Benfica) acabou como o 2.º melhor marcador (7 golos). 

Luís Pedro Sousa (chefe de redação) e Bernardo Ribeiro (diretor de Record) entregam Record de Ouro a Bino Maçães
Luís Pedro Sousa (chefe de redação) e Bernardo Ribeiro (diretor de Record) entregam Record de Ouro a Bino Maçães

Bino Maçães recebeu o Record de Ouro

Quatro dias depois de comandar a conquista portuguesa do Mundial no Qatar e ainda na ressaca dos festejos no regresso da comitiva a Portugal, Bino Maçães fez uma visita à redação da Medialivre e foi distinguido pelo nosso jornal com o Record de Ouro. Surpreendido com o reconhecimento, o selecionador nacional, de 53 anos, assumiu, na altura, que a ficha ainda não lhe tinha caído e... nem iria cair. “O meu coração está cheio porque o desempenho que os miúdos tiveram nas duas competições, Europeu e agora Mundial, deixa-me orgulhoso e realizado enquanto treinador”, expressou, numa entrevista publicada nas diversas plataformas de Record.

Antigo médio e campeão europeu de sub-16 em 1989, tendo sido, no mesmo ano, 3º do Mundial desse escalão - entretanto substituído pelo atual sub-17 -, Bino Maçães partilhou connosco alguns dos segredos desta geração de jovens craques que lidera e deixou um apelo a pensar no futuro do futebol português: “Acima de tudo, o talento tem de ser aproveitado, mas não tem de ser no imediato.”

Três perguntas a Hélder Cristóvão: talento deve queimar etapas para evoluir

1. Qual é a real dimensão do feito dos sub-17 e como devem ser gerida a nova fornada de talentos?

Este feito só terá dimensão se os clubes continuarem a dar oportunidade a estes jovens para poderem competir e evoluir. Nada é conseguido sem continuidade. É um feito extraordinário, que faz com que Portugal seja ainda mais visto como uma grande potência na formação. Agora é importante dar-lhes competição para continuarem a escalar patamares. Penso que devem queimar-se etapas, porque se tal não acontecer os jogadores não evoluem. Estes miúdos têm de ser reconhecidos e recompensados de forma equilibrada, mas com competição forte.

2. Foi colega de equipa de Bino Maçães. Surpreende-lhe este sucesso?

O sucesso é muito do Bino Maçães, mas a Federação tem criado condições para que mais treinadores se possam destacar. Fico muito contente por ele. Sempre teve uma postura muito elegante e correta. É bom ver um ex-colega representar Portugal com sucesso.

3. Que balanço faz dos quase 15 anos de Rui Jorge nos sub-21?

Penso que faltou um título para colocar a cereja no topo do bolo, pelo muito que construiu e fez. A longevidade dá-lhe essa distinção, mostra que é uma pessoa equilibrada e que trabalha muito bem, mas também penso que os ciclos na seleção devem ser mais curtos. As expectativas para o Luís Freire são boas porque a base está lá. Vai beneficiar do trabalho que o Rui Jorge fez e do que os clubes vão fazer. É ponderado, assertivo e começou bem. Espero que tenha mais sorte que o Rui Jorge nas decisões.

Luís Freire, selecionador sub-21
Luís Freire, selecionador sub-21

Sub-21: Virar de uma página para uma nova era

Entre novembro de 2011 e julho de 2025, Rui Jorge comandou os destinos da seleção portuguesa de sub-21 de forma ininterrupta. Olongo reinado terminou a meio deste ano, logo depois do Europeu da categoria, no qual Portugal caiu nos quartos de final aos pés da Holanda.

Fechou-se um ciclo e, de imediato, iniciou-se uma nova era com a chegada de Luís Freire. O técnico, de 41 anos, ficou livre quando saiu do V. Guimarães, em maio, e foi a aposta da estrutura da Federação para assumir um projeto de extrema importância, que prepara a transição de muitos jovens das seleções jovens para a Seleção A.

Depois de vários anos a liderar clubes, Luís Freire aceitou o repto e atirou-se de cabeça para um novo desafio, dando um rumo diferente à carreira. Sem tempo a perder, o novo selecionador comandou já os sub-21 em cinco partidas oficiais, todas elas inseridas na qualificação para o Euro’2027, com um registo muito positivo: cinco jogos, quatro vitórias, um empate, 21 golos marcados e... zero sofridos. Números que se traduzem na liderança isolada do grupo B e que deixam o grande objetivo do apuramento muito bem encaminhado.

Em 2026, Luís Freire procurará confirmar o bilhete para a competição para colocar a Seleção sub-21 em mais um grande torneio, de forma a dar continuidade ao hábito criado sob a égide de Rui Jorge.

Nesse sentido, a herança é pesada para Luís Freire, porque, de facto, a liderança do antecessor foi pródiga em presenças nas fases de decisão das principais provas da categoria. Uma prática que levou à subida de exigência nos patamares de formação e que ajudou à valorização de muitos jovens que viriam, mais tarde, a saltar para a Seleção A. Fica apenas a mancha de nenhuma das 90 vitórias em 127 jogos oficiais se ter traduzido em qualquer grande título nestes 14 anos e meio, uma tendência que Luís Freire tentará inverter a médio prazo, a começar já no Euro’2027. 

Injeção de sangue novo já se faz sentir

A chegada de Luís Freire ao comando técnico dos sub-21 foi para muitos jovens a oportunidade desejada para dar o salto. A entrada em cena do selecionador acelerou a injeção de sangue novo naquele escalão e os números comprovam-no, já que, de julho até ao final de 2025, 16 jogadores tiveram honras de estreia em jogos oficiais.

Um número considerável que reforça o leque de opções e mostra um raio de observação alargado, na medida em que muitas destas escolhas chegaram não só dos ditos grandes, como de outros clubes nacionais e estrangeiros.

André Gomes, Martim Fernandes, Tiago Parente, Tiago Gabriel, Leonardo Barroso, José Sampaio, GonçaloOliveira, Diogo Travassos, Fábio Baldé, João Simões, Rafael Luís, Vivaldo Semedo, Diego Rodrigues, Gustavo Varela, João Rego e Afonso Moreira são os 16 nomes que Luís Freire já promoveu a internacionais sub-21.

Outros jogadores houve que foram convocados pela primeira vez sob a égide do novo selecionador, mas sem terem tido ainda a oportunidade para somarem minutos. Ainda assim, estão garantidamente um passo mais perto de somarem essa primeira internacionalização. 

Futebol Nacional
Plantel do Boavista tentou, mas não conseguiu evitar a descida em 2024/25
Plantel do Boavista tentou, mas não conseguiu evitar a descida em 2024/25

Queda estrondosa de um campeão

Do topo ao fundo da pirâmide. A queda estrondosa do Boavista, clube campeão nacional em 2000/01, foi um dos acontecimentos mais marcantes do ano no nosso futebol.

Os problemas financeiros arrastavam-se há muito, os ‘FIFA bans’ chegaram a ser solucionados, permitindo a inscrição de 10 reforços em fevereiro, mas os resultados desportivos foram insuficientes para evitar o último lugar da 1ª Liga, confirmado só na derradeira jornada. A partir daí, foi uma... avalanche: a SAD não conseguiu a inscrição na 2ª Liga – a Oliveirense salvou-se da queda à Liga 3 – nem, posteriormente, nas competições da FPF, Liga 3 e Campeonato de Portugal, caindo assim para a Liga Pro, categoria principal da AF Porto.

A SAD e direção do clube trocaram acusações ao longo do processo, foi criada uma equipa sénior gerida pelo clube para competir no 4º escalão da AFPorto, mas entretanto já desistiu e, como se tudo isto não bastasse, clube e SAD enfrentam processos de insolvência. Paralelamente, nasceu o Panteras Negras FC, por iniciativa da claque boavisteira, que compete na AFPorto. O futuro do Boavista, esse, é incerto. 

Chovem milhões no Minho

O Sp. Braga desiludiu na UEFA e caiu na fase regular da Liga Europa 2024/25, mas esta época vai bem lançado, com o técnico CarlosVicens, que viu a SAD investir mais do que nunca no mercado, ao comprar Pau Víctor (12 M€) e Dorgeles (11 M€), os mais caros reforços do clube. E vendeu Roger ao Al Ittihad por 32 milhões de euros!

O V. Guimarães amealhou 9,7 M€ ao chegar aos ‘oitavos’ da Liga Conferência, mas falhou o acesso à Europa para este ano e saíram alguns jogadores relevantes do passado recente. O Santa Clara foi à 3ª prova UEFA, caindo no playoff.

Ao longo deste ano, entraram novos investidores ou parceiros em vários emblemas: Moreirense, Gil Vicente, Alverca e Tondela.

Tondela festeja regresso à 1.ª Liga 3 anos depois
Tondela festeja regresso à 1.ª Liga 3 anos depois

Liga Meu Super: Tondela e Alverca sobem no frenético sprint final

Se o caro leitor aprecia doses generosas de imprevisibilidade no futebol, então não se pode mesmo queixar da pretérita edição da 2ª Liga. A habitual montanha-russa tomou níveis ainda mais vertiginosos com o aproximar do fim da época 2024/25.

À entrada das últimas 4 rondas, eram 4 os sérios candidatos à subida – Tondela, Vizela, Alverca e Chaves – e o elevador só funcionou na derradeira jornada e até com mudanças de cenário durante os jogos da decisão. O Tondela foi campeão e a equipa que mais tempo passou na liderança, apesar de ter visto voar os 6 pontos de vantagem à 29ª jornada para terminar só com 1 e 2 pontos de avanço sobre Alverca e Vizela.

Os ribatejanos voltaram à 1ª Liga 21 anos depois, mérito de uma reta final soberba, com triunfos determinantes sobre os rivais diretos Chaves e Tondela nas últimas quatro jornadas.

O Vizela fez uma segunda volta sensacional, mas travada à 32ª ronda, com um empate que fez a equipa perder o lugar de subida. Acabou no playoff, onde sucumbiu diante o AVS SAD.

Para a história ficam os trabalhos notáveis de Luís Pinto e Vasco Botelho da Costa em Tondela e Alverca, com ambos a abraçar projetos relevantes na 1ª Liga - V. Guimarães e Moreirense. Mas também ficou na retina o fenómeno Penafiel: líder isolado no fim da primeira volta e... a pior equipa na segunda! Já o Mafra desceu de divisão.

Lusitânia Lourosa vence Liga 3
Lusitânia Lourosa vence Liga 3

Liga 3: Inédita promoção carrega uma... casa às costas

O Lus. Lourosa foi o grande campeão da Liga 3, lançando-se pela primeira vez nos campeonatos profissionais, após ter falhado o acesso um ano antes, via playoff. Mas a tão desejada subida traz o peso de uma casa às costas. Agora na 2ª Liga, a equipa de Pedro Miguel continua com o seu estádio em obras e já jogou como visitada em Vila Nova de Gaia, Rebordosa, Famalicão e até, imagine-se, no Algarve!

Subiu de divisão na companhia do Sporting B, que se fez valer de muitos talentos de Alcochete (entre os quais Afonso Moreira, hoje no Lyon) para regressar ao futebol profissional, de onde tinha caído em 2018.

Na luta titânica pelo playoff, o Belenenses levou a melhor sobre o Varzim, até ganhou a 1ª mão da eliminatória com o P. Ferreira, mas viria a cair no prolongamento, na Mata Real.

Em 2025/26, o grande equilíbrio na Série Norte contrasta com a vantagem robusta, na Série B, do Belenenses na corrida pela fase de campeão.

FPF e Liga mudaram de mãos: novas dinastias no eixo do poder

O ano de 2025 trouxe mudanças profundas nas instituições que regem o futebol português: Pedro Proença saiu da Liga e assumiu a presidência da FPF, levando consigo uma vasta equipa (Helena Pires, Vasco Pinho, Rui Caeiro, entre outros), num processo revestido de alguma polémica com Fernando Gomes, o antecessor que rumou ao Comité Olímpico. Na Liga Portugal, Reinaldo Teixeira foi eleito para conduzir os destinos num ciclo decisivo com a aproximação da centralização dos direitos audiovisuais, ainda com os clubes distantes em relação à chave de distribuição.

O sector da arbitragem também viveu mudanças relevantes: Luciano Gonçalves assumiu a presidência do Conselho de Arbitragem, apostou em Duarte Gomes para diretor técnico nacional e promoveu uma separação de quadros e carreiras entre árbitros e VAR. João Pinheiro apitou a final da Supertaça europeia, esteve no Mundial sub-20 e poderá ser eleito para o Mundial’2026.

Futsal
Benfica conquista o título de campeão de futsal em casa do Sporting
Benfica conquista o título de campeão de futsal em casa do Sporting

Águia volta a reinar

As grandes conquistas são mais saborosas quando conseguidas nos últimos instantes e foi assim que o Benfica se sagrou campeão nacional, celebrando pela primeira vez desde 2019. Melhor ainda, a festa do título aconteceu no Pavilhão João Rocha, casa do maior rival, que esteve a vencer por 2-0 no jogo 5.

A equipa orientada por Cassiano Klein - no ano de estreia do brasileiro em Portugal - passou a época a correr atrás do vizinho. Foi assim na fase regular e também na final, na qual o Sporting, com a goleada por 5-1 no jogo 3, pareceu encaminhado para o inédito penta. No entanto, oBenfica venceu o duelo seguinte e levou a decisão para Alvalade. Nesse quinto dérbi, os leões estiveram a vencer 2-0 e o título pareceu encaminhado para a equipa de Nuno Dias, mas não foi assim devido a um final de jogo de loucos. OSporting marcou o 3-2, aos 32’, e só precisava manter a vantagem nos últimos 7 minutos. No entanto, os golos de Diogo Nunes (36’)e Afonso Jesus (37’) tornaram os encarnados campeões. Pela primeira vez no futsal nacional, a equipa que venceu a fase regular não conquistou o troféu.

Destaque ainda para o regresso a Portugal de Pany Varela. Oala, de 36 anos, que venceu mais de 20 títulos pelo Sporting, trocou o Al-Nassr pelo Benfica, voltando assim ao clube da formação. 

Sporting CP conquista a Supertaça de futsal
Sporting CP conquista a Supertaça de futsal

Leão sem rival nas Taças

OSporting, que iniciou a época como grande dominador das quadras em termos nacionais, falhou, por minutos, o quinto título consecutivo, mas nas outras competições internas não deu hipóteses à concorrência e venceu tudo.

A equipa de Nuno Dias começou por vencer a Taça da Liga e de forma a não deixar dúvidas, pois conquistou-a com três goleadas. Começou com 7-3 ao Fundão, na meia-final ganhou 5-1 ao Benfica e depois 9-0 ao Quinta dos Lombos. Na Taça de Portugal, nova demonstração de qualidade dos leões, com vitórias tranquilas até à final na qual derrotaram o eterno rival , por 4-3.

Já a contar para a nova temporada, o Sporting ganhou o primeiro título, último de 2025, goleando o Benfica na Supertaça, por 6-1. Os leões vingaram assim, na primeira ocasião, a derrota da Liga.

Seleção sub-19: Trono europeu reconquistado

Pela segunda vez consecutiva, Portugal é campeão europeu de sub-19. A equipa das quinas defrontou Espanha na final e voltou a ser feliz. A seleção do país vizinho até esteve a vencer por dois golos de diferença, mas um golo de Eduardo Tchuda, a 14 segundos do fim do prolongamento, valeu a revalidação do título. Rodrigo Monteiro, com 7 golos, foi o melhor marcador e jogador do torneio. Com a conquista, Portugal tem agora o mesmo número de títulos (2) de Espanha. 

Futebol de Formação
Benfica conquista nacional de juniores
Benfica conquista nacional de juniores

Histórico triplete encarnado

A temporada 2024/25 entrou para a história dos escalões de formação do Benfica, pois, pela primeira vez, o clube conquistou no mesmo ano os títulos de campeão em juniores, juvenis e iniciados. A celebração mais efusiva foi a dos mais crescidos porque as águias não venciam nos sub-19 desde 2021.

Por capricho do calendário, os dois primeiros defrontaram-se no Seixal na penúltima jornada, com o Benfica a precisar apenas de um empate para fazer a festa. OFC Porto conseguiu uma reviravolta, mas o segundo golo de Duarte Soares, aos 82’, permitiu o 2-2 que serviu para iniciar as celebrações.

Nos juvenis e nos iniciados, o Benfica confirmou o domínio recente ao sagrar-se tricampeão. Nos sub-17, a equipa de Pedro Faria terminou com 3 pontos de vantagem sobre o Sp. Braga. Nos sub-15, os comandados de João Rodrigues carimbaram o 13º título do clube, que assim ficou a 2 do Sporting e 1 do FC Porto.

Campeonato de Portugal
Lusitano de Évora sagra-se campeão do Campeonato de Portugal
Lusitano de Évora sagra-se campeão do Campeonato de Portugal

Título inédito do Lusitano faz sorrir o Alentejo

OLusitano de Évora voltou a colocar o futebol alentejano no mapa. Ohistórico clube fez uma época perfeita e venceu o Campeonato de Portugal, o 4º escalão nacional. Foi apenas o segundo título do emblema eborense – depois da 2ª divisão na época 1951/52 –, que contabiliza 14 temporadas no escalão principal (recorde regional) nas décadas de 50 e 60 do século passado.

A equipa treinada por Pedro Russiano começou a destacar-se na Taça de Portugal, prova na qual chegou aos oitavos de final depois de eliminar três adversários de escalões superiores: Ac. Viseu (2ª), Estoril e AVS SAD. Só caiu com derrota (1-2) na visita ao Sp. Braga.

No campeonato, o Lusitano começou por vencer a Série D na 1ª fase. Depois, ganhou todos os jogos (6) no apuramento de subida e na final, com o Jamor pintado de verde e branco pelos adeptos eborenses, bateu o V. Guimarães B no desempate por penáltis (3-1), após um empate a um golo.

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